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Obras de expansão viária na RMB podem adicionar até R$ 2,4 bi no PIB e gerar 40 mil empregos

Investimentos de R$ 1,2 bilhão em obras como duplicações, viadutos e o BRT Metropolitano devem impulsionar a economia paraense, melhorar a mobilidade urbana e reduzir custos logísticos para empresas na Região Metropolitana de Belém

Jéssica Nascimento
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O total investido em obras de expansão viária na Região Metropolitana de Belém foi de R$ 1,2 bilhão. Entre elas, destacam-se a duplicação da Avenida Bernardo Sayão e a ampliação da Rua da Marinha. Todas elas podem adicionar entre R$ 1,8 e R$ 2,4 bilhões no PIB (Produto Interno Bruto) do Pará. Além disso, juntas, essas obras podem gerar 39,6 mil postos de trabalho. Os cálculos são do economista paraense Genardo Oliveira.

A duplicação da Avenida Bernardo Sayão recebeu R$ 188 milhões, segundo a Agência Belém. A requalificação de ruas e avenidas, por sua vez, teve um aporte de R$ 231 milhões, conforme noticiou a Folha de São Paulo. O BRT Metropolitano recebeu R$ 478 milhões, de acordo com Portal da Transparência do Governo do Pará. A ampliação da Rua da Marinha foi orçada em R$ 242 milhões, segundo informou a Seop (Secretaria de Estado de Obras Públicas) ao Grupo Liberal. 

Já a construção de novos viadutos, como o viaduto Mário Covas com a Avenida Três Corações (R$ 30 milhões) e o viaduto Mário Covas com a Avenida Independência (R$ 40 milhões), totalizou R$ 70 milhões, conforme apurado por uma matéria de O Liberal.

image Viaduto da Rodovia Mário Covas com avenida Independência. (Foto: Rodrigo Pinheiro | Agência Pará)

Economista aponta crescimento significativo no PIB e geração de empregos

Em entrevista, o economista Genardo Oliveira explicou que os investimentos em infraestrutura viária são um motor para o crescimento da economia local. 

"Esses investimentos têm um impacto multiplicador, o que significa que eles vão além da simples melhoria das vias. Podem adicionar entre R$ 1,8 bilhões e R$ 2,4 bilhões ao PIB da Região Metropolitana de Belém nos próximos anos, representando um crescimento de cerca de 4% a 5% da economia da região", afirmou Oliveira.

O economista destacou ainda que os impactos serão sentidos principalmente em setores como construção civil, comércio e serviços.

"Essas áreas são as que mais se beneficiam desses investimentos, pois aumentam a circulação de bens e pessoas, além de gerar novos negócios e empregos”, disse. 

Oliveira também detalhou o impacto direto e indireto das obras sobre o mercado de trabalho. "Cada R$ 1 milhão investido em infraestrutura viária gera, em média, 33 empregos, sendo aproximadamente 15 diretos e o restante indiretos, ligados a cadeias produtivas relacionadas. Com R$ 1,2 bilhão investido na Região Metropolitana de Belém, temos o potencial de criar cerca de 39,6 mil postos de trabalho, abrangendo áreas como construção, engenharia, transporte, comércio de materiais e serviços urbanos", explicou o economista.

image Rua da Marinha. (Foto: Thiago Gomes)

Governo destaca benefícios das obras para o tráfego e economia local

Ao Grupo Liberal, a Secretaria de Estado de Obras Públicas (Seop) destacou os benefícios da ampliação da Rua da Marinha, enfatizando a importância da interligação da via com a Avenida Augusto Montenegro e a Avenida Centenário. 

"Essa obra vai reduzir os congestionamentos, aumentar a segurança viária e diminuir o tempo de deslocamento na Região Metropolitana de Belém, além de impulsionar o desenvolvimento urbano", afirmou a Seop. 

A obra, que beneficiará cerca de 200 mil pessoas, deve absorver mais de 20 mil veículos por dia após a sua conclusão. Além disso, a Seop informou que a ampliação gerou cerca de 300 empregos diretos, com um investimento total de R$ 242,3 milhões.

Também ao Grupo Liberal, já a Secretaria de Estado de Infraestrutura e Logística (Seinfra) ressaltou o impacto positivo da conexão entre a Universidade Federal do Pará (UFPA) e a Alça Viária por meio da Avenida Liberdade. De acordo com a Seinfra, essa obra vai reduzir significativamente o custo do frete e a distância entre Belém, o Porto de Vila do Conde e as regiões Sul e Sudeste do Pará. 

"Com a diminuição do fluxo e do tempo de deslocamento, as regiões produtoras e a Região Metropolitana de Belém serão diretamente beneficiadas", afirmou a Seinfra, reforçando que a obra terá um grande impacto na economia da região.

