Diferentemente dos pets convencionais, os animais exóticos exigem investimentos maiores dos tutores. É o que afirma a médica-veterinária Juliana Miranda, de Belém, ao destacar as diferenças nos gastos com alimentação, manejo e atendimento veterinário. Segundo a especialista em animais silvestres, o investimento inicial pode variar de cerca de R$ 500 a mais de R$ 1,5 mil, conforme a espécie e a estrutura necessária, além dos gastos recorrentes com alimentação e acompanhamento veterinário.
A médica veterinária observa, ainda, que houve um aumento na procura por animais silvestres e exóticos em Belém nos últimos anos e, por isso, a necessidade de planejamento do orçamento. Entre os mais procurados estão aves como calopsitas e periquitos-australianos, além de mamíferos, como coelhos, hamsters, ratos e porquinhos-da-índia. Segundo ela, a demanda por répteis também vem crescendo, embora em menor proporção. A especialista ressalta ainda que animais silvestres, como papagaios e araras, devem ser adquiridos apenas por meios legalizados.
"Cães e gatos são considerados pets convencionais, e a população já tem uma noção maior de como cuidar desses animais, embora eles também precisem de acompanhamento veterinário. Já os pets não convencionais são diferentes. Ainda há pouco conhecimento sobre o manejo adequado dessas espécies, e muitas pessoas acabam cometendo erros nos cuidados, o que pode resultar em problemas de saúde para os animais", explica.
Custos
Sobre os custos, Juliana destaca que o primeiro passo para quem deseja ter um animal exótico é conhecer as necessidades da espécie escolhida. Ela explica que, antes de adquirir uma calopsita, por exemplo, o tutor deve conhecer as exigências da espécie, que incluem um recinto amplo, comedouros, bebedouros, brinquedos e poleiros, além de um espaço adequado para garantir o bem-estar da ave.
“Os valores variam, mas o primeiro mês costuma ser o mais importante, porque é quando o tutor precisa adquirir toda essa estrutura. Depois, os gastos passam a ser de manutenção. Essa manutenção precisa ser de qualidade, principalmente quando falamos de ambiente e alimentação. Não é qualquer tipo de alimentação, e isso vale para todas as espécies”, comenta a médica veterinária.
Juliana pontua que os custos começam na aquisição. É o caso de aves com valores iniciais de R$ 200, enquanto outras podem alcançar R$10 mil. No entanto, os gastos vão além. “Uma alimentação de qualidade também tem um custo mais alto do que as misturas de sementes. Uma caixa de ração adequada para cerca de um mês pode custar entre R$ 60 e R$ 150, enquanto os mixes de sementes, mais comuns, ficam em torno de R$ 10 a R$ 15. Os poleiros também variam de preço e podem custar entre R$ 20 e R$ 50, dependendo do modelo. E ainda há a consulta, que é um atendimento especializado”, detalha.
“No caso das aves em geral, os viveiros variam conforme o tamanho e a estrutura. Há modelos a partir de R$ 200, mas também existem opções mais completas que podem custar entre R$ 1 mil e R$ 1,5 mil. Tudo depende do porte do animal. Não basta colocar a ave em um recinto. É preciso oferecer um ambiente adequado e enriquecido. As calopsitas, por exemplo, são animais extremamente inteligentes e precisam de um ambiente rico para garantir seu bem-estar”, acrescenta.
Répteis
Segundo Juliana Miranda, os répteis estão entre os animais exóticos que exigem os maiores investimentos. De acordo com a veterinária, a espécie torna os custos de manutenção mais elevados em comparação aos de aves e mamíferos. “Os répteis exigem temperatura e umidade controladas, além de fontes de calor, o que acaba aumentando os custos de manutenção em comparação com aves e mamíferos”, observa.
“Quando se considera a compra do animal, a montagem de todo o recinto e a primeira consulta veterinária, o investimento inicial pode ficar entre R$ 600 e R$ 700. Isso não significa que esse será o gasto mensal. Depois, os custos se restringem à manutenção e costumam cair para menos da metade desse valor, geralmente abaixo de R$ 200. As lâmpadas mais simples [para os viveiros] custam entre R$ 80 e R$ 100, enquanto um termostato pode sair por cerca de R$ 200. Esses equipamentos não costumam ser vendidos em Belém, por isso geralmente precisam ser comprados pela internet, em outros estados”, explica.
Hamster
Animais exóticos menores também necessitam de cuidados adequados e exigem um gasto recorrente para manter o bem-estar dos pets, como o caso dos hamster. Juliana frisa que existe a ideia equivocada de que eles podem ser criados em pequenas gaiolas. A veterinária explica que esses animais precisam de recintos amplos e enriquecidos, com plataformas, roda de exercícios, bebedouros, comedouros e tocas, para evitar problemas de saúde e comportamentos relacionados ao estresse, como arrancar os próprios pelos.
Ela afirma que um recinto completo e de qualidade pode custar cerca de R$ 500 e que esse tipo de estrutura nem sempre é encontrado em Belém, sendo muitas vezes necessário adquiri-la pela internet. No entanto, existem modelos mais simples, entre R$ 50 e R$ 100. A especialista ressalta que optar apenas pelo menor preço pode comprometer o bem-estar do animal e gerar custos maiores no futuro. Já os porquinhos-da-índia também precisam de um recinto próprio. Como esses ambientes são mais controlados, é possível garantir melhores condições para o animal.
Embora o mercado de pets não convencionais esteja crescendo em Belém, ainda há dificuldade na aquisição de produtos específicos para as espécies, diz Juliana. “E precisamos recorrer a outros Estados. Com relação a medicação, quando há necessidade, podemos contar com as farmácia de manipulação veterinária, locais que nos ajudam muito”, comenta a veterinária.
“Na verdade, muitos acham mais ‘fácil’ cuidar de pets não convencionais, porém, a grande barreira é a desinformação de como manter esses pets. No final, se você mantém cães e gatos ou pets não convencionais de forma correta e de qualidade, a parte financeira é parecida. A alimentação é o ponto fundamental”, completa ela.