Alta no preço do material escolar supera os 30% em Belém, diz Dieese
Vendas ainda seguem lentas e consumidores adotam estratégias online para driblas preços elevados
Em um ano, a maioria dos itens da lista de material escolar padrão registrou aumentos que podem ultrapassar os 30% em alguns casos, segundo o último estudo de preços do Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (Dieese-PA). Lojistas e consumidores de Belém ouvidos pela reportagem de O Liberal concordam que os preços estão mais altos, em comparação aos praticados no ano anterior, para os mesmos itens. E, apesar de comum, o movimento de vendas nesse segmento permanece tímido após a virada de ano, como explica Edson Júnior, gerente comercial de uma papelaria na capital paraense.
Segundo ele, desde os últimos meses de 2025, a procura pelos produtos começou a crescer gradativamente, em uma média de 15% a 20%. Ele acredita que esse movimento deve aumentar nas próximas semanas, mas defende que a lentidão nas vendas é resultado das celebrações do fim de ano, devido aos gastos das famílias durante o recesso.
“Esse ano as pessoas estão demandando mais cotações, estão mais cautelosas na compra, mas continuam vindo, cotando e fechando. A procura está em torno de 20% maior, muito por conta desse cuidado dos pais”, avalia o gerente.
Além da pesquisa de preço, uma das estratégias adotadas entre os consumidores foi a compra antecipada dos itens escolares. O gerente explica que as famílias começaram essa busca por produtos mais acessíveis desde novembro, quando o fluxo começou a se intensificar nas lojas especializadas em materiais. Agora, ele aguarda o crescimento do volume de vendas.
“Essa semana agora, a partir de sexta e sábado, deve ter um aumento, sim, não um aumento considerável, em torno de 15% a 20%, porque muita gente chegou de viagem, as listas escolares estão saindo agora um pouquinho atrasadas, principalmente do particular, e o Estado e o município vão acrescentar ainda nessa procura, então a tendência aumenta, sim.”
Aldo Amoras, outro gerente comercial de papelaria em Belém, afirma que a largada para as compras de materiais escolares se deu nesta segunda-feira (5), por isso, não é incomum que a demanda pelos produtos ainda esteja crescendo. Sabendo dos reajustes que ocorrem anualmente, ele explica que o melhor caminho para cativar os consumidores são as promoções.
“Sempre tem aquela correção anual, mas a gente procura colocar bastantes promoções. Nós estamos com 10% nas mochilas, estojos, além da promoção de estarmos com promoção nos cadernos, entre outros”, explica.
Maiores reajustes
Entre os materiais com os maiores reajustes de preço, o estudo do Dieese-PA aponta: mochila, caderno, lápis de cor e apontador. No caso dos cadernos, há uma forte variação de preços que deriva da diversidade de modelos, número de matérias, quantidade de folhas, fabricante, personagens licenciados e local de compra. Segundo a entidade, os cadernos mais simples, como os de capa flexível tipo brochura, podem custar pouco mais de R$ 13, enquanto modelos aramados ou de capa dura ultrapassam facilmente R$ 60, chegando a valores próximos de R$ 70.
As mochilas escolares registraram ampla variação de valores, que vão de cerca de R$ 45 até mais de R$ 500, dependendo do material, do modelo, com ou sem rodinhas, e do design. Já as lancheiras, igualmente impactadas pelos reajustes, são encontradas no mercado com preços que variam de aproximadamente R$ 45 a mais de R$ 130, conforme a marca, o tipo e o estabelecimento onde são adquiridas, ampliando a pressão sobre o orçamento das famílias paraenses no período de compra do material escolar.
De outro lado, o gerente comercial avalia maiores reajustes, especialmente sobre produtos vindos de fora, devido à dependência do deslocamento, o que inclui um valor de frete que teria aumentado.
“Produtos que são fabricados fora, por exemplo, Argentina, China e México. Esses produtos, especificamente os com tinta ou com tungstênio, que é o material da caneta, tiveram aumento. Porque o valor do frete aumentou, teve uma taxa diferenciada e, infelizmente, a gente tem que repassar, o mínimo que seja, mas tem um reajuste. Em média, de 7% a 9%”, pontua Júnior.
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Estratégia
O caminho escolhido pelos pais e responsáveis de estudantes para driblar os reajustes inclui pesquisa de preço antes de sair às compras, troca com outros pais online e compras em lojas virtuais, o que faz da internet uma grande aliada nesse momento. A técnica de enfermagem Letícia Santos, de 40 anos, por exemplo, aposta nos grupos de redes sociais, onde se mantém informada sobre as dicas passadas por outros pais. Para ela, essa troca auxilia a contornar os preços, que também estão pesando mais no seu bolso este ano.
“Nos grupos de WhatsApp tem alguns pais que vêm primeiro, pesquisam e colocam no grupo os locais onde os preços estão mais em conta, e nós acabamos seguindo o conselho deles e indo às mesmas lojas”, afirma.
A busca online também ajuda na economia do bancário Antonio Neto, que descobriu preços mais acessíveis na pesquisa em sites de lojas e plataformas de e-commerce, na comparação com a compra direta nas editoras de livros escolares. Com essa prática, ele argumenta que poupa mais em um produto que é obrigatório todos os anos e um dos mais caros da lista. Isso acontece principalmente com esses itens, já que não notou um reajuste tão impactante no preço de produtos mais comuns do cotidiano escolar.
“Para materiais pedagógicos, como cola e papel, não percebi uma grande variação de preços entre as papelarias. Mas, quanto aos materiais didáticos, como livros, observei diferenças significativas nos preços ao pesquisar online. Por exemplo, os sites das editoras costumam apresentar preços mais elevados em comparação com outras plataformas, por isso optei por adquirir a maior parte dos materiais didáticos em plataformas como a Amazon. Somente os livros que não encontrei nessas plataformas foram comprados diretamente na editora ou em livrarias”, argumenta o bancário.
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