Reajuste no preço dos medicamentos pressiona orçamento familiar
Mesmo considerado baixo, aumento previsto para 2026 preocupa quem depende de remédios contínuos e compromete renda de idosos e pacientes crônicos
O reajuste anual dos medicamentos, previsto para chegar a até 3,66% em 2026, deve impactar diretamente o orçamento de milhares de brasileiros que dependem de tratamentos contínuos. Embora seja considerado um dos menores aumentos dos últimos anos, o novo percentual preocupa consumidores que já enfrentam dificuldades para manter a regularidade no uso dos remédios.
O percentual é calculado com base no Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que mede a inflação oficial do país, além de fatores como custos de energia, variação cambial, produtividade e nível de concorrência entre medicamentos. A estimativa foi projetada pela consultoria SimTax e ainda depende de confirmação oficial da Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (Cmed), prevista até 31 de março.
Para quem faz uso contínuo de medicamentos, mesmo um reajuste considerado baixo pode gerar efeitos significativos ao longo do tempo. No Pará, o administrador de empresas Eberth Wanghon, 39 anos, afirma que o impacto é inevitável. “Impacta sim, porque eu faço uso contínuo de medicamentos para pressão alta e colesterol. Mesmo um reajuste aparentemente pequeno pesa no orçamento ao longo dos meses, já que são gastos fixos e inevitáveis”, diz.
Ele conta que o aumento obriga a reorganizar as finanças pessoais. “Já precisei apertar o orçamento em outras áreas para conseguir manter o tratamento em dia”, afirma. Eberth também relata que busca alternativas para reduzir custos. “Sempre pesquiso preços e, quando possível, opto por genéricos ou marcas mais acessíveis, desde que tenham a mesma eficácia e orientação médica”, completa.
A contadora Helida Natalie, 49 anos, também sente o impacto no dia a dia. “Um reajuste de 3,66% nos medicamentos pode parecer pequeno à primeira vista, mas no dia a dia ele aperta o orçamento, especialmente se você usa remédios de forma contínua”, afirma. Para economizar, ela recorre a medicamentos similares e genéricos. Na avaliação dela, o reajuste não acompanha a realidade econômica da população. “Não é justo, tendo em vista que a renda já é comprometida com despesas básicas”, afirma.
Entre os mais afetados estão os idosos, que frequentemente precisam de múltiplos tratamentos. A aposentada Raimunda Almeida, de 79 anos, relata que o gasto com medicamentos é uma prioridade absoluta. “Eu não posso deixar de tomar meus remédios, minha medicação, que é para a minha saúde”, afirma.
Ela conta que já chegou a gastar valores elevados para manter o tratamento. “Eu tive um mês até de pagar 700 reais de remédio, mas graças a Deus é prioridade na minha vida”, relata. Apesar das dificuldades, ela não interrompe o tratamento. “Até uma vez eu só faltei chorar lá no caixa. Atualmente, só estava dando para comprar remédio”, lembra. Segundo Raimunda, mesmo com o peso no orçamento, não há alternativa. “Justo não é, né? Mas a gente faz o quê? É difícil”, diz.
Além do reajuste regulado, especialistas alertam que o aumento real percebido pelo consumidor pode variar. Isso porque o percentual autorizado pela CMED representa um teto máximo, e alguns medicamentos podem sofrer reajustes maiores dependendo da estratégia das indústrias e do preço praticado no mercado.
Mesmo com o aumento considerado moderado, o impacto social é significativo. Para pacientes com doenças crônicas, idosos e pessoas com renda limitada, qualquer reajuste representa mais um desafio na manutenção da saúde — transformando um direito básico em um custo cada vez mais difícil de sustentar.
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