Indústria paraense mantém trajetória sob influência do mercado internacional

Setor apresentou oscilações de preços no mercado externo, especialmente do minério de ferro, principal produto da pauta

O Liberal
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A indústria do Pará atravessou o segundo trimestre de 2025 sob influência direta do cenário internacional das commodities, que segue determinante para o desempenho do setor no Estado. Levantamento do Observatório da Indústria da FIEPA, com base em dados da Fapespa, mostra que o comportamento do período esteve associado, sobretudo, às oscilações de preços no mercado externo, especialmente do minério de ferro, principal produto da pauta mineral paraense.

Entre abril e junho, segmentos relevantes da indústria apresentaram variações distintas, com destaque para eletricidade e gás e para a indústria extrativa, atividade de maior peso na composição do Produto Interno Bruto (PIB) industrial do Estado. A extrativa, sozinha, responde pelo maior valor agregado da indústria paraense, somando cerca de R$ 8,28 milhões no período, o que faz com que qualquer movimento nos preços internacionais tenha impacto direto sobre o resultado agregado do setor.

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O principal vetor dessa dinâmica foi o comportamento do minério de ferro. No segundo trimestre de 2025, o preço médio da commodity recuou para US$ 99,1, o menor nível desde 2024. A redução afeta o valor nominal da produção mineral, ainda que os volumes extraídos permaneçam em patamares elevados. Na prática, o desempenho do PIB industrial reflete mais a variação de preços do que mudanças estruturais na capacidade produtiva instalada no estado.

Segundo Felipe Freitas, gerente do Observatório da Indústria da FIEPA, o resultado deve ser interpretado dentro desse contexto internacional. “O que observamos no segundo trimestre é um ajuste conjuntural. A base produtiva da indústria paraense segue sólida, mas o valor do PIB é sensível ao comportamento das commodities. Quando o preço do minério recua, o impacto aparece nos indicadores, mesmo sem alteração relevante no nível de produção física”, explica.

Essa característica ajuda a entender por que a indústria não reproduziu, no mesmo período, o ritmo observado na agropecuária, por exemplo. Enquanto o agro é influenciado por fatores internos, como clima, safra e produtividade, a indústria mineral responde majoritariamente a ciclos globais de demanda e cotação. São lógicas distintas, que explicam movimentos diferentes entre setores sem indicar perda de competitividade industrial.

No campo dos investimentos, a construção civil manteve trajetória de expansão e registrou crescimento de 19,57% no segundo trimestre, impulsionada por obras de infraestrutura e pelos projetos associados à preparação do Estado para a COP30. O avanço do segmento sinaliza a capacidade de mobilização do ambiente produtivo local, ainda que seus efeitos se distribuam ao longo do tempo e não se concentrem em um único trimestre.

Na comparação com o mesmo período de 2024, a leitura é mais favorável. A indústria contribuiu para a elevação do PIB do Pará em 5,72%, evidenciando que, apesar das oscilações de curto prazo, o setor mantém trajetória consistente no horizonte anual. A diferença entre o resultado trimestral e o anual reforça o peso do fator preço na análise econômica, sobretudo em economias com forte presença do setor mineral.

Felipe Freitas avalia que o segundo semestre tende a apresentar um ambiente mais construtivo. “As projeções indicam uma recuperação gradual dos preços do minério de ferro, o que deve se refletir no valor da produção e no desempenho do PIB industrial. Com esse movimento, a expectativa é de os números reflitam um fechamento de ano mais equilibrado para a indústria paraense”, afirma.

Os dados apontam para preços médios do minério em torno de US$ 104 no terceiro trimestre e US$ 107 no quarto trimestre, cenário que pode devolver maior tração ao setor industrial do estado ao longo de 2025.

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