Após cantos homofóbicos da torcida, Paysandu pode jogar de portões fechados? Entenda O caso provoca o questionamento: os "torcedores" que cantam e compartilham este tipo de conteúdo esqueceram que é crime ou preferem manter cometendo os atos impunemente? O Liberal 05.03.26 14h59 Uma "música" visivelmente homofóbica de uma torcida organizada do Paysandu voltou a ganhar destaque nas arquibancadas e vídeos nas redes sociais nas últimas semanas. "Liga pro zoológico" é facilmente passível de punição ao clube, como já foi alertado em 2019. Sete anos depois, uma torcida organizada insiste em cometer o mesmo ato, ignorando até mesmo a própria palavra, já que, ainda em 2019, tal grupo divulgou que tomaria medidas para adotar cantos mais, digamos, "civilizados". No entanto, a situação parece ter sido normalizada, ainda que seja criminosa: Em agosto de 2019, uma torcida organizada do Paysandu anunciou o compromisso de modificar a "letra" da "canção" homofóbica "Liga pro zoológico". Quase 7 anos depois, a palavra não foi cumprida. (Imagem: Reprodução) Nos últimos dias, diversos vídeos foram divulgados, inclusive por funcionários e atletas do próprio clube, mostrando torcedores bicolores cantando os mesmos gritos ilegais, o que pode gerar medidas contra o Paysandu. O mesmo pode ocorrer com qualquer outro clube, cuja torcida cante músicas preconceituosas. Veja alguns dos vídeos, disponíveis publicamente e sem receio algum nas redes sociais: Ver essa post no Instagram Uma publicação compartilhada por oliberal.com (@oliberal) Ver essa post no Instagram Uma publicação compartilhada por oliberal.com (@oliberal) Ver essa post no Instagram Uma publicação compartilhada por oliberal.com (@oliberal) Ver essa post no Instagram Uma publicação compartilhada por oliberal.com (@oliberal) Homofobia na dupla Re x Pa Os atos de homofobia não se restringem a apenas um lado da avenida Almirante Barroso. Casos desse tipo também já foram registrados envolvendo torcedores do Clube do Remo. Em 2021, o clube foi julgado pelo Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) após manifestações homofóbicas vindas da torcida durante uma partida contra o Goiás, válida pelo Campeonato Brasileiro da Série B. Na ocasião, torcedores azulinos direcionaram ofensas ao atacante Nicolas, ex-Paysandu, que então defendia a equipe goiana. Dois anos depois, em 2023, outro episódio ganhou repercussão e voltou a expor manifestações de homofobia associadas a torcedores remistas. Um casal de namorados relatou ter sido alvo de comentários preconceituosos nas redes sociais após realizar um ensaio fotográfico vestindo a camisa do Clube do Remo. Dura lex, sed lex: a lei é dura, mas é a lei - e tem que ser cumprida Em 2019, o Supremo Tribunal Federal (STF) equiparou a homofobia e a transfobia ao crime de racismo, conforme a Lei nº 7.716/1989. Com 8 votos a 3, a decisão passou a enquadrar casos de homofobia e transfobia dentro da Lei do Racismo. A determinação foi crucial; afinal, atos homofóbicos, incluindo cantos, músicas e gritos, passaram a ser entendidas como crime hediondo, inafiançável e com pena de dois a cinco anos de prisão, assim como os casos de racismo. Outras leis proíbem comportamentos preconceituosos e ofensivos: Estatuto de Defesa do Torcedor (Lei 10.671/2003): proíbe a incitação à violência e comportamentos discriminatórios. As torcidas organizadas respondem civilmente pelos danos causados por seus membros. Código Brasileiro de Justiça Desportiva (CBJD): o artigo 243-G prevê punições para atos discriminatórios, incluindo multas, perda de pontos e suspensão de torcidas. Lei Geral do Esporte (Lei 14.597/2023): define penas de um a dois anos mais multa para torcedores violentos, permitindo a conversão em afastamento de estádios. Torcida já causou inúmeros problemas para o Paysandu Em 2017, o Paysandu foi denunciado pelo STJD por discriminação de gênero, no caso, por atos homofóbicos praticados pela mesma torcida. O Papão entrou para a história do futebol brasileiro da pior forma possível: foi o primeiro caso de denúncia por preconceito de orientação sexual no futebol brasileiro. Além do artigo 243-G, citado acima, o clube também foi denunciado pelo artigo 213, por deixar de tomar providências para prevenir e reprimir desordens no estádio. O fato ocorreu após a derrota do Paysandu para o Luverdense, pela Série B do Brasileiro. Na ocasião, os integrantes da "organizada" agrediram torcedores de uma banda do próprio time, pelo fato de a agremiação ter se manifestado a favor da causa LGBTIAPN+. Um boletim de ocorrência foi registrado pelos agredidos, em Belém, no Pará. Na Série A, Vitória foi punido em fevereiro de 2026 Em um caso recente, o Superior Tribunal de Justiça Desportiva do Futebol julgou o clube Vitória por infrações em partida da Série A do Campeonato Brasileiro de 2025 contra o Bahia. O clube foi multado em R$ 100 mil e perdeu dois jogos com portões fechados devido à conduta de sua torcida. A Procuradoria denunciou o Vitória após uma Notícia de Infração encaminhada pelo Coletivo de Torcidas Canarinhos LGBTQ+. O relato indicou que torcedores do clube entoaram cânticos homofóbicos direcionados à equipe do Bahia e ao técnico Rogério Ceni, além da exibição de um objeto com dizeres homofóbicos no estádio. Ver essa post no Instagram Uma publicação compartilhada por oliberal.com (@oliberal) No mesmo processo, o Vitória também foi denunciado com base no artigo 213, inciso I, do CBJD por brigas generalizadas e desordem na praça de desporto. Assine O Liberal e confira mais conteúdos e colunistas. 🗞 Entre no nosso grupo de notícias no WhatsApp e Telegram 📱 Palavras-chave PAYSANDU homofobia crime de homofobia COMPARTILHE ESSA NOTÍCIA Esportes . Desculpe pela interrupção. Detectamos que você possui um bloqueador de anúncios ativo! Oferecemos notícia e informação de graça, mas produzir conteúdo de qualidade não é. Os anúncios são uma forma de garantir a receita do portal e o pagamento dos profissionais envolvidos. Por favor, desative ou remova o bloqueador de anúncios do seu navegador para continuar sua navegação sem interrupções. Obrigado! 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