Consórcio é opção mais barata para adquirir bens; entenda as vantagens

Modalidade é direcionada para quem não tem pressa em receber o carro ou imóvel, ou tem quantia para fazer lances

Elisa Vaz
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A escalada da Selic, taxa básica de juros da economia brasileira que está fixada em 13,75% ao ano, pode diminuir o potencial de clientes em busca de financiamentos. Isso porque ela influencia todas as outras taxas do mercado, então, quanto mais cara fica, mais altos ficam os juros de financiamentos e empréstimos, por exemplo. Outras modalidades podem se tornar mais atrativas, como é o caso dos consórcios.

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Dados da Associação Brasileira de Administradoras de Consórcio (Abac) mostram que a venda da maioria de segmentos de consórcios cresceu no Pará no primeiro semestre deste ano, na comparação com o mesmo período do ano passado, com destaque para eletros (69,1%), imóveis (21,1%) e veículos pesados (20,1%). Por outro lado, os veículos leves apresentaram queda de 11% na venda de consórcios no Estado, segundo a entidade.

O economista Nélio Bordalo explica que o consórcio é um meio que o consumidor pode utilizar para adquirir um bem ou serviço de forma parcelada e sem juros. Como o imóvel ou veículo sai em sorteios ou por meio de lances, é um modo recomendado para quem não tem muita pressa ou pode esperar mais tempo. Já o financiamento é um crédito parcelado liberado após a análise e aprovação de cadastro, com incidência de juros de acordo com o mercado e o tipo de bem a ser financiado. Na visão do profissional, o consórcio é interessante para quem não precisa do bem imediatamente e pode se planejar para pagar de acordo com sua situação financeira. "Acredito ser mais vantajoso que o financiamento, em função dos juros e das exigências burocráticas", pontua.

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Possivelmente, segundo o economista, o resultado do Pará no primeiro semestre reflete a retomada, mesmo que sensível, da economia. "Os consumidores, tanto pessoa física como jurídica, estavam represando as contratações de consórcios nos dois últimos, em 2020 e 2021, devido à instabilidade econômica. Já a queda no consórcio de veículos leves ocorreu em função de prioridades por outros bens mais adequados à necessidade dos consumidores, em função do aumento no preço dos veículos", ressalta Nélio.

Hoje, no mercado, existem vários tipos de consórcios, sendo que os principais são o automotivo e o residencial. Algumas outras ramificações são o consórcio de máquinas, como caminhões, vans, máquinas agrícolas, de construção civil ou quaisquer outros veículos grandes; de serviços, como casamento, formatura, passagens, pacotes de viagens, procedimentos estéticos, cirurgias e mais; de barcos e aeronaves; de bens móveis ou eletrodomésticos; e até para mobiliar a casa com geladeira, fogão, computador ou televisão.

Entidades tiveram alta

Diretor de negócios do Sicoob Coimppa, cooperativa que atua no segmento de consórcios, Massimo Morais diz que os bancos têm se mantido mais restritos na concessão de crédito para aquisição de bens, com taxas que variam de 22,5% a 25% ao ano, e por isso acaba sendo mais vantajoso e atrativo buscar um consórcio, que não possui taxa de juros, possui somente taxa de administração. No segmento existem até taxas de 11% pelo prazo de 72 meses, ou seja, juros de 0,15% ao mês.

"Fica mais fácil se programar e fazer a aquisição de um bem com custo menor. E no nosso Estado os volumes de vendas, comparados ao ano anterior, aumentaram, principalmente para a aquisição de bens como imóveis e veículos pesados. Se compararmos as diversas finalidades de consórcios, os volumes têm aumentado por uma maior confiança do consorciado na economia. Já a redução dos consórcios de automóveis ocorre devido à falta de componentes eletrônicos que faltaram na indústria, que ocasionou alguns atrasos na produção de veículos, mas já está se normalizando", explica.

A melhora da confiança do consorciado, na opinião de Massimo, é "excelente" por gerar um "motor ligado" na economia para a aquisição de bens. As pessoas que compram uma carta de consórcio podem ser contempladas por sorteio ou por lance, uma forma planejada. "Vejo ainda como uma opção excelente para o caso de o associado optar por manter a cota que foi contemplada sem a aquisição do bem - após seis meses de contemplação, pode ser feita a liquidação dela em crédito na conta corrente", ressalta o diretor de negócios da cooperativa.

Massimo também lembra que as cartas de crédito de consórcios são reajustadas de acordo com o Índice Nacional de Custo da Construção (INCC), Índice Geral de Preços do Mercado (IGPM), Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) e Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC). Os reajustes são uma forma de manter o poder de compra do associado, tornando o consórcio uma "excelente" forma de aquisição de bem ou mesmo uma aplicação, principalmente para quem não consegue ter o hábito de fazer uma reserva ou se planejar.

Já o supervisor de vendas de uma concessionária de Belém que trabalha com consórcios, Ricardo Lira, afirma que as altas foram percebidas, mas até o segmento de veículos leves teve resultado positivo no local onde ele trabalha, que possui a modalidade de consórcio de fábrica. "Temos batido metas, o volume de vendas tem aumentado, a procura tem sido alta. A vantagem em relação ao financiamento é que o consumidor não paga juros, só uma taxa de administração, cobrada junto da parcela mensalmente. Trabalhamos com taxas reduzidas, de 9%, 11%, 14%, são as menores taxas porque é da fábrica, que facilita", comenta.

Além disso, a empresa tem comercializado mais porque, na contemplação, o cliente tem garantia da marca na concessionária. Enquanto, ao fazer a opção pelo financiamento o comprador paga juros bancários que somam quase dois carros, no consórcio Ricardo diz que é o valor mínimo, que ao final do prazo dá uma média de R$ 5 mil a R$ 6 mil. E o consumidor ainda tem a possibilidade de reduzir esse valor porque é restituído do fundo de reserva com 6% do total da carta quando finalizar o plano.

"São grupos em andamento e o cliente pode entrar e ofertar o lance para tirar de imediato ou fazer pelo sorteio. Temos em média de 7 a 10 carros para cada grupo, e são muitos grupos com essa opção de lance para contemplar de imediato, até na primeira parcela. Na concessionária estamos fazendo parceria com o pessoal de venda direta. Quando eles passam a proposta de financiamento e o cliente acha muito alta, passam para o consórcio. Apresentamos o plano e explicamos que ele pode tirar o carro de imediato, basta ter um lance suficiente", garante Ricardo.

Vendas de consórcios no Pará

Imóveis
1º semestre de 2021: 3.865
1º semestre de 2022: 4.683
Variação: 21,2%

Veículos pesados
1º semestre de 2021: 3.237
1º semestre de 2022: 3.888
Variação: 20,1%

Veículos leves
1º semestre de 2021: 22.965
1º semestre de 2022: 20.442
Variação: -11%

Motocicletas
1º semestre de 2021: 50.736
1º semestre de 2022: 53.452
Variação: 5,4%

Eletros
1º semestre de 2021: 1.091
1º semestre de 2022: 1.845
Variação: 69,1%

Serviços
1º semestre de 2021: 598
1º semestre de 2022: 657
Variação: 9,9%

Fonte: Abac

Economia
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