Guerra no Oriente Médio ameaça preço dos alimentos em Belém e preocupa consumidores
Dieese aponta que a alta do petróleo e dos combustíveis, impulsionada pela escalada do conflito entre Irã e EUA, pode pressionar fretes e elevar o custo da produção e distribuição de alimentos no Brasil, com possíveis reflexos nos supermercados de Belém nos próximos meses
A escalada do conflito entre Irã e Estados Unidos, com reflexos em todo o Oriente Médio, já começa a gerar preocupação entre economistas e representantes do setor de supermercados no Brasil. A tensão internacional tem pressionado principalmente o preço do petróleo e do transporte marítimo, o que pode encarecer combustíveis e, em efeito cascata, elevar custos da produção e distribuição de alimentos — impacto que pode chegar ao bolso dos consumidores nos próximos meses, inclusive em Belém.
Especialistas explicam que o aumento no preço dos combustíveis costuma ter reflexo direto no valor dos alimentos, já que grande parte da produção e distribuição depende de transporte rodoviário e marítimo. Segundo o supervisor técnico do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese-PA), Everson Costa, ainda é cedo para medir estatisticamente o impacto do conflito na inflação, mas os sinais iniciais apontam para pressões nos custos logísticos.
“Os combustíveis estão encarecendo desde a semana passada com a intensificação do conflito e a retenção de navios que transportam combustível. Isso pode gerar escassez e problemas de logística no mundo inteiro”, explica.
De acordo com o economista, o principal efeito deve ocorrer por meio do frete. Com o diesel mais caro, o custo de transporte de mercadorias sobe e acaba sendo repassado ao consumidor final.
“Combustível mais caro significa frete mais caro. E quando o frete sobe, os supermercados acabam repassando esse aumento para o preço dos produtos”, afirma.
Ele ressalta, porém, que o aumento dos alimentos não depende apenas do cenário internacional. Fatores internos também pressionam os preços, como entressafra agrícola, quebra de produção e condições climáticas — especialmente no período do inverno amazônico.
“A guerra entra como mais um fator dentro de um contexto que já vinha pressionando a cesta básica. Só com os dados de inflação e da cesta básica de março vamos conseguir enxergar melhor o efeito desse cenário internacional”, pontua.
GUERRA AINDA NÃO AFETA AS PRATELEIRAS
No setor supermercadista, a avaliação é que os efeitos ainda não chegaram de forma direta às prateleiras, mas há preocupação com possíveis aumentos nos próximos meses.
O presidente da Associação Paraense de Supermercados, Jorge Portugal, afirma que não há registro de falta de produtos até o momento, mas admite que o encarecimento do petróleo pode afetar os preços.
“Até o momento não houve impacto direto. O que pode acontecer mais adiante é aumento de preços em função do combustível, já que o petróleo subiu bastante. Isso acaba influenciando o frete”, explica.
Segundo ele, o Pará depende fortemente do transporte rodoviário de mercadorias vindas de outras regiões do país, principalmente do Sudeste e do Centro-Oeste, o que aumenta a sensibilidade do mercado local aos custos logísticos.
“Somos muito abastecidos por transporte rodoviário vindo do Sul, Sudeste e Centro-Oeste. Qualquer aumento no combustível acaba impactando o preço final”, diz.
Além do frete, Portugal destaca que outros produtos derivados do petróleo também podem sofrer aumento, como embalagens plásticas.
“Tudo que é derivado do petróleo pode ser afetado. Até as embalagens de polietileno utilizadas nos produtos podem sofrer reajuste”, acrescenta.
CONSUMIDORES SE PREOCUPAM
Entre os consumidores, a possibilidade de novos aumentos gera apreensão, principalmente em um cenário em que muitos produtos já pesam no orçamento doméstico.
O agente de portaria André Jair afirma que o preço dos alimentos já preocupa e que qualquer aumento adicional pode dificultar ainda mais a vida das famílias.
“O alimento é essencial, ninguém vive sem ele. Com o preço alto e muita gente com pouco dinheiro ou desempregada, fica difícil”, afirma.
Ele conta que tenta se preparar financeiramente para possíveis aumentos, economizando sempre que possível. “A gente tenta guardar um pouco do dinheiro para quando vier um momento mais difícil ter uma reserva”, diz.
Segundo ele, um dos produtos que mais pesa atualmente no orçamento familiar é a carne. “A carne está bem cara hoje. É o que mais pesa quando a gente vai fazer o supermercado”, relata.
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