Investimentos em 2026: como começar e onde aplicar diante dos juros altos

Com Selic ainda elevada e expectativa de mudanças no cenário econômico, especialistas orientam iniciantes e analisam tendências para quem quer investir melhor neste ano

Fabyo Cruz
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O interesse dos brasileiros que desejam começar a investir ou reorganizar suas aplicações em busca de maior rentabilidade tem se intensificado. Após um período marcado por oscilações no mercado financeiro, inflação pressionando o custo de vida e mudanças na política monetária, cresce o número de pessoas que deixam a poupança e buscam alternativas mais eficientes para fazer o dinheiro render. No Pará, esse movimento também aumenta, impulsionado pelo acesso facilitado a bancos digitais, corretoras online e pela maior oferta de educação financeira.

Segundo especialistas, o atual cenário econômico exige cautela, planejamento e, sobretudo, informação. Com a taxa básica de juros ainda em patamar elevado — a Selic está em 15% ao ano —, a renda fixa segue como porta de entrada para muitos investidores, especialmente os iniciantes.

“No cenário atual de juros brasileiros, o ideal para o investidor, principalmente o iniciante, é atrelar seu dinheiro aos juros do país, ou seja, à Selic”, afirma Igor Carvalho, 33 anos, assessor de investimentos. Ele explica que mesmo com a expectativa de queda da taxa ao longo do ano, os juros reais continuam elevados, tornando esse tipo de aplicação mais atrativa do que alternativas atreladas apenas à inflação.

Para quem está deixando a poupança, o primeiro passo costuma ser a migração para títulos públicos. De acordo com Igor, o governo federal avançou ao democratizar o acesso a esse tipo de investimento por meio do Tesouro Direto. “Hoje é possível investir em títulos atrelados à Selic, à inflação ou prefixados com menos de R$ 100. É o investimento mais seguro do país, com risco soberano e rendimento superior à poupança, mesmo considerando a isenção do imposto de renda da caderneta”, explica.

Mas escolher onde investir vai além de buscar o maior rendimento do momento. Para o especialista, entender o próprio perfil é essencial antes de diversificar a carteira. “Sempre recomendo começar de forma mais conservadora, se acostumar com essa nova forma de investir e, aos poucos, diversificar. A melhor carteira é aquela que reúne ativos com diferentes riscos e indexadores”, diz.

Ele lembra que muitos investidores migraram totalmente para a renda fixa após o fraco desempenho da bolsa entre 2023 e 2024. “Em 2025, o Ibovespa rendeu mais de 34%. Quem não tinha nada em ações acabou ficando de fora. Diversificação não é opção, é estratégia”, reforça.

O que muda de 2025 para 2026

Além da expectativa de queda gradual da Selic, 2026 também é marcado por fatores políticos que influenciam diretamente o mercado. “Temos dois eventos importantes neste ano: o início do ciclo de queda dos juros e o período eleitoral. Ambos trazem volatilidade e exigem que o investidor olhe para frente, e não apenas para o desempenho passado”, alerta Igor.

O especialista diz que é um erro comum investir baseado apenas em euforia. “Quando o Ibovespa está na máxima, cresce a procura por ações. Mas quanto mais o preço sobe, menor é a margem de segurança. Ainda há espaço para a bolsa brasileira na carteira, mas com cautela e equilíbrio”, afirma.

Reserva de emergência: o alicerce de tudo

Antes de pensar em ações, fundos imobiliários ou até criptoativos, o investidor precisa montar sua reserva de emergência. “Esse deve ser sempre o primeiro investimento. O ideal é aplicar em um ativo seguro, com liquidez diária e atrelado à Selic, como o Tesouro Selic”, orienta Igor. A recomendação é guardar o equivalente a seis meses de custos fixos. “Isso não traz apenas rentabilidade, mas tranquilidade. Com essa segurança, o investidor consegue lidar melhor com aplicações mais voláteis e com imprevistos da vida”, completa.

Educação financeira e o perfil do investidor paraense

No Pará, o perfil do investidor ainda é majoritariamente conservador, com forte preferência por imóveis e terras. “O investidor paraense gosta de segurança e tem interesse por ativos ligados ao setor imobiliário. Por isso, os fundos imobiliários costumam chamar atenção, mesmo não sendo conservadores”, analisa o assessor. O avanço da educação financeira e o acesso a plataformas digitais, no entanto, começam a ampliar esse horizonte. “Hoje há muitas opções para investir, mas dois cuidados são fundamentais: estudar antes de aplicar e buscar profissionais de confiança. E desconfie sempre de promessas de ganhos altos e garantidos — isso costuma ser sinal de golpe”, alerta.

A experiência de quem está começando

A consultora em sustentabilidade Isabela Lima, 34 anos, é um exemplo de quem decidiu sair da poupança e dar os primeiros passos no mundo dos investimentos. Ela conta que tinha uma pequena reserva e percebeu que o dinheiro praticamente não rendia.

“Eu sabia que estava perdendo dinheiro na poupança. Então procurei ajuda para entender o básico, identificar meu perfil de investidora e definir meus objetivos”, relata. Segundo Isabela, o apoio de um assessor foi essencial para compreender onde estava colocando seu dinheiro e quais eram as possibilidades. “Hoje, com os aplicativos dos bancos e orientação adequada, fica muito mais fácil entender para onde o dinheiro vai, como resgatar e quais são as vantagens de cada investimento”, afirma.

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