Projeto de jiu-jitsu transforma a rotina de crianças e adolescentes em Outeiro Iniciativa completa um ano e é alternativa para crianças e adolescente Aila Beatriz Inete 17.01.26 9h00 Projeto atende crianças de comunidade em Outeiro (Divulgação) Controle posicional, técnica, força e disciplina. Essas são algumas das habilidades desenvolvidas no projeto de Breno Farias, o BF Jiu-Jitsu, em Outeiro, distrito de Belém. Há um ano, o faixa-preta iniciou, de forma despretensiosa, a iniciativa e hoje conta com dezenas de crianças e adolescentes entre 8 e 16 anos, vendo nelas a transformação que o esporte pode proporcionar. “Eu comecei com poucos [alunos], em um espaço bem pequeno. Mas, como eu sou bastante conhecido aqui no Outeiro e alguns amigos meus viram, perguntaram se eu dava aula para criança e vieram me procurar. No decorrer da demanda aqui na comunidade, que é bem humilde, decidi dar as aulas”, contou Breno. Segundo relatou o professor, os pais da comunidade Newton Miranda começaram a procurá-lo porque os filhos estavam ociosos em meio às telas. Breno contou que muitos tinham a preocupação de que as crianças ficavam muito tempo no celular e, por isso, queriam ocupá-las com algum outro tipo de atividade. Por conta disso, o jiu-jiteiro decidiu abrir o projeto. “Com isso, eu fui estudar mais um pouco, porque eu já tenho conhecimento com adulto e é totalmente diferente para criança. Então, fui procurar estudar mais e me aperfeiçoar. É por isso que a faixa etária das minhas crianças hoje é de 8 até 16 anos”, explicou. Breno trabalha à noite e também dá aulas particulares para adultos. Com isso, o projeto funciona nas folgas, duas ou três vezes por semana. Para além das técnicas do jiu-jitsu, no projeto, as crianças aprendem sobre disciplina, posicionamento e defesa pessoal. Durante os treinos, Breno, mesmo sozinho, tenta desenvolver gincanas que ajudam no controle emocional e físico. As aulas são realizadas em uma academia improvisada em um dos cômodos da casa. O professor consegue manter a iniciativa com uma taxa simbólica paga pelos pais — quando podem. Com o valor, ele consegue manter o local limpo, comprar água e repor materiais, mas, ainda assim, não é o suficiente para atender à demanda. “Eu tive que fazer um empréstimo para poder comprar mais tatame, para aumentar a minha academia, que estava muito pequena. Mas eu não tenho apoio financeiro nenhum. Não tenho apoio de nenhuma instituição, nenhum patrocínio”, contou. (Divulgação) Apesar das dificuldades da rotina, da falta de estrutura e de apoio, Breno se diz orgulhoso do trabalho que tem desenvolvido com as crianças da sua comunidade. “Mesmo assim, com tão pouco material e sem apoio financeiro, eu tenho bastante conteúdo, bastante conhecimento com as minhas crianças, eu tenho diálogo com elas. É muito gratificante para mim quando um pai chega e diz: ‘Professor, eu queria agradecer muito, meu filho melhorou muito em casa, melhorou muito na escola, através do jiu-jitsu ele está mais disciplinado’. Esse reconhecimento é muito gratificante”, destacou. Neste sábado (17), o projeto fará um aulão para comemorar o primeiro ano de atividades. Outras academias também devem participar da comemoração, que será simples, mas muito especial, principalmente porque chegar até o momento atual não foi fácil. Breno contou que enfrentou muitas dificuldades até conseguir se graduar faixa-preta e realizar o sonho de abrir a academia. “Eu estou feliz em ver as minhas crianças e os meus próprios alunos adultos reconhecerem todo o trabalho que eu dedico para passar esse conhecimento para eles”, concluiu. Assine O Liberal e confira mais conteúdos e colunistas. 🗞 Entre no nosso grupo de notícias no WhatsApp e Telegram 📱 COMPARTILHE ESSA NOTÍCIA Mais Esportes . Desculpe pela interrupção. 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