Nos últimos meses, Belém tem registrado uma desaceleração no preço do azeite, após uma sequência de altas nos últimos anos. De acordo com o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), o produto caiu 3,3% nos últimos 12 meses, 7,79% no acumulado do ano e 3,01% apenas no mês de julho, quando comparado a junho. No entanto, essa queda no preço não é uniformemente percebida pelos consumidores, que continuam a enfrentar diferentes realidades ao buscar o produto nos supermercados da capital paraense. Dados do Dieese/Pa enviados ao Grupo Liberal apontam aumento do preço em alguns tipos do produto em Belém.

O impacto da variação cambial
A principal explicação para a redução nos preços do azeite em Belém é atribuída à variação cambial, como explica Jorge Portugal, presidente da Aspas (Associação Paraense de Supermercados).
Segundo ele, a queda do dólar frente ao real tem refletido diretamente no custo do azeite importado.
“O dólar mais baixo resulta em preços mais acessíveis para os consumidores”, afirma Portugal.
A percepção dos consumidores
Apesar da queda nos preços, a percepção dos consumidores sobre o preço do azeite ainda é divergente. Para Wilma Almeida, advogada, a redução tem sido sentida de forma positiva.
“Eu uso azeite de oliva extra virgem direto para cozinhar e percebi bastante a queda. Até alguns meses atrás, o preço estava muito alto, chegando a R$ 55. Agora, já encontro azeite por R$ 40, o que representa uma queda substancial”, afirma Wilma.

Entretanto, nem todos os consumidores têm a mesma sensação. Graça Reis, aposentada, é uma das que ainda consideram o preço do azeite elevado.
“Entro em supermercados diferentes e não vejo diferença nenhuma. Para mim, o azeite continua caro. Eu estou levando um azeite que custa R$ 61,79, o que é um absurdo. Não percebo nenhuma queda no preço”, relata Graça.

Dieese aponta aumento de até 20% nos últimos 12 meses
Dados fornecidos pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos do Pará (Dieese/PA) ao Grupo Liberal nesta quarta (20/08) mostram que, embora o preço do azeite tenha caído em alguns casos, a variação ainda é significativa.
O azeite de oliva Gallo (500 mL), por exemplo, que no mês de julho de 2024 custava R$ 45,76, teve um aumento de 7,67% no período de 12 meses, atingindo R$ 49,27 em julho deste ano.

No entanto, o produto teve uma queda em alguns meses de 2025, com preços chegando a R$ 53,26 em junho, uma redução de 7,49% em relação ao mês anterior.
Já o azeite de oliva La Violetera (500 mL) apresentou uma alta mais expressiva, com um aumento de 20,18% entre julho de 2024 e julho de 2025, passando de R$ 54,52 para R$ 65,52.

Em dezembro de 2024, o produto havia registrado um aumento de 2,73%, com preços de R$ 63,78, e permaneceu estável em junho de 2025, com um leve crescimento de 2,70%, chegando a R$ 63,80.
Em um supermercado do bairro do Marco, visitado pela equipe do Grupo Liberal nesta segunda (18/08), o preço do azeite variava de R$ 31,69 a R$ 61,79.
