Hélio dos Anjos é demitido do Náutico após crise e revive histórico de conflitos no Paysandu
Além dos resultados, relação com elenco e diretoria pesou para a saída do Náutico; no Paysandu, técnico também teve embates com dirigentes
A passagem de Hélio dos Anjos e Guilherme dos Anjos pelo Náutico-PE chegou ao fim. A dupla foi desligada pelo clube após a derrota por 3 a 0 para o Cuiabá-MT, na última segunda-feira (21), pela 29ª rodada da Série B. A decisão foi comunicada pelo presidente Bruno Becker após o treinamento da equipe e acontece às vésperas do clássico contra o Sport, marcado para sábado (26), no Estádio dos Aflitos.
Hélio e Guilherme estavam no Náutico desde abril de 2025. Inicialmente, Hélio era o treinador, enquanto o filho exercia a função de auxiliar. Na temporada 2026, Guilherme passou a dividir o comando técnico com o pai. Os dois também tiveram participação na gestão do futebol e na montagem do elenco.
O trabalho começou com resultados importantes. A dupla conduziu o Náutico ao acesso à Série B em 2025 e terminou a temporada seguinte com o vice-campeonato pernambucano. No entanto, o desempenho na segunda divisão caiu ao longo da competição. O Timbu chegou a liderar a Série B, mas perdeu rendimento e passou a conviver com a preocupação em relação à permanência.
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Ao todo, Hélio e Guilherme comandaram o Náutico em 66 partidas nesta passagem, com 29 vitórias, 17 empates e 20 derrotas, totalizando 52,5% de aproveitamento. O time deixa o comando da dupla na 14ª posição, com 38 pontos, oito acima do Avaí, primeiro clube dentro da zona de rebaixamento.
Desgaste nos bastidores
A saída não aconteceu apenas pelos resultados. De acordo com o site GE Pernambuco, o relacionamento da comissão técnica com parte do elenco e outros setores do clube vinha se desgastando. Um dos pontos de tensão foi justamente o acúmulo das funções de comando técnico e gestão do futebol por Hélio e Guilherme.
O ambiente ficou ainda mais complicado depois do empate por 1 a 1 com a Ponte Preta-SP, em agosto, quando os treinadores fizeram cobranças mais duras ao elenco. Já após a derrota para o Cuiabá, a diretoria passou a procurar possíveis substitutos. Ao tomar conhecimento da movimentação, Hélio teria criticado duramente o diretor de futebol Ítalo Braga em uma conversa com os jogadores. O episódio foi apontado como o estopim para a decisão de encerrar o trabalho.
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Passagem conturbada pelo Paysandu
A nova demissão também traz à tona outro capítulo marcado por conflitos na carreira da dupla. Em 2020, Hélio dos Anjos deixou o Paysandu após um período de forte desgaste com a diretoria. O treinador pediu demissão em setembro daquele ano, levando consigo os auxiliares Guilherme dos Anjos e Marcelo Rocha.
Na ocasião, Hélio expôs publicamente divergências com o então presidente Ricardo Gluck Paul e com o diretor de futebol Felipe Albuquerque. O treinador afirmou ter perdido a confiança na gestão e criticou o que considerava falta de profissionalismo no departamento de futebol. O dirigente, por outro lado, rebateu as acusações e apresentou sua própria versão sobre os episódios que provocaram o rompimento.
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Anos depois, a relação ainda teve novos capítulos. Em 2024, Hélio acionou o Paysandu na Justiça do Trabalho, cobrando mais de R$ 2,6 milhões referentes, entre outros pontos, a salários, premiações, verbas rescisórias e direitos de imagem.
O episódio mais recente de desgaste de Hélio dos Anjos no Paysandu aconteceu em 2024 e envolveu o então executivo de futebol Ari Barros. A relação entre os dois se deteriorou ao longo da temporada, a ponto de a diretoria precisar intervir. Após a saída de Ari, Hélio admitiu que os dois tinham divergências profissionais e afirmou que havia alertado a direção sobre uma série de problemas. O conflito ganhou novos contornos meses depois, quando Ari acionou o treinador na Justiça por declarações feitas durante uma entrevista coletiva. Em agosto deste ano, a Justiça da Paraíba (PB) condenou Hélio ao pagamento de R$ 18 mil por danos morais, além de determinar uma retratação pública. O treinador informou ao O Liberal que pretende recorrer da decisão.
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