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Consumidores buscam alternativas para driblar preços de passagens

Após alta nas tarifas de viagens aéreas, especialista explica como evitar golpes ao comprar passagens pela internet

Elisa Vaz

A pandemia da covid-19 prejudicou a economia de diversas formas, suspendendo serviços e limitando a circulação de pessoas para evitar maior contaminação pelo vírus. Sem a possibilidade de fazer viagens após o fluxo de voos ser interrompido, os preços de passagens ficaram mais altos.

No Pará, no mês de fevereiro deste ano, último dado disponível, o preço médio para as viagens domésticas foi de R$ 531,85, o que representa uma alta de 4,7% em relação a janeiro, quando o custo foi de R$ 507,82, em média. Já na comparação entre um ano e outro, houve reajuste na casa dos 5,8% - em fevereiro do ano passado, o preço médio era de R$ 502,79. Os dados são da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac).

O levantamento também mostra que a média do Pará em fevereiro ficou acima da nacional, que foi de R$ 492,65. Do total de compras no Estado no segundo mês de 2022, 29,7% das tarifas foram de até R$ 100, 33,8% de até R$ 300 e 6% acima de R$ 1.500. Proporcionalmente, portanto, no comparativo com os outros Estados, os paraenses compram mais passagens acima de R$ 1.500, já que o país tem uma média de 4% em tarifas deste valor.

Proprietário de uma agência de viagens em Belém, Fábio Yamada tem notado as tarifas de passagens aéreas mais caras nos últimos tempos. Segundo ele, este não é um acontecimento novo: vem sendo percebido desde que a pandemia “tomou corpo”. E existem alguns motivos que justificam essa alta, sendo o principal a diminuição da malha aérea. “Desde que a pandemia começou, a malha diminuiu por motivos óbvios. O que acontece a seguir é que se pode analisar cada rota e quais as rotas realmente rentáveis. Agora, gradativamente, elas estão voltando mediante a uma demanda real”, afirma.

Outro fator que pode ter motivado a alta de preços, na opinião do empresário do setor, é a alta do combustível – inclusive, ele acredita que os reajustes recentes tenham sido motivados, principalmente, por isso, já que o cenário foi agravado depois do início do conflito na Ucrânia. “A relação é direta com o aumento do barril. Sem contar que as companhias aéreas, em seus voos internacionais, pagam em dólar o combustível”, diz Fábio.

Nacionalmente, os destinos que tiveram a maior mudança de preços, segundo ele, foram Brasília e São Paulo, mas outros como Fortaleza, tão popular para os paraenses, tiveram altas de até 100%, dependendo da época. “Nos feriados e férias de julho as passagens estão caríssimas. No caso dos destinos internacionais, estes são tarifados em dólar. Por exemplo, se planejar direitinho, você encontra uma passagem de Belém a Miami, ida e volta, por US$ 687. O problema é na hora de converter”. O prejuízo para os empresários dessa área é certo: eles ganham um percentual que varia de 6% a 9% e, com tarifas mais caras, há um volume menor de vendas.

Consumidor tenta driblar preços

Neste cenário, os consumidores notam que passagens antes encontradas a valores baixos não existem mais. Um deles é o corretor de imóveis Felipe Maia, de 28 anos, que sempre teve o costume de viajar muito e, depois do pico da pandemia, tem encontrado passagens mais caras que antes da crise sanitária. Ele conta que sempre tenta fazer ao menos duas viagens por ano, sendo uma delas internacional – inclusive, nesta segunda-feira, ele embarca em direção a mais um destino.

“Consegui viajar algumas vezes nos últimos meses, depois da flexibilização, mas notei a alta nos valores. Vários destinos que eu estava de olho saltaram de preço, algumas bem acima de 20% ou 30%. Em relação a antes da pandemia, sem dúvidas as passagens aumentaram. Por exemplo, de Belém para São Paulo, eu facilmente encontrava com preço entre R$ 400 e R$ 500 reais, e hoje é o dobro, sendo que é um destino com alta demanda”, ressalta o consumidor.

