Com dólar perto de R$ 5,18, especialistas explicam como investir na moeda
Queda recente abre oportunidade, mas custos e perfil de risco exigem atenção
A recente queda do dólar frente ao real tem despertado o interesse de investidores brasileiros que buscam proteger parte do patrimônio ou diversificar aplicações. Com a moeda americana sendo negociada em torno de R$ 5,17 a R$ 5,18 no início de 2026, especialistas apontam que o momento pode representar uma oportunidade para quem pretende começar a investir em ativos atrelados ao dólar — embora a decisão exija análise cuidadosa de riscos, custos e objetivos financeiros.
Segundo o economista Nélio Bordalo, o recuo recente da moeda americana reflete um ajuste técnico do mercado após períodos de maior tensão. “Boa parte da queda recente do dólar frente ao real reflete um ajuste técnico no mercado após períodos de tensão, com investidores devolvendo prêmios de risco que tinham sido incorporados ao câmbio”, explica.
Ele afirma que o movimento ocorreu em um contexto de maior apetite por ativos de países emergentes e melhora nas perspectivas econômicas e políticas. Ainda assim, as projeções do mercado indicam que a moeda americana pode voltar a subir ao longo do ano. “Relatórios de mercado ainda projetam o dólar mais alto ao longo de 2026, em níveis médios acima do patamar atual, com projeções em torno de R$ 5,4 a R$ 5,7 até o fim do ano”, afirma o economista.
Bordalo também alerta que fatores externos podem provocar oscilações rápidas na cotação. “Existe risco de repique cambial ainda no semestre. Em momentos de aversão ao risco global, investidores procuram o dólar como porto seguro, pressionando sua cotação para cima”, diz.
Diversificação e proteção do patrimônio
Para o investidor Ronivaldo Teixeira, dolarizar parte da carteira pode ser uma estratégia relevante em um cenário de mercados cada vez mais conectados. “A alocação de recursos em dólar é uma operação de renda variável, por isso deve ser feita por pessoas que toleram esse tipo de risco e sabem que não há garantias de retorno fixo”, afirma.
Ele diz que muitos investidores recorrem à moeda americana não apenas pela possibilidade de ganhos, mas também como forma de proteção financeira. “Diversificar parte do patrimônio em ativos dolarizados pode trazer benefícios, especialmente porque esse montante não fica sujeito a crises econômicas e políticas no Brasil”, explica.
Apesar disso, Teixeira destaca que não existe uma fórmula única para definir quanto investir em dólar. “Não existe indicação exata de 3%, 5% ou 10% da carteira. Essa é uma escolha individual e pode começar a qualquer momento, aos poucos ou com aportes maiores”, afirma.
Formas de investir em dólar
Atualmente existem diferentes caminhos para quem deseja acessar a moeda americana. Entre as alternativas mais comuns estão a compra de dólar em espécie, os fundos cambiais e as chamadas contas globais oferecidas por bancos e corretoras.
A compra de dinheiro físico, embora tradicional, tende a ser a opção menos eficiente como investimento. “Sobre a compra do papel moeda e guardar em casa, eu não vejo como uma boa solução de investimento pelo custo de segurança, logística e outros riscos”, avalia Teixeira.
De acordo com estimativas apresentadas por especialistas, quem compra dólar em espécie quando a cotação comercial está em torno de R$ 5,18 pode acabar pagando entre R$ 5,45 e R$ 5,60 após spreads e IOF, o que exige uma valorização de 5% a 8% da moeda apenas para compensar os custos iniciais.
Nos fundos cambiais, que acompanham a variação da moeda americana, os custos tendem a ser menores, embora ainda incluam taxa de administração e imposto sobre os ganhos. Nesse caso, uma valorização de 2% a 4% do dólar já pode ser suficiente para gerar retorno líquido ao investidor.
Outra alternativa que vem ganhando popularidade são as contas globais, que permitem converter reais em dólares e investir diretamente em ativos no exterior. Em muitos casos, uma valorização próxima de 2% já cobre taxas e despesas da operação, tornando esse modelo mais eficiente para pequenos investidores.
Acesso mais democrático
De acordo com o assessor de investimentos Igor Carvalho, a ampliação de plataformas digitais e serviços financeiros internacionais tornou o acesso à moeda americana mais simples para o público em geral.
“Hoje o acesso ao dólar ficou muito mais democrático. Seja por fundos cambiais, contas globais nas corretoras ou pela compra em espécie”, afirma.
Para ele, investir em dólar não deve ser uma decisão baseada apenas no momento da cotação. “A questão de dolarizar parte do patrimônio vem se mostrando importante ao longo dos anos. Qualquer investidor já deveria ter uma parte da carteira dolarizada”, diz.
Ainda assim, Carvalho avalia que o atual patamar da moeda pode representar uma oportunidade. “Com o dólar operando perto de R$ 5,18, abre-se uma janela de oportunidade para o investidor pessoa física aumentar a exposição à moeda americana”, conclui.
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