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Exportações do Pará alcançam superávit de mais de US$ 21 bilhões em 2025

Estado ocupa a 5ª posição no ranking de exportações e concentra 7% das vendas externas do país

Gabi Gutierrez

O Pará encerrou 2025 com mais de US$ 24 bilhões em exportações e um superávit comercial superior a US$ 21 bilhões, resultado que reforça o papel do estado no comércio exterior brasileiro. O desempenho representa crescimento em relação a 2024 e foi impulsionado, principalmente, pela mineração e pelo agronegócio.

Dados do sistema Comex Stat mostram que, ao longo do ano, o estado exportou US$ 24,2 bilhões e importou US$ 2,7 bilhões, movimentando cerca de US$ 27 bilhões na corrente de comércio. Com esse resultado, o Pará fechou 2025 como o 5º maior exportador do país, responsável por 7% de todas as exportações brasileiras no período.

O desempenho estadual acompanhou o cenário nacional. O Brasil encerrou 2025 com superávit recorde de US$ 68,3 bilhões, o terceiro melhor resultado da série histórica.

Mineração concentra exportações e sustenta saldo positivo

A indústria extrativa seguiu como o principal motor das exportações paraenses. Em 2025, o minério de ferro e seus concentrados responderam por 48% de toda a pauta exportadora do estado. Na sequência aparecem os minérios de cobre, com 16,1%, além de outros produtos minerais com menor participação.

Itens da indústria de transformação ligados à cadeia mineral também tiveram peso relevante, como alumina (7,8%), alumínio (2,7%) e ouro não monetário (2,6%). O desempenho reforça a importância de polos industriais como Barcarena, que encerrou o ano entre os maiores municípios exportadores do Pará.

Para o supervisor técnico do Dieese, Everson Costa, o resultado garante ao Pará uma contribuição decisiva para o superávit nacional, mas revela uma estrutura ainda concentrada. “O estado cresce e diversifica aos poucos, mas o núcleo das exportações segue fortemente baseado em commodities, especialmente mineração e agronegócio”, avalia.

China lidera destinos das exportações

O comércio exterior paraense permanece fortemente direcionado à Ásia. A China respondeu por 45,6% de todas as exportações do estado em 2025, consolidando-se como o principal parceiro comercial.

Na sequência aparecem Malásia (5,6%), Japão (4,2%) e Índia (2,6%). A Europa também teve participação relevante, com destaque para Noruega (3,5%), Alemanha (3,1%) e Espanha (2,9%). Já os Estados Unidos responderam por 4,3% das exportações do Pará no ano.

Segundo o Dieese, a concentração dos destinos amplia a exposição do estado às oscilações do mercado internacional. “Mudanças no cenário externo, como variação de preços ou disputas comerciais, impactam rapidamente a economia local”, pontua Costa.

Agro avança, mas segue atrás da mineração

O agronegócio também apresentou avanço em 2025 e acompanhou o bom momento nacional do setor, mas ainda tem participação menor na pauta exportadora paraense. A soja respondeu por 6,6% das exportações, enquanto a carne bovina representou 4,9%.

Também aparecem na pauta animais vivos (2,4%), milho (0,7%) e frutas e derivados, com participações mais modestas.

Para o diretor da Federação da Agricultura e Pecuária do Pará (Faepa), Guilherme Minssen, o resultado foi favorecido pelas condições climáticas. “O campo paraense acompanhou o desempenho nacional. O clima foi um grande aliado e ajudou a garantir boas safras”, afirma.

Minssen destaca ainda a competitividade do estado. “Temos produtos de qualidade, preços acessíveis e, em algumas culturas, até três safras por ano, além de uma produção forte em itens tropicais”, diz.

Importações crescem, mas arrecadação segue limitada

Apesar do forte desempenho no comércio exterior, o avanço das exportações não se reflete de forma direta na arrecadação estadual. Em 2025, o Pará respondeu por apenas 0,98% das importações nacionais, ocupando o 13º lugar no ranking. Além disso, grande parte das exportações, especialmente da mineração, segue desonerada de ICMS.

“A exportação não é a principal base da arrecadação do estado. Mineração e outras commodities são desoneradas. A receita vem, principalmente, de energia, combustíveis, serviços e consumo interno”, explica Everson Costa.

Segundo o Dieese, o comércio exterior fortalece setores como logística, transporte e operações portuárias, mas ainda gera impactos limitados sobre emprego e renda. “O desafio é transformar esse volume exportado em mais valor agregado, com maior processamento local e mais efeitos na economia interna”, conclui.

 

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