Para driblar esse custo elevado, Felipe sempre utiliza buscadores de passagens alternativos, onde é possível incluir o ponto de partida, o destino e a data pretendida, e o site mostra os melhores preços e voos mais rápidos. Na opinião do corretor, no entanto, a melhor dica para conseguir viajar sem gastar muito é fazer um bom planejamento, comprando passagens com antecedência. “Na maioria das vezes, são preços muito melhores do que comprar para a mesma semana. Se possível, ter flexibilidade é legal. Às vezes um dia a mais ou a menos no destino pode fazer uma diferença de tarifa relevante. Outra dica é evitar períodos de festivais, shows e eventos grandes na cidade, para garantir preços melhores”, orienta.

Como evitar golpes ao comprar passagens

Embora a maioria dos sites seja segura para fazer compras, os consumidores devem estar atentos à possibilidade de cair em algum golpe, principalmente porque a transação é feita de forma online. Felipe Maia nunca caiu em nenhuma enganação, mas conhece pessoas que já passaram por este problema. Na opinião dele, o cliente sempre deve suspeitar quando os preços estão muito abaixo do normal – e é preferível comprar de empresas que tenham muitos anos no mercado e boas avaliações na internet.

Presidente da Comissão de Defesa dos Direitos do Consumidor da Ordem dos Advogados do Brasil Seção Pará (OAB-PA), Bernardo Mendes explica que as relações de consumo se incrementaram muito, e hoje em dia as pessoas que buscam obter experiências a partir de viagens utilizam muita mais a compra pelos sites e plataformas digitais, não apenas no endereço oficial das companhias aéreas. É o chamado “e-commerce de passagem”, diz.

Segundo ele, nesses casos é importante que o consumidor utilize a própria internet como uma ferramenta para esclarecer as suas dúvidas, buscando informações de outros consumidores que relatam como se deu a experiência de comprar naquele site. Caso o consumidor, ainda sim, experimente uma excepcionalidade ou um golpe, pode percorrer alguns caminhos tanto administrativos ou extrajudiciais: é possível utilizar a plataforma digital Consumidor.gov ou a Diretoria de Proteção ao Consumidor (Procon).

Mas também cabe medida judicial. Segundo Bernardo, as fraudes, quando a compra é feita pela internet, são capituladas no próprio Código de Defesa do Consumidor (CDC), cabendo não somente repercussão civil como também penal. “Você precisa identificar se aquele site detém um rastro que facilite o encontro ou paradeiro do golpista. Fora isso, o consumidor vai percorrer um caminho muito longo e tortuoso até encontrar aquele que efetivamente praticou o golpe. Por isso a prevenção é muito mais importante do que tentar remediar”, afirma.

Por exemplo, o presidente da Comissão indica evitar modalidades que facilitem os golpes, como pagamento por PIX. Embora seja uma ferramenta segura do Banco Central, torna-se mais difícil recuperar ou ter o estorno do valor gasto, por fazer transferências imediatas. Outra dica é sempre pesquisar – ao se deparar com uma passagem de custo baixo, o consumidor pode verificar outros pontos de venda para comparação e ainda confirmar o voo e o horário com a companhia antes de comprar.

Quanto aos sites que oferecem passagens sem data certa, estipulando apenas um período, Bernardo afirma que é um instrumento legal, mas também exige cuidados. “Esses sites reúnem alguns pacotes em parceria com companhias aéreas, e eles precisam ser convenientes economicamente, tanto para quem está comercializando como para a própria empresa aérea. É como se fosse um compilado de voos em dias e horários delimitados. Essa organização é válida, mas o consumidor não tem tanto poder de escolha, tem que se enquadrar. Quando a data for, de fato, marcada e ele não puder, pode tentar uma restituição do valor, mas provavelmente não será integral”, explica.

Dicas para não cair em golpes comprando online

1. Pesquise a idoneidade da empresa

2. Sem contato, nem pensar

3. Fique de olho na certificação digital

4. Atente à qualidade dos textos

5. Conheça a reputação da empresa

6. Peça indicações

7. Leia a política do site

8. Use dispositivos seguros

9. Fuja de promoções mirabolantes

10. Guarde os comprovantes das compras

Fonte: Serasa

Palavras-chave

Economia
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