Liquidação de janeiro: lojas em Belém já fazem promoções de até 80% para queimar estoques
Descontos tentam manter movimento após fim de ano e garantir capital de giro aos lojistas
Janeiro já impulsiona o comércio de Belém com o tradicional período de liquidações. Após o pico de vendas do Natal e do Réveillon, lojistas adotam descontos e estratégias de queima de estoque para escoar mercadorias remanescentes e preparar a chegada das novas coleções, especialmente itens de verão e ao Carnaval. Em muitos casos, a redução média de preços varia entre 20% e 25%, com destaque para setores como vestuário, calçados e artigos infantis. Para o diretor do Sindicato do Comércio Varejista e dos Lojistas de Belém, Muzaffar Douraid Said, janeiro se mantém como o principal mês de liquidações do varejo, com expectativa de crescimento de 5% em relação ao mesmo período de 2025. Ele destacou que as promoções podem chegar a até 80% tanto no comércio de rua quanto nos shoppings.
Em um shopping de Belém, foi lançada uma campanha que garante descontos de até 70% e reúne ofertas especiais em lojas de tecnologia, moda, cosméticos e artigos para o lar. De acordo com a gerente de marketing do estabelecimento, Raphaella Rocha, a campanha já faz parte do calendário do empreendimento e é bastante esperada pelos consumidores. “A Etiqueta Amarela é um dos momentos mais aguardados pelos nossos clientes. Preparamos uma campanha que reúne variedade, descontos reais e uma experiência de compra ainda mais atrativa, permitindo que todos encontrem ótimas oportunidades logo no início do ano”, destaca.
Entre os comerciantes no centro histórico da capital, a lógica é clara: reduzir margem de lucro para garantir fluxo de caixa, liberar espaço físico e evitar que produtos fiquem parados por muito tempo. Há 35 anos trabalhando no ramo de calçados no centro comercial, o empresário Aloísio Rezende, de 53 anos, explica que a principal estratégia é reorganizar produtos e diminuir preços para aumentar o volume de vendas.
“É melhor reduzir a margem de lucro e fazer a mercadoria girar do que deixar parada e deteriorar. A gente baixa os preços para levantar capital de giro e renovar o estoque”, afirma. Ele cita que itens como sandálias femininas têm redução média de 20% neste início de ano e seguem com boa procura, impulsionadas pelo período de praias e festas que antecedem o Carnaval.
O lojista avalia que o cenário econômico também pesa no ritmo das vendas, já que muitos consumidores entram o ano com compromissos financeiros. “Muita gente começa o ano devendo e renegociando contas. Isso influencia nas vendas e é aí que entram as promoções”, conta. Mesmo com margens menores, ele acredita ser possível equilibrar resultados. “A margem diminui, mas a gente ganha na quantidade. Vende mais, mesmo com lucro menor”, explica.
No segmento de roupas infantis, o comerciante José Conceição, de 57 anos, que atua há um ano no centro comercial de Belém, segue estratégia semelhante. Segundo ele, os descontos gerais na loja variam entre 20% e 25%, dependendo do produto. “A gente sempre tem aquele velho desconto para incentivar o consumidor. Em média, trabalhamos com 20% a 25% para conseguir vender o que ficou do fim do ano”, afirma.
Para ele, as liquidações cumprem dupla função. “É tanto para liberar espaço quanto para aumentar o fluxo de caixa. Às vezes, só o fato de vender uma mercadoria que ficaria dois ou três meses parada já é um grande ganho”, avalia o empresário que atua há um ano no ramo. A expectativa, para ele, é vender agora para se preparar para o próximo ciclo comercial. “A ideia é vender, fazer a promoção e logo em seguida já começar a investir no Carnaval”, completa.
Consumidores cautelosos
Um shopping de Belém lançou, em 29 de dezembro, uma campanha que garante descontos de até 70% e reúne ofertas especiais em lojas de tecnologia, moda, cosméticos e artigos para o lar. De acordo com a gerente de marketing do estabelecimento, Raphaella Rocha, a campanha já faz parte do calendário do empreendimento e é bastante esperada pelos consumidores. “A Etiqueta Amarela é um dos momentos mais aguardados pelos nossos clientes. Preparamos uma campanha que reúne variedade, descontos reais e uma experiência de compra ainda mais atrativa, permitindo que todos encontrem ótimas oportunidades logo no início do ano”, destaca.
Apesar das vitrines chamativas e dos descontos anunciados como queima de estoque, o comportamento predominante entre consumidores ouvidos pela reportagem neste início de ano é de cautela. Depois de um dezembro marcado por gastos elevados, presentes, festas e viagens, janeiro surge como um mês de reorganização financeira, em que comprar só acontece quando é realmente necessário.
A promotora de vendas Daniele Coutinho, de 33 anos, resume esse sentimento ao afirmar que evita compras por impulso. “Só compro se for preciso mesmo”, disse. Para ela, o começo do ano é mais voltado para quitar contas acumuladas do que aproveitar promoções. “Dezembro é o mês que a gente gasta bastante, então janeiro já é mais para pagar as contas do que gastar”. Daniele reforça que, mesmo diante de descontos atrativos, é preciso pensar antes de comprar para não se surpreender depois com a fatura do cartão. “A gente tem que pensar antes, porque depois a fatura vem alta e não tem como pagar”, alertou.
O mesmo cuidado aparece no discurso do militar Márcio Martins, de 53 anos, que prefere “dar uma segurada” nas compras neste período. “Eu só compro o que realmente é necessário”, afirmou. Para ele, a estratégia é clara: pesquisar, comparar preços e avaliar se o desconto vale a pena de fato. “É importante verificar em várias lojas para não começar o ano endividado”, disse, destacando a importância do planejamento financeiro no início do ano.
Já o administrador Marcos Daniel, de 44 anos, admite que até tenta aproveitar o período de promoções, mas mantém o pé atrás em relação aos preços anunciados. “Não tá mais baixo, não. Tá tudo mais caro”, avaliou, ressaltando que a sensação é de que muitos valores sobem no fim do ano para depois serem “reajustados” em janeiro. Ainda assim, ele conta que pesquisa bastante em busca de oportunidades reais, especialmente no vestuário. “Roupa é o que mais vale a pena agora”, comentou.
Mesmo reconhecendo que janeiro costuma oferecer chances de compra, Marcos afirma que o momento exige prudência. “No começo do ano tem imposto, tem tudo pra pagar. Tem que segurar um pouquinho”, disse. O relato reforça a percepção de que, embora as promoções ajudem a manter o fluxo no shopping, grande parte dos consumidores prioriza organizar as finanças antes de voltar a consumir com mais liberdade.
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