Com mais hotéis em Belém, setor diz que reservas para o Círio seguem abaixo do esperado

Rede hoteleira registra ocupação entre 40% e 60%, abaixo do esperado para o período; expectativa é de que a procura aumente nas semanas que antecedem a procissão, apesar do alto custo das passagens aéreas

Gabi Gutierrez

Faltando menos de três meses para o Círio de Nazaré, o ritmo de reservas na rede hoteleira de Belém ainda está abaixo do esperado para o período. Representantes do setor afirmam que, apesar da procura por informações e orçamentos, muitos turistas ainda não confirmaram as hospedagens, principalmente devido ao alto custo das passagens aéreas. A expectativa, no entanto, é de que a demanda aumente nas semanas que antecedem a procissão, como costuma ocorrer tradicionalmente.

De acordo com a vice-presidente do Sindicato de Hotéis e Restaurantes de Belém e Ananindeua, Ana Carolina Bonna, a ocupação média da rede hoteleira está em torno de 40% neste momento.

“As reservas para o Círio de Nazaré ainda estão em um ritmo abaixo do esperado para este período. No entanto, o setor mantém uma expectativa positiva para o segundo semestre, quando tradicionalmente há uma intensificação na procura por hospedagem. O Círio é um dos maiores eventos religiosos do país e, historicamente, muitos visitantes confirmam suas viagens mais próximos da data da procissão”, afirma.

Segundo ela, a expectativa é que a ocupação alcance cerca de 80% durante a semana do Círio, impulsionada pelas confirmações de romeiros e turistas.

“Esse aumento costuma ocorrer à medida que romeiros e turistas definem suas viagens e confirmam as reservas.”

A percepção também é compartilhada pela gerente de vendas dos hotéis da Accor em Belém, Cynthia Margarone, responsável por cinco empreendimentos da rede na capital. Ela explica que, diferentemente do observado em 2024, as reservas para 2026 estão mais lentas.

Em julho de 2024, os hotéis administrados por ela já registravam cerca de 75% de ocupação para o período do Círio. Neste ano, esse índice varia entre 55% e 60%.

Segundo Cynthia, o cenário não é isolado e tem sido relatado por outros empresários do setor durante reuniões do trade hoteleiro.

“Existe procura, mas ela não está se transformando em reservas efetivas. Quando fazemos o acompanhamento dos orçamentos enviados, muitos clientes informam que o valor das passagens aéreas para Belém está muito alto e, por isso, acabam desistindo da viagem”, explica.

Ela afirma que hotéis, agências e operadoras de turismo têm buscado alternativas para estimular as vendas, como flexibilização de tarifas e mudanças nos pacotes de hospedagem. Enquanto alguns empreendimentos mantêm pacotes mínimos de três noites, outros passaram a oferecer duas diárias ou até tarifas específicas para o período do Círio.

“Já fizemos uma reformulação tarifária para equilibrar os preços praticados no mercado. A expectativa é que essa redução ajude a melhorar o desempenho das reservas até outubro”, diz.

Mais hotéis, mesma demanda

Além do ritmo mais lento das reservas, o setor também observa um novo cenário na capital paraense: o aumento da oferta de leitos após a abertura de novos empreendimentos, impulsionados pelos investimentos realizados para a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30).

Em entrevista concedida ao Grupo Liberal em abril deste ano, o presidente da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis do Pará (ABIH-Pará), Tony Santiago, informou que Belém ganhou cerca de 1 mil novos apartamentos, o equivalente a 2,5 mil novos leitos na rede hoteleira. Na ocasião, ele afirmou que a ocupação média registrada em março era de 50%, índice considerado suficiente para garantir a viabilidade econômica do setor, e projetava uma ocupação de aproximadamente 60% no segundo semestre.

Para a vice-presidente do Sindicato de Hotéis de Belém, Ana Carolina Bonna, porém, o crescimento da capacidade instalada ainda não foi acompanhado por um aumento proporcional no fluxo de turistas: “A demanda permanece semelhante à dos últimos anos, mas distribuída entre um número maior de hotéis, o que reduz a ocupação média dos empreendimentos.”

Segundo ela, o aumento da concorrência também tem pressionado as diárias para baixo, levando muitos estabelecimentos a reverem seus preços para permanecerem competitivos.

“O grande desafio agora é transformar a visibilidade gerada pela COP30 em um fluxo turístico permanente, capaz de sustentar o crescimento do setor no longo prazo”, conclui.

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