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Guerra no Irã encarece em 35% materiais de construção em Belém e reduz ritmo de compras no setor

Alta chega a 35% em itens derivados do petróleo, como tubos de PVC; empresários apontam impacto do frete e da crise internacional nos custos

Jéssica Nascimento

A escalada do conflito no Oriente Médio já começou a pesar no bolso de quem pretende construir ou reformar em Belém. Materiais básicos da construção civil, como tubos de PVC, cimento, porcelanato e tintas, registraram aumentos expressivos nos últimos meses, impulsionados pela alta internacional do petróleo e pelo encarecimento do frete. Em alguns casos, o reajuste já chega a 35%, segundo empresários do setor.

O cenário tem afetado diretamente o comportamento dos consumidores, que passaram a reduzir compras, buscar produtos mais baratos e até adiar pequenas reformas. A expectativa do setor é de estabilização dos preços no curto prazo, mas com recuperação gradual das vendas ao longo do segundo semestre.

image (Foto: Thiago Gomes)

Produtos derivados do petróleo lideram alta nos preços

De acordo com Cláudio Batista, fundador e CEO de uma das maiores redes de lojas de materiais de construção, decoração e utilidades para o lar do Norte do Brasil, o aumento nos preços começou a ganhar força entre março e abril, após o agravamento do conflito entre Estados Unidos, Israel e Irã e o fechamento do Estreito de Ormuz, rota estratégica para o transporte mundial de petróleo.

Segundo o empresário, os impactos já são percebidos em praticamente todos os departamentos das lojas, mas os produtos fabricados com derivados do petróleo foram os mais afetados.

“Eu acho que todos os departamentos vêm sofrendo com aumento de preço. Isso vem muito da questão da guerra no Oriente Médio, da alta do petróleo. Muitos insumos da nossa indústria necessitam do petróleo”, afirmou.

Entre os itens que tiveram os maiores reajustes estão tubos e conexões de PVC, além de equipamentos que utilizam plástico na composição, como chuveiros elétricos, torneiras e ventiladores.

“Tudo que é derivado de petróleo, como o próprio PVC, tubo, conexão, teve reajuste de mais de 35%, já anunciado do meio de março até hoje. É um acúmulo muito maior do que a inflação, uma coisa fora do comum”, disse Cláudio Batista.

image Cláudio Batista. (Foto: Thiago Gomes)

Frete pesa ainda mais no Norte do país

Além do petróleo, outro fator apontado pelo empresário para a elevação dos custos é o transporte de mercadorias, especialmente na Região Norte.

Segundo ele, a obrigatoriedade da tabela mínima de frete no Brasil tem pressionado ainda mais os preços para estados distantes dos grandes centros de distribuição.

“Como a gente está no Norte do Brasil, isso acaba influenciando nesses aumentos de custos. O frete influencia em tudo para vir para cá”, explicou.

Até mesmo produtos fabricados no Pará, como algumas argamassas, sofreram reajustes, embora em menor intensidade.

image (Foto: Thiago Gomes)

“Teve produtos influenciados só pelo frete, como a argamassa, que é feita aqui dentro do Pará. Como o frete é menor, o reajuste também foi menor, mas a gente vê essa alta em todos os produtos”, destacou.

No caso do cimento, a alta variou entre 12% e 15% em cerca de 30 dias, conforme estimativa do empresário.

Construir ficou mais caro e vendas desaceleraram

O aumento nos custos já começa a impactar as vendas do setor, principalmente em obras de maior porte. Cláudio Batista afirma que o cenário de juros elevados, somado à perda do poder de compra da população, tem reduzido o volume de vendas.

“Quando a gente sobe o preço do produto, porque precisa repassar esse aumento, a gente tem uma percepção de que a venda diminui”, afirmou.

Segundo ele, o Pará já está entre os estados com custo de construção mais elevado do país, o que faz muitos consumidores reverem seus projetos.

“Quando um cliente pega o mesmo produto 30% mais caro, a tendência é ele não comprar ou comprar menos”, observou.

image (Foto: Thiago Gomes)

O impacto é mais sentido por construtoras e consumidores que executam grandes obras, enquanto pequenas reformas ainda conseguem absorver parte dos reajustes.

“Uma construtora ou alguém que está fazendo uma obra grande sente muito esse impacto no custo da obra. O PVC vem influenciando bastante nisso”, ressaltou.

Consumidores buscam alternativas para economizar

Diante do encarecimento, os clientes passaram a adotar estratégias para reduzir os gastos. Entre as principais mudanças estão a troca por marcas mais acessíveis, a compra apenas do essencial e o adiamento de reformas.

“Hoje o cliente está procurando o produto mais barato, comprando só o necessário e, às vezes, adiando aquela pequena reforma, porque o orçamento ficou mais caro”, afirmou o empresário.

image (Foto: Thiago Gomes)

Expectativa é de estabilidade no curto prazo

Para os próximos meses, o setor trabalha com a perspectiva de uma leve recuperação nas vendas, impulsionada pelo fim do período mais chuvoso na região. Ainda assim, empresários acreditam que os preços devem permanecer elevados enquanto persistirem as tensões internacionais envolvendo o petróleo.

“No curto prazo, o preço deve se manter. Enquanto estivermos nesse período de escassez de petróleo, acho que vai continuar desse jeito”, avaliou Cláudio Batista.

Apesar da expectativa de melhora no movimento das lojas, o empresário prevê um cenário de recuperação com menor volume de vendas e preços mais altos.

“A tendência é normalizar até o final do ano, mas vai ser um volume menor de venda com um preço mais caro”, concluiu.

Frete internacional e setor de acabamentos também sentem impacto

O impacto da crise internacional também tem sido percebido no segmento de acabamentos de alto padrão. Segundo Isan Anijar, presidente da Associação Comercial do Pará (ACP) e diretor comercial de uma empresa especializada em revestimentos, mármores, granitos e acabamentos, o aumento nos custos logísticos provocado pelo conflito no Oriente Médio já influencia diretamente os preços praticados no setor.

image (Foto: Thiago Gomes)

De acordo com o empresário, além do reajuste nos insumos, o transporte das mercadorias ficou significativamente mais caro neste ano.

“Nós tivemos um aumento significativo esse ano, em torno de 8% de aumento médio das empresas e tivemos um aumento muito grande também no frete pela questão da situação da guerra que está acontecendo lá no Oriente Médio, então isso, claro, impacta diretamente nos nossos preços”, afirmou Isan Anijar.

Apesar da pressão nos custos, o dirigente empresarial afirma que a expectativa do setor é de crescimento, impulsionada pelos investimentos previstos com a exploração da Margem Equatorial no Norte do país.

Segundo ele, não há, até o momento, expectativa de novos reajustes expressivos além dos aumentos já registrados.

Veja como ficaram os preços de alguns materiais de construção após o início da guerra

Lajota 67x67
• Antes da guerra: R$ 39,90
• Depois da guerra: R$ 46,90

Tubo de PVC
• Antes da guerra: R$ 99,90
• Depois da guerra: R$ 139,90

Tinta acrílica (latão)
• Antes da guerra: R$ 119,90
• Depois da guerra: R$ 139,90

Serra mármore
• Antes da guerra: R$ 399
• Depois da guerra: R$ 499

Vaso sanitário
• Antes da guerra: R$ 319
• Depois da guerra: R$ 389

 

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