Membro do Corecon aponta impactos positivos nas empresas locais e na logística urbana

Para o economista e membro do Conselho Regional de Economia do Pará e Amapá (Corecon PA/AP), Nélio Bordalo, as obras de expansão viária trazem benefícios diretos para as empresas na Região Metropolitana de Belém. 

"Reduzir o tempo médio de deslocamento entre Belém, Ananindeua e Marituba certamente resultará em cortes significativos nas despesas operacionais das empresas, como combustível, manutenção, horas de motorista ociosa e custos com fretes atrasados", destacou Bordalo.

Embora não haja um número único oficial para quantificar as economias, Bordalo citou como exemplo outras localidades, onde projetos de transporte rápido, como o BRT em grande escala, mostraram reduções substanciais nos tempos de deslocamento e ganhos operacionais, o que, por sua vez, melhora a eficiência das cadeias logísticas urbanas.

Os impactos positivos mais concretos para as empresas da região, segundo Bordalo, incluem:

  • Menor custo de transporte: Menos horas de viagem significam menos gasto com combustível e manutenção de frota.
  • Maior produtividade da frota: Com a redução do tempo de viagem, os veículos podem realizar mais viagens por dia.
  • Redução de atrasos e estoques parados: Isso contribui para a regularidade das entregas e para a eficiência logística.
  • Acesso mais rápido a clientes, portos e centros de distribuição: Melhorando a competitividade das empresas.
  • Melhor qualidade de vida para trabalhadores: A redução do tempo de deslocamento também diminui taxas de absenteísmo e fadiga.

"Esses efeitos geram ganhos reais no custo logístico e operacional das empresas, embora ainda não tenha sido divulgado um índice percentual específico para a RMB em 2026", concluiu Bordalo.

Prefeitura de Belém destaca benefícios das obras para a mobilidade urbana e qualidade de vida

A Prefeitura de Belém ressaltou os benefícios das obras de expansão viária para a redução do tempo de deslocamento e o impacto direto na qualidade de vida dos cidadãos. 

"Essas intervenções são fundamentais para reduzir o tempo gasto nas vias, tanto para o acesso ao atendimento médico quanto para o trabalho e outras atividades cotidianas. Elas também diminuem o estresse no trânsito, o consumo de combustível e a poluição, já que haverá menos veículos parados em congestionamentos", afirmou a prefeitura em resposta ao Grupo Liberal.

image Rua da Marinha. (Foto: Alexandre Costa | Agência Pará)

A melhoria do transporte público é outro fator importante, especialmente com a implantação do BRT Metropolitano, que já tem impactado positivamente a circulação de veículos na Região Metropolitana.

"O BRT reduziu significativamente o fluxo de veículos na cidade, proporcionando maior conforto aos usuários, com ônibus climatizados e de melhor qualidade", afirmou a prefeitura.

Fiepa avalia impacto das obras viárias na competitividade industrial

Ao Grupo Liberal, Alex Carvalho, presidente da Federação das Indústrias do Estado do Pará (Fiepa), destacou a importância das obras de expansão viária para a competitividade da indústria na Região Metropolitana de Belém. 

"A indústria local, especialmente a amazônica, sempre enfrentou desafios logísticos complexos. Assim como grandes projetos logísticos na região, as obras viárias urbanas e metropolitanas vão elevar a competitividade ao reduzir tempos de deslocamento e melhorar a confiabilidade das operações", afirmou Carvalho.

Ele ressaltou que a melhoria nas vias também pode contribuir para a redução de custos logísticos, como transporte e estoque, além de mitigar gargalos de acesso aos portos e polos industriais.

"Essas intervenções serão fundamentais para diminuir custos operacionais e ampliar o mercado de trabalho acessível", completou.

Carvalho também avaliou o impacto positivo das melhorias no acesso entre Belém, Ananindeua e Marituba. "Essa melhoria vai reduzir os custos logísticos, especialmente no que se refere ao tempo e à confiabilidade das operações. Menos horas paradas, menos reentregas e melhor planejamento de rotas são benefícios diretos da redução do tempo de deslocamento", explicou.

Embora a estimativa numérica dos impactos seja complexa devido à variedade de variáveis, o presidente da Fiepa apontou que estudos indicam que a logística representa de 10% a 20% do faturamento líquido de uma operação industrial

"No Brasil, os custos logísticos chegam a cerca de 15,5% do PIB, um número que é amplamente influenciado por questões infraestruturais", observou Carvalho, ressaltando que as melhorias viárias terão um impacto direto na redução desses custos.

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