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Preço da carne em Belém deve receber reajuste em breve, avalia setor

Novos preços sofrem pressão das exportações e outras variações de mercado

Maycon Marte

O preço da carne comercializada em Belém deve receber um novo reajuste em breve, devido ao efeito das exportações no mercado local, como avaliam representantes do setor. Nos estabelecimentos da cidade, o preço ainda é o mesmo ofertado durante o mês de dezembro do ano anterior, mas os consumidores já notam variações, mesmo que pequenas, nos principais cortes do dia a dia. A estimativa é de um reajuste médio de 10%, considerando fatores climáticos e a imprevisibilidade do setor, com atenção às mudanças recentes na relação comercial internacional.

O sócio-proprietário de um açougue na capital paraense, Toni Alves, avalia que, sobretudo, são as exportações que devem gerar a necessidade de reajuste. Isso acontece porque a demanda para abastecer o mercado externo deixa os empresários locais mais desabastecidos, o que reflete em produtos mais caros. Ele enfatiza que essa dinâmica é fluida e o mercado oscila de maneira imprevisível, sendo difícil precisar o quanto os consumidores terão que desembolsar a mais.

“A gente sempre tem uma média anual de aumento de 10%. Mas, ao mesmo tempo que aumenta, também diminui, dependendo muito da exportação, da demanda e de fatores climáticos que também interferem, devido à seca ou chuva”, defende o empresário.

Considerando a variação constante dos preços, Alves adota estratégias para preservar a clientela durante os momentos de reajuste. Segurar o preço total do que seria reajustado ou distribuir o aumento entre os cortes são algumas das medidas que o empresário aplica na sua loja. “Geralmente, quando aumentamos o preço das carnes de primeira, mantemos as carnes de segunda com o mesmo valor ou, em alguns casos, até reduzimos”, explica.

A preferência por fornecedores da região Norte, em especial do Pará, também surge como mecanismo para economizar na compra das carnes, já que o frete tende a ser menor do que os valores cobrados sobre a carne transportada de regiões mais distantes. “Nossas compras abrangem diversas regiões, como Marabá, Castanhal, São Félix do Xingu e Altamira, concentrando-se principalmente no estado do Pará”, destaca.

Consumo

Os consumidores paraenses já se queixam de preços reajustados, mesmo que pouco, em diferentes localidades. Para a funcionária pública Andreia Rangel, que mora atualmente em Santarém e veio a Belém desde a semana passada, o maior impacto no bolso está nos supermercados, por isso ainda recorre a açougues de rua e feiras para tentar economizar. Mas sua principal estratégia é a pesquisa de preços em diferentes estabelecimentos.

“A minha percepção dos preços daqui, em relação à Santarém, é de que está oscilando muito o valor, entre R$ 5 e R$ 7, variando algumas carnes, mas eu acho que, em relação ao supermercado, com certeza o açougue é bem mais em conta. É uma diferença de R$ 15 a R$ 20, que foi o que percebi ontem mesmo”, enfatiza a consumidora.

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Saldo

Um levantamento do Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (Dieese-PA) indica que 2025 fechou com um cenário de preços elevados ao consumidor final, tanto no Pará quanto no conjunto do país. Os principais fatores que pressionaram os preços na capital, segundo a entidade, incluem a dinâmica da oferta de gado, os custos de produção, a demanda externa aquecida e os efeitos da inflação sobre os alimentos.

Segundo a entidade, o Pará foi diretamente afetado pelas variações do mercado no último ano, já que o estado acompanhou a tendência nacional de alta. “Custos logísticos, transporte, energia e alimentação animal também exerceram pressão sobre os preços finais praticados ao consumidor paraense, sobretudo na capital”, avalia o Dieese.

Nacionalmente, os dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que baseiam as análises do Dieese-PA, demonstram que, no decorrer do ano passado, a carne foi líder entre os itens mais caros na mesa dos brasileiros. “A redução do ritmo de abate em determinados períodos do ano, associada à retenção de matrizes e à recomposição de rebanho, limitou a oferta no mercado interno. No mesmo momento, a forte demanda externa, impulsionada pelas exportações brasileiras, também contribuiu para preços mais elevados no atacado, com impactos no varejo”, conclui.

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