Com forte demanda na região Norte, o microcrédito rural movimentou R$ 69,7 milhões em janeiro de 2026, com 5.259 contratos firmados — o maior volume desde a criação da linha de financiamento. O Pará lidera o número de operações, seguido pelo Acre e pelo Amazonas. Desde dezembro de 2024, o programa já soma cerca de R$ 397,37 milhões liberados para pequenos produtores.
As contratações ocorreram nas regiões Norte e Centro-Oeste do Brasil e refletem o crescimento da demanda por crédito rural entre agricultores familiares e comunidades tradicionais. O avanço do financiamento evidencia o papel estratégico da política de microcrédito no fortalecimento das economias rurais regionais e na ampliação do acesso a recursos produtivos em áreas historicamente menos atendidas pelo sistema financeiro.
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Como funciona
O Microcrédito Produtivo Orientado (MPO) integra o Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar, voltado a pequenos agricultores familiares, pescadores artesanais, indígenas, quilombolas e extrativistas. A iniciativa foi estruturada para reduzir barreiras de acesso ao crédito e ampliar o financiamento de atividades produtivas no meio rural.
Os limites de contratação variam conforme o perfil do beneficiário: até R$ 15 mil para mulheres, R$ 12 mil para homens e R$ 8 mil para jovens, com possibilidade de uma mesma família acessar até R$ 35 mil. Os recursos podem ser utilizados no custeio da produção, aquisição de insumos e equipamentos ou melhoria da infraestrutura produtiva.
Inclusão financeira e desenvolvimento
Ao ampliar o acesso ao financiamento, o microcrédito rural tem se consolidado como instrumento de inclusão financeira e desenvolvimento local. A política contribui para a geração de renda, o fortalecimento de cadeias produtivas regionais e a manutenção de modos de vida tradicionais no campo, além de estimular maior autonomia econômica entre famílias que historicamente enfrentam dificuldades para acessar linhas convencionais de crédito.
A operacionalização do financiamento depende da atuação de instituições credenciadas. A Cactvs Instituição de Pagamentos S.A. atua como operadora e correspondente bancário do programa, com credenciamento da Caixa Econômica Federal para viabilizar o acesso das famílias aos recursos.
Segundo a instituição, o modelo inclui acompanhamento técnico e orientação financeira ao produtor durante todo o ciclo do crédito. As equipes são formadas por profissionais especializados em microfinanças e com formação técnica em áreas como agronomia, zootecnia e agricultura, oferecendo suporte desde a qualificação da atividade produtiva até a aplicação dos recursos.
Para a presidente da Cactvs, Kelvia Ribeiro, o acesso ao crédito orientado amplia a capacidade de planejamento dos produtores e favorece investimentos sustentáveis nas propriedades rurais. Segundo ela, o financiamento com suporte técnico fortalece não apenas a renda das famílias beneficiadas, mas também a dinâmica econômica das comunidades onde estão inseridas.
*Thaline Silva, estagiária de jornalismo, sob supervisão de Gabi Gutierrez, coordenador do núcleo de Política e Economia