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Dieese: preço da carne bovina encerra 2025 em alta em Belém

Produto subiu 3,96% no acumulado do ano. Trabalhador da capital compromete 13% do salário mínimo para comprar 4,5 kg de carne.

Gabriel da Mota
fonte

O preço da carne bovina no varejo encerrou o ano de 2025 em patamar elevado em Belém, refletindo custos de produção pressionados e a dinâmica das exportações. Segundo o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese/PA), a cesta básica na capital paraense atingiu o valor médio de R$ 666,57 em dezembro. O aumento da carne impacta diretamente o orçamento das famílias, especialmente em um cenário de oscilação na oferta de gado.

Levantamentos semanais realizados pelo órgão apontam que o quilo da carne de primeira — que engloba cortes como coxão mole (chã), cabeça de lombo e paulista — custava, em média, R$ 42,24 no último mês de 2025. Em comparação a novembro de 2025, quando o valor era de R$ 41,73, houve um reajuste de 1,22%. No acumulado de 12 meses, o produto apresenta uma alta de aproximadamente 4% em relação a dezembro de 2024, época em que o quilo era comercializado por R$ 40,63.

Carne de primeira ficou mais cara em dezembro 

A trajetória dos preços em 2025 foi marcada por instabilidades. Em janeiro daquele ano, o valor médio chegou a R$ 44,21, recuando nos meses seguintes até voltar a subir no fechamento do segundo semestre. Essa pressão inflacionária no Pará é potencializada por custos logísticos e de distribuição, além da necessidade de recomposição de margens ao longo da cadeia produtiva.

Para o trabalhador que recebe o novo salário mínimo de R$ 1.621, o acesso à proteína animal tornou-se mais restrito. Com uma diária média de R$ 54, o rendimento diário não é suficiente para adquirir sequer dois quilos de carne bovina. O levantamento do Dieese/PA detalha que, para comprar 4,5 kg do produto, o paraense precisou desembolsar R$ 190,08 no mês passado.

Impacto no orçamento das famílias chega a 13% do salário 

O comprometimento da renda é um dos pontos mais críticos da análise técnica.

"O cenário de alta nos preços da carne bovina acaba comprometendo de forma significativa o poder de compra dos trabalhadores paraenses. É importante observar que aqueles que têm no salário mínimo sua principal fonte de renda são os mais atingidos por essas variações", afirmou Everson Costa, supervisor técnico do Dieese/PA.

Para garantir o consumo mensal estimado de 4,5 kg de carne, o trabalhador precisou dedicar 27 horas e 33 minutos de sua jornada mensal de 220 horas. Isso representa o comprometimento de cerca de 13,54% do salário mínimo vigente apenas com este item. A tendência para 2026 é que os preços sigam pressionados devido aos fatores estruturais do mercado de proteína vermelha.

Raio-X dos preços em Belém 

VARIAÇÃO DA CARNE DE PRIMEIRA (kg)

  • Dezembro/2024: R$ 40,63 
  • Janeiro/2025: R$ 44,21 
  • Novembro/2025: R$ 41,73 
  • Dezembro/2025: R$ 42,24 
  • Variação no ano: +3,96% 

ESFORÇO DE COMPRA

  • Preço médio do kg: R$ 42,24 
  • Custo para 4,5 kg: R$ 190,08 
  • Tempo de trabalho necessário: 27h33 
  • Percentual do salário mínimo: 13,54% 

Fonte: Dieese/PA

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