Indústria paraense fecha 2025 com saldo positivo, apesar de retração sazonal no fim do ano

Dados foram levantados pelo Observatório da Indústria do Pará, a partir de informações do Ministério do Trabalho 

O Liberal
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Apesar das oscilações registradas no encerramento do ano, o mercado de trabalho formal, no recorte da indústria e construção civil paraense terminou 2025 com saldo positivo na geração de empregos. No acumulado de janeiro a dezembro, os dois setores somaram 5.125 novas vagas com carteira assinada, mantendo o resultado positivo, ainda que em ritmo mais moderado que o observado em 2024. O desempenho reflete uma trajetória de crescimento durante o ano. Os dados foram levantados pelo Observatório da Indústria do Pará, a partir de informações do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados, do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE).

Ao longo de 2025, o mercado de trabalho apresentou desempenho mais favorável entre fevereiro e setembro, período em que houve estabilidade e crescimento moderado, com pico de 3.137 vagas em setembro. Até então, o saldo acumulado superava 15 mil postos de trabalho. No entanto, o desempenho geral do ano foi puxado pela queda nos meses de outubro (-912), novembro (-1.901) e, principalmente, dezembro (-7.793). Na comparação anual, o saldo final de 2025 ficou 54% abaixo de 2024, quando o Estado havia criado 11.147 vagas nos dois segmentos.

De acordo com as análises do Observatório, a retração de dezembro foi puxada, sobretudo, pelo setor da Construção, que perdeu 6.557 empregos formais no mês. As maiores quedas ocorreram nas atividades de Construção de Rodovias e Ferrovias (-1.645) e Construção de Edifícios (-1.143), refletindo a conclusão de etapas de grandes obras no Estado. Entre as ocupações, destacaram-se as perdas de Servente de Obras (-1.249) e Pedreiro (-485). Em contrapartida, alguns segmentos ligados à infraestrutura básica apresentaram desempenho positivo, como Água e Esgoto (+161) e Indústrias Extrativas (+154), além de funções técnicas como Operador de Estação de Tratamento de Água (+106).

No recorte territorial, a desmobilização concentrou-se nos principais polos econômicos. Belém liderou as perdas (-1.677), seguida por Parauapebas (-1.272) e Canaã dos Carajás (-942), municípios fortemente ligados à construção civil e a grandes projetos de infraestrutura. Ainda assim, alguns municípios registraram saldos positivos, como Bragança (+70), Curuçá (+25) e Tucuruí (+24), indicando a presença de “microclimas” econômicos, possivelmente impulsionados por demandas locais do comércio e dos serviços de fim de ano.

O último trimestre do ano foi marcado por uma retração mais intensa, fenômeno associado à sazonalidade típica do período no Pará. Em dezembro, a construção e a indústria apresentaram saldo negativo de 7.793 postos de trabalho, resultado de 7.296 admissões contra 15.089 desligamentos. O volume de contratações caiu 31,05% em relação a novembro, aprofundando a tendência já observada no fim do ano.

Segundo o gerente do Observatório da Indústria do Pará, Felipe Freitas, esse movimento não foge do padrão histórico. “Esse comportamento é esperado. A sazonalidade do fim do ano já é observada historicamente, com encerramento de contratos e conclusão de ciclos produtivos. Em 2025, esse efeito pode ter sido mais intenso, especialmente por causa da dinâmica das obras ligadas à COP30”, explica.

Para o Observatório, os dados mostram que a dinâmica do emprego no Pará está fortemente conectada aos ciclos da construção e de grandes obras. Embora a retração de dezembro tenha reduzido o ritmo do crescimento anual, o saldo positivo de 2025 demonstra que o Estado manteve a capacidade de geração de empregos ao longo do ano. “O desafio está em ampliar a retenção de mão de obra e reduzir a volatilidade provocada pelo encerramento concentrado de contratos, especialmente nos grandes projetos”, avalia Felipe Freitas.

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