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Açaí atinge preço recorde em Belém e supera R$ 80 por litro

Alta do açaí em Belém supera 50% no ano e vendedores relatam queda nas vendas

Thaline Silva*
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O preço do açaí segue em alta em Belém e já acumula reajuste superior a 50% neste início de 2026. Dados divulgados nesta sexta-feira (15) pelo Dieese/PA mostram que o produto apresentou aumento pelo quarto mês consecutivo em feiras livres, supermercados e pontos de comercialização da capital.

Segundo as análises do instituto, os aumentos variam de acordo com o tipo do produto — médio ou grosso — e também conforme o local de comercialização. Em alguns pontos de venda da capital, o litro do açaí chegou a ultrapassar R$ 80, um dos maiores valores já registrados pelo departamento.

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Reajustes superam inflação

No caso do açaí do tipo médio, o preço médio do litro passou de R$ 28,82 em janeiro para R$ 43,72 em abril deste ano, acumulando alta de 51,70% no período. Apenas na comparação entre março e abril, o reajuste foi de 5,86%. Já em relação aos últimos 12 meses, a elevação acumulada chegou a 23,15%.

Os dados também mostram mudança no comportamento do mercado ao longo do último ano. Em abril de 2025, o litro do açaí médio era vendido, em média, a R$ 35,50. No encerramento de 2025, houve recuo para R$ 28,77, seguido de estabilidade no início de 2026. A partir de março, porém, os preços voltaram a acelerar.

O cenário é ainda mais expressivo no caso do açaí grosso. O litro do produto passou de R$ 41,95 em janeiro para R$ 65,05 em abril, acumulando aumento de 55,07% no primeiro quadrimestre do ano. Somente entre março e abril, a alta foi de 13,07%. Na comparação dos últimos 12 meses, o reajuste chegou a 24,86%.

Em abril de 2025, o litro do açaí grosso era comercializado, em média, a R$ 52,10. No final do ano passado, o valor havia recuado para R$ 41,65, mas voltou a subir nos meses seguintes, acompanhando o período de entressafra do fruto.

Segundo o DieesePA, os reajustes registrados no preço do açaí superam com ampla margem os índices inflacionários calculados pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). Enquanto o IPCA acumulou alta de 0,67% no mês, 2,60% no ano e 4,39% em 12 meses, o açaí apresentou variações muito superiores no mesmo período.

Entressafra e exportações pressionam preços

As pesquisas também apontam forte diferença de preços entre bairros e pontos de venda da capital. Na última semana de abril, o litro do açaí médio foi encontrado entre R$ 24 e R$ 42 nas feiras livres. Nos supermercados, os valores oscilaram entre R$ 38 e R$ 48.

Já o açaí grosso apresentou preços ainda mais elevados. Nas feiras livres, o litro variou entre R$ 45 e R$ 76. Nos supermercados, os preços ficaram entre R$ 58 e R$ 68 por litro. Em alguns estabelecimentos da capital, o produto chegou a ultrapassar os R$ 80.

As análises apontam que a alta é influenciada por diferentes fatores, entre eles a menor oferta do fruto durante a entressafra, o crescimento das exportações e o aumento da demanda internacional pelo açaí paraense. O levantamento também destaca que a atuação de atravessadores na cadeia de comercialização contribui para pressionar ainda mais os preços ao consumidor final.

Apesar do cenário de alta, a expectativa é de redução gradual dos preços nos próximos meses, com o avanço da nova safra do açaí no Estado. Historicamente, o aumento da oferta do fruto contribui para aliviar a pressão sobre os preços. No entanto, as quedas costumam ocorrer de forma lenta e em intensidade inferior aos reajustes registrados durante o período de entressafra.

Os impactos nas vendas

O aumento no preço do açaí também já afeta o movimento de consumidores em pontos tradicionais de venda da capital, como o mercado Ver-o-Peso. Batedores e vendedores relatam redução no número de clientes, principalmente entre aqueles que compram o produto para consumo em casa.

O batedor de açaí Maycon Gabriel afirma que a alta obrigou os comerciantes a reajustarem os preços repassados ao consumidor. Segundo ele, o litro do açaí grosso chega atualmente aos vendedores por cerca de R$ 40. “A gente percebe, sim, uma redução no movimento. Como o açaí ficou mais caro para nós, também precisamos aumentar o valor para os clientes. Muita gente vê o preço e acaba indo embora”, relata. Maycon também atribui a alta ao período de chuvas e à redução da oferta do fruto durante o inverno amazônico. Além do açaí, ele afirma que produtos tradicionalmente consumidos como acompanhamento, entre eles farinha e tapioca, também tiveram reajustes nos últimos meses.

O vendedor Waldomiro Aires conta que tem tentado manter o litro do açaí a R$ 30 para evitar perdas maiores nas vendas. Segundo ele, os clientes reduziram principalmente as compras para levar para casa. “Algumas pessoas acabam se afastando ou diminuindo o consumo. Quem compra para levar reduziu bastante”, afirma. Apesar da queda no movimento, Waldomiro avalia que o turismo ajuda a amenizar os impactos nas vendas presenciais. “Muitos turistas querem experimentar o açaí e acabam mantendo o consumo aqui no local”, diz.

O vendedor Davino Silva também relata redução no fluxo de consumidores e afirma que o aumento dos custos tem dificultado a manutenção do negócio. “Hoje o maior desafio é tentar equilibrar os custos sem afastar ainda mais os consumidores”, afirma. Segundo os comerciantes, fatores como queimadas, entressafra e menor oferta do fruto contribuíram diretamente para a alta registrada neste início de ano.

Comparativo de preços

Açaí tipo médio

• Abril de 2026: R$ 43,72 por litro
• Março de 2026: R$ 41,30 por litro
• Janeiro de 2026: R$ 28,82 por litro
• Dezembro de 2025: R$ 28,77 por litro
• Abril de 2025: R$ 35,50 por litro

Açaí tipo grosso

• Abril de 2026: R$ 65,05 por litro
• Março de 2026: R$ 57,53 por litro
• Janeiro de 2026: R$ 41,95 por litro
• Dezembro de 2025: R$ 41,65 por litro
• Abril de 2025: R$ 52,10 por litro 

*Thaline Silva, estagiária de jornalismo, sob supervisão de Keila Ferreira, coordenadora do núcleo de Política e Economia

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