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Alimentação básica de família em Belém já custa R$ 2.183,10 por mês, aponta Dieese

Pesquisa diz que a cesta básica acumulou alta de 9,17% nos primeiros meses de 2026, com destaque para o aumento do feijão (55%) e tomate (43%)

Gabi Gutierrez
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O preço da cesta básica em Belém acumulou alta de 9,17% nos primeiros meses de 2026, segundo levantamento divulgado nesta segunda-feira pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese). Entre os produtos que mais pressionaram o orçamento das famílias estão o tomate e o feijão, itens tradicionais da alimentação dos paraenses e que têm pesado cada vez mais no bolso dos consumidores.

A pesquisa mostra que os aumentos atingem diretamente produtos considerados essenciais no dia a dia, impactando principalmente famílias de baixa e média renda. O encarecimento dos alimentos tem levado consumidores a mudar hábitos de compra, reduzir quantidades e até diminuir a frequência de consumo de alguns itens.

O professor Carlindo Raiol afirma que percebeu alta significativa principalmente no tomate, alimento consumido com frequência em sua casa.

“É um item que a gente consome muito em casa e eu observei que está com o preço bem elevado, realmente”, relatou.

Na tentativa de economizar, ele conta que passou a priorizar compras em feiras livres, onde alguns produtos costumam ser vendidos por valores menores do que nos supermercados. Ainda assim, segundo ele, a diferença já não é suficiente para aliviar o orçamento.

“Não tem feito a diferença porque observa-se que cada dia os preços estão cada vez mais elevados. Belém realmente é uma das cidades mais caras que tem no Brasil, como diz a pesquisa”, afirmou.

Diante do aumento contínuo, o consumidor diz que a principal alternativa encontrada pela família tem sido reduzir o consumo.

“Essa é a estratégia que a gente tem”, resumiu.

O autônomo, Henrique Miranda também relata mudanças na alimentação por causa da alta dos preços. Segundo ele, o feijão, um dos principais itens da mesa do brasileiro, passou a ser consumido com menos frequência dentro de casa.

“O feijão está muito mais caro mesmo. Eu deixei de comer em casa com tanta frequência para reduzir o custo. Eu gostava de comer todo dia, mas precisei me readequar ao valor”, contou.

Além do feijão, Henrique afirma que outros produtos básicos para o preparo das refeições também ficaram mais caros, como o óleo de cozinha.

“O básico para cozinhar hoje está mais caro. Como a gente não pode ficar sem comer, a gente ajusta o consumo”, disse.

O estudo

De acordo com o Dieese, a alta da cesta básica em Belém acompanha o cenário de pressão sobre os alimentos observado em outras capitais brasileiras, embora alguns itens tenham apresentado aumento mais intenso na capital paraense.

A pesquisa mostra que o valor da cesta básica na capital paraense chegou a R$ 727,70 em abril, após registrar alta de 3,86% em relação a março, quando custava R$ 700,68.

Entre os produtos que mais subiram este ano, o destaque ficou para o feijão carioca, com aumento acumulado de 54,91%, seguido pelo tomate, que ficou 43,25% mais caro no quadrimestre. Também registraram alta a banana prata (9,23%), carne bovina de primeira (5,45%) e pão francês (1,68%).

Apesar de alguns itens terem apresentado queda no período, como farinha de mandioca (-20,96%), óleo de soja (-11,87%) e arroz (-1,09%), o Dieese aponta que as reduções não foram suficientes para compensar as altas dos produtos considerados essenciais na alimentação diária.

A pesquisa também mostra o peso da alimentação no orçamento das famílias. Segundo o levantamento, para comprar os 12 produtos da cesta básica, o trabalhador paraense precisou comprometer cerca de 48,53% do salário mínimo líquido e trabalhar aproximadamente 98 horas e 46 minutos no mês apenas para garantir a alimentação básica.

Considerando uma família padrão de quatro pessoas, composta por dois adultos e duas crianças, o gasto mensal estimado com alimentação básica em Belém chegou a R$ 2.183,10 em abril, equivalente a cerca de 1,35 salário mínimo.

Entre as capitais da região Norte, Belém aparece com uma das cestas básicas mais caras, atrás apenas de Palmas. No ranking nacional, São Paulo lidera com o maior custo do país, de R$ 906,14.

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