Pará capacita mais de 28 mil mulheres e fortalece empreendedorismo feminino

Mais da metade dos atendimentos do Sebrae no estado foi destinada a empreendedoras, que ampliam presença nos pequenos negócios e no setor de serviços

Thaline Silva*
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O Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas no Pará (Sebrae) registrou mais de 28 mil mulheres capacitadas em ações voltadas ao empreendedorismo ao longo do último ano. Segundo a instituição, o público feminino representou 57% dos atendimentos realizados em 2025, consolidando a presença das mulheres no ambiente de pequenos negócios no estado.

As iniciativas incluem capacitações, consultorias, eventos e atividades de networking direcionadas tanto a mulheres que desejam iniciar um empreendimento quanto àquelas que já possuem negócios e buscam ampliar suas atividades. O atendimento é realizado por meio das agências da instituição e também nas Salas do Empreendedor distribuídas pelos 144 municípios paraenses.

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Programas ampliam capacitação e apoio a empreendedoras

Entre os programas desenvolvidos pela instituição está o Sebrae Delas, criado para incentivar a cultura empreendedora feminina. Em execução desde 2022, o projeto já atendeu cerca de três mil mulheres em 75 municípios do Pará, com ações voltadas ao desenvolvimento de competências, troca de experiências e fortalecimento de redes de contato entre empreendedoras.

Outro projeto é o Nisa Delas, direcionado a mulheres que possuem negócios em estágio inicial ou ideias empreendedoras com potencial de impacto social ou ambiental. No estado, 25 participantes já foram atendidas pelo programa. Uma das empreendedoras que passaram pela iniciativa foi Ewelyn Silva, criadora da startup ClickVet, voltada ao desenvolvimento de soluções tecnológicas para o setor pet.

Segundo a empreendedora, a participação no programa contribuiu para o amadurecimento do projeto. Ewelyn foi vencedora da etapa estadual do Prêmio Sebrae Mulher de Negócios 2025 na categoria Microempreendedora Individual (MEI).

O acesso ao crédito também faz parte das ações de apoio ao empreendedorismo feminino. Por meio do Fundo de Aval às Micro e Pequenas Empresas, o Sebrae atua como avalista em financiamentos concedidos por instituições bancárias parceiras, podendo garantir até 80% do valor solicitado. Em 2025, 121 empreendedoras paraenses utilizaram o mecanismo, movimentando mais de R$ 15 milhões em crédito para investimento e capital de giro.

Outro programa em funcionamento é o Efeito Furacão, voltado a mulheres que estão estruturando ou iniciando negócios. De acordo com o Sebrae, três turmas do projeto já foram realizadas no Pará, impactando cerca de 550 participantes.

Mulheres ampliam presença nos pequenos negócios no Pará

Além das ações de capacitação e acesso a recursos financeiros, a instituição também promove iniciativas de reconhecimento a trajetórias empreendedoras. O Prêmio Sebrae Mulher de Negócios, realizado desde 2004, destaca histórias de mulheres que desenvolveram negócios com impacto econômico e social. As inscrições para a edição deste ano devem ser abertas em breve.

De acordo com a diretora técnica do Sebrae no Pará, Domingas Ribeiro, os resultados refletem o crescimento da participação feminina no ambiente empresarial do estado. Segundo ela, a instituição pretende ampliar as oportunidades de capacitação e apoio a novas empreendedoras.

Dados analisados pelo Sebrae a partir de informações do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística indicam que 13,5% das mulheres paraenses em idade ativa atuam como empreendedoras. No país, elas lideram aproximadamente 52% dos pequenos negócios.

Apesar da participação expressiva, o levantamento aponta desafios estruturais. As mulheres apresentam, em média, maior nível de escolaridade: 29% possuem ensino superior, contra 21% dos homens. Ainda assim, o rendimento médio feminino permanece inferior ao masculino.

No universo dos microempreendedores individuais, o Pará contabiliza atualmente 333.723 registros ativos. Desse total, 139.300 são de mulheres, o que representa 41,74% dos cadastros. Entre as empreendedoras, o setor de serviços concentra a maior participação, com 47,77%, seguido pelo comércio, com 42,05%. Indústria, construção e agronegócio aparecem com percentuais menores.

*Thaline Silva, estagiária de jornalismo, sob supervisão de Keila Ferreira, coordenadora do núcleo de Política e Economia

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