Caso Banpará – Master mobiliza parlamentares no Pará
Banpará investiu mais de R$ 90 milhões em fundo ligado ao Banco Master
A notícia do investimento de R$ 95,6 milhões do Banpará no Fundo de Investimento em Direitos Creditórios (FIDC) Rover, administrado pela Reag Trust DTVM, instituição que sofreu liquidação extrajudicial pelo Banco Central (BC) em janeiro de 2026, repercute, no início desta semana, entre parlamentares paraenses, que mostram indignação com a posição do Banco. Ao Grupo Liberal, o Banpará enviou nota informando que “todas as aplicações do banco seguem todos os critérios de governança estipulado em política de investimento do banco, respeitando alçadas e limites, e garante que não há risco de impactos no pagamento da participação nos lucros e resultado”. (ver íntegra da nota mais abaixo).
Ainda que o Banco do Estado do Pará (Banpará) assegure que não há riscos para sua solidez, parlamentares como o senador Zequinha Marinho, do Podemos Pará, manifestou preocupação. ”Esse investimento colocou em risco a saúde financeira da instituição paraense e reforça a necessidade de apuração rigorosa sobre os vínculos entre bancos estaduais e o esquema fraudulento”, afirmou, nesta segunda-feira (27).
"É imprescindível que o Congresso Nacional e o Senado Federal atuem com firmeza para investigar, ir a fundo e punir todos os envolvidos, garantindo transparência, justiça e proteção ao patrimônio público. O Brasil não pode tolerar que práticas criminosas contaminem instituições financeiras e coloquem em risco o dinheiro dos cidadãos", complementou Zequinha Marinho.
‘Escândalo’, aponta senador pelo Pará
O senador do Podemos disse que assinou todos os requerimentos para a instalação de comissões parlamentares de investigação sobre o Banco Master, sejam comissões mistas ou no Senado. “Estamos diante de um escândalo de proporções bilionárias, com impactos que se estendem por diversos estados brasileiros e que ameaçam a credibilidade do sistema financeiro nacional”.
“As apurações da Polícia Federal já revelaram indícios veementes de que o controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro, liderava uma organização criminosa voltada para captação ilícita de recursos, envolvendo familiares e empresários ligados ao setor financeiro”.
Para o deputado federal, Éder Mauro, do PL, o que aconteceu com o Banpará é grave. “Foram R$ 95,6 milhões do dinheiro do povo do Pará colocados em um fundo que hoje está em liquidação pelo Banco Central, cercado de suspeitas e envolvido em um escândalo financeiro. Isso não é erro técnico, não é detalhe. É irresponsabilidade com dinheiro público. É brincar com o dinheiro de quem paga imposto, de quem trabalha todo dia”, afirmou o parlamentar.
"Vamos cobrar a posição de cada parlamentar’, diz deputado federal
"Com a CPMI do Banco Master avançando no Congresso, vamos cobrar posição clara de cada deputado e de cada senador. Quem ficar em silêncio está se escondendo e vai ter que explicar ao povo por que virou as costas para esse escândalo. Não existe neutralidade quando o dinheiro público está em risco. O Banpará já quebrou nas mãos da família Barbalho. O Pará não vai aceitar ver essa história se repetir. O dinheiro do povo não é caixa-preta, não é aposta e não é herança de família. Vai ter investigação, vai ter cobrança", disse Éder Mauro.
Deputado estadual, pelo PL, na Assembleia Legislativa do Pará (Alepa), Rogério Barra afirmou: “O que estão fazendo com o Banpará é um absurdo. Um banco estadual, que deveria servir ao desenvolvimento do Pará, foi jogado dentro de esquemas financeiros fechados, sem transparência, verdadeiras caixas-pretas do sistema financeiro”.
“Isso tem nome: descaso com o dinheiro do povo. O governo Helder Barbalho mostra, mais uma vez, que não respeita o recurso público e trata o patrimônio do Estado como se não tivesse dono. O Banpará não existe para apostar em operações duvidosas, nem para servir de laboratório de esquemas financeiros. Existe para apoiar o pequeno empreendedor, o produtor, a economia real. O que fizeram foi colocar o dinheiro do povo em risco”, disse Barra.
NOTA DO BANPARÁ
O Grupo Liberal procurou saber quais os critérios de compliance e governança utilizados pelo Banpará para a aprovação do aporte milionário em um fundo de crédito privado, Também, questionou se a decisão passou pela aprovação do Conselho de Administração do Banco do Estado do Pará, em resposta o Banco informou: “Todas as aplicações do banco seguem todos os critérios de governança estipulado em política de investimento do banco, respeitando alçadas e limites, com estudos e parâmetros internos de liquidez e solidez”.
Sobre se a decisão ter passado pela aprovação do Conselho de Administração do Banco, a resposta foi a seguinte: “Todas as decisões de investimentos seguem as diretrizes da política de investimento da Instituição, bem como Manuais de Alçada”. Quanto ao fato de o banco já ter feito o provisionamento de possíveis perdas referentes ao valor investido, o Banpará informou: “Não há necessidade de realizar provisões para este investimento. Não há risco de impactos no pagamento da participação nos lucros e resultados”.
BANCO MASTER
Procurada, a defesa de Daniel Vorcaro enviou a seguinte nota: “o Banco Master e seu controlador não participam da gestão, da administração, da precificação ou da modelagem técnica dos fundos mencionados. As atividades, estimativas e valores declarados nos balanços dessas empresas são de responsabilidade exclusiva das respectivas gestoras e dirigentes”.
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