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Brasil e Argentina poderiam ser alternativa à escassez de trigo, mas têm fatores limitantes

Clima, custos e necessidades internas de consumo eliminam esta possibilidade

O Liberal

A oferta trigo foi gravemente afetada pela guerra na Ucrânia, iniciada no dia 24 de fevereiro. A Rússia, que desde 2018 era o maior exportador do grão, teve sua produção reduzida em 30% (sétimo produtor), após as sanções impostas contra o País. Já a Índia, (terceiro produtor), decidiu proibir suas exportações. Esses fatores fizeram pensar que o trigo do Cone Sul poderia contribuir para fechar a brecha entre demanda e oferta mundiais. Porém, os países da região enfrentam alguns fatores limitantes. As informações são da Agence France-Presse.

Considerados "celeiros do mundo" Argentina e Brasil poderiam aparecer como alternativas à escassez mundial de trigo, ao lado do Paraguai e do Uruguai, nações agrícolas com menores volumes, mas alta produção. Porém, essa possibilidade é eliminada por questões como clima, custos e necessidades internas de consumo.  

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Os cultivos de trigo no Brasil, por exemplo, devem aumentar de 3% a 11%, de acordo com informações repassadas pela Embrapa Trigo, divisão da Empresa Brasileira de Investigação Agropecuária, à AFP. A estimativa de aumento na área plantada, que pode passar de 2,7 milhões de hectares em 2021 para pouco mais de três milhões neste ano, é reforçada pelos preços recordes do grão, a demanda crescente e uma expectativa de clima favorável.

No entanto, o Brasil não consegue ser autossuficiente nesse cereal. No País, são consumidas 12,7 milhões de toneladas por ano, e esse quantitativo está aumentando. Além disso, os custos de logística e transporte tornam mais conveniente para muitos agricultores brasileiros, principalmente do sul, exportar do que vender no país.

Neste cenário, o Brasil figura em oitavo lugar entre os maiores importadores de trigo do mundo, com 6,7 milhões de toneladas compradas de outros produtores, principalmente Argentina, que representa 87% das importações brasileiras de cereais.

Da mesma forma, a Argentina não oferece uma solução para populações dependentes de trigo importado. Além disso, a escalada dos preços internacionais e o clima também não ajudam o país vizinho. 

Segundo Tomás Rodríguez Zurro, analista da Rosario Grain Exchange, espera-se uma redução das plantações de trigo em torno de 8%. “Cerca de 6,3 milhões de hectares seriam semeados contra 6,8 milhões na safra passada. Isso se deve a uma falta de umidade muito importante. É uma limitação técnica climática que agrava a situação", declarou.

“Geralmente, o trigo é plantado para depois plantar soja, mas as reservas hídricas da terra são muito baixas, então os produtores decidem não arriscar plantar trigo na expectativa de que isso possa reduzir ainda mais sua reserva de umidade às vésperas do plantio (da oleaginosa) no verão", explicou.

Tomás diz ainda que os produtores comentam que vão reduzir seu pacote tecnológico, ou seja, vão usar menos fertilizantes”, muito mais caros por causa da guerra, e “isso limitaria a produção”.

Uma gota no oceano

Com suas boas safras de trigo, Paraguai e Uruguai, não esperam mudanças devido ao baixo impacto de seus cultivos na produção mundial.

Uma fonte do Ministério da Pecuária, Agricultura e Pesca do Uruguai (MGAP), que preferiu não se identificar, explicou que a preocupação inicial era que não haveria muito trigo, porque os insumos estão mais caros e não é possível saber se quando chegar a hora de colher e vender, os preços vão ser os mesmos praticados atualmente. “O trigo é uma cultura cara, muito cara", observou.

No momento, os produtores esperam um volume "semelhante ao do ano passado ou um pouco maior", com produção "suficiente para o consumo interno" e exportações estáveis, disse ele. O Uruguai exportou quase um milhão de toneladas de trigo no ano passado.

Da mesma forma, no Paraguai, o setor espera manter o "abastecimento normal", de acordo com o presidente da Associação dos Sindicatos Produtivos do país, Héctor Cristaldo.

"A Argentina está enfraquecida, poderia produzir muito mais, mas com todas as restrições (internas) provavelmente não crescerá. O Brasil é um importador líquido. Produz, mas não é autossuficiente", resumiu.

O Paraguai é "o único país subtropical autossuficiente e exportador de trigo. (Mas) nossos volumes não são importantes no jogo mundial. Consumimos 700.000 (toneladas) e exportamos outras 700.000", disse.

A expectativa entre os paraguaios é de uma colheita de trigo de 1 a 1,3 milhão de toneladas, metade para consumo interno, metade para exportação, 95% para o Brasil e o restante para o Chile.

Em 16 de maio, após a proibição de exportação da Índia, o trigo atingiu um recorde de € 438,25 (cerca de US$ 460) por tonelada no fechamento da Euronext.

Economia
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