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Lei do devedor contumaz permitirá prisão de 'Al Capones' no Brasil, diz secretário da Receita

Robinson Barreirinhas usou um paralelo com o gângster norte-americano Al Capone, condenado à prisão em 1931 por sonegação de impostos

Estadão Conteúdo
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O secretário da Receita Federal, Robinson Barreirinhas, disse nesta quinta-feira, 22, que a lei complementar do devedor contumaz vai permitir que o Brasil comece a prender pessoas que cometem crimes tributários. Ele usou um paralelo com o gângster norte-americano Al Capone, condenado à prisão em 1931 por sonegação de impostos.

"Finalmente nós poderemos ter 'Al Capones' no Brasil, ou seja, criminosos que cometem crime contra a ordem tributária (e são presos), isso não existe hoje no Brasil", disse Barreirinhas, durante um pronunciamento a jornalistas. "Com a lei do 'devedor contumaz', talvez a gente possa ter esse tipo de coibição a criminosos."

A lei complementar do devedor contumaz foi sancionada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva este mês, após aprovação pelo Congresso Nacional em 2025. Segundo o secretário, a legislação vai autorizar o Fisco brasileiro a adotar um tratamento "bastante duro" contra esses contribuintes, cujo modelo de negócios envolve a sonegação.

"O rito do contencioso tributário passa a ser sumário: ele não passa mais pelo Carf, ele tem a primeira e a segunda instância dentro da Receita", disse Barreirinhas, acrescentando que vai deixar de haver o parcelamento de dívidas tributárias para os contribuintes enquadrados como devedores contumazes.

O secretário disse que recentes operações da Receita no setor de combustíveis - a Carbono Oculto, por exemplo - mostram o estrago causado pelos devedores contumazes.

Ele também deu o exemplo do setor de cigarros, onde 13 empresas regulares devem em torno de R$ 4 bilhões, enquanto outras sete empresas - quase todas qualificáveis como devedores contumazes - devem R$ 15 bilhões em impostos contra o fumo.

"Essas empresas não pagam tributo, não recolhem, e têm, hoje, 12% mais ou menos do mercado de cigarros, continuam produzindo - a maior parte delas, com base em liminares, que a gente tem dificuldade de derrubar e pretendemos enfrentar, agora, com a lei do devedor contumaz", disse Barreirinhas.

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