Redução de voos pressiona setor de turismo em Belém e muda comportamento de viajantes
Menor oferta de assentos, alta nos custos operacionais e cenário internacional afetam preços e planejamento de viagens no Pará
A suspensão de mais de 2 mil voos programados para maio no Brasil já provoca reflexos no mercado de turismo em Belém. Com redução de 9% na oferta de voos no Pará, agências de viagens relatam mudanças no comportamento dos consumidores, aumento da cautela na compra de pacotes e pressão sobre os preços das passagens, especialmente para destinos nacionais e internacionais mais procurados.
Enquanto passageiros antecipam compras para tentar garantir tarifas mais baixas, empresas do setor enfrentam incertezas causadas pela redução da malha aérea e pelo aumento dos custos operacionais, agravados pelo cenário internacional.
Segundo levantamento da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), divulgado pela CNN Brasil, o número de voos previstos para maio caiu de 2.193 para 2.128 operações diárias entre os dias 2 e 17 de abril. A redução representa 2.015 voos a menos no mês e cerca de 10 mil assentos diários retirados da aviação doméstica brasileira.
Entre os estados mais afetados está o Pará, que registrou queda de 9% na oferta de voos. O Amazonas lidera as perdas, com redução de 17,5%, seguido de Pernambuco, com 10,5%.
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Planejamento antecipado ganha força
Para o agente de voos comerciais e CEO de uma agência de turismo em Belém, Gregori Ferreira, o impacto da redução de voos ainda não resultou em uma explosão generalizada dos preços, mas já altera a dinâmica de compra dos consumidores.
“Em rotas regionais, como Belém–Macapá, ainda é possível encontrar tarifas a partir de aproximadamente R$ 370 somente ida, especialmente para quem compra com antecedência”, afirmou.
Segundo ele, o comportamento do mercado mudou em relação ao período pós-pandemia, quando a baixa oferta elevava significativamente os preços das passagens.
“Hoje o cenário está mais equilibrado. Passageiros que se programam conseguem acessar tarifas mais atrativas e até ampliar o número de pessoas da mesma reserva familiar”, explicou.
Apesar disso, Ferreira observa que os impactos aparecem em períodos de maior demanda, principalmente em rotas para São Paulo e Brasília.
“Em datas próximas a feriados, as tarifas promocionais acabam rapidamente e restam apenas assentos em classes tarifárias mais elevadas, o que gera percepção de aumento de preços por parte do consumidor”, disse.
Consumidor mais cauteloso
As mudanças na malha aérea também alteraram o perfil dos clientes das agências de turismo. De acordo com Gregori Ferreira, consumidores estão menos impulsivos e mais atentos ao planejamento financeiro.
“Parte significativa dos clientes passou a adotar uma postura mais cautelosa. Muitos acabam adiando a decisão de compra enquanto reorganizam o limite do cartão de crédito ou aguardam condições mais favoráveis”, afirmou.
Por outro lado, ele avalia que a situação ajudou a consolidar um novo comportamento entre os viajantes.
“O passageiro que antes comprava de última hora está entendendo o valor do planejamento antecipado. Isso garante tarifas menores, mais opções de voos e melhores condições de pagamento”, destacou.
Guerra no Oriente Médio agrava cenário
O agente de viagens Alex Silva, diretor de uma agência de turismo em Belém, afirma que além da redução na oferta de voos, o setor enfrenta outro fator de pressão: o impacto da guerra no Oriente Médio sobre os combustíveis.
“Com a pouca oferta dos voos, os preços ficam mais caros. Mas a gente teve também um azar de estar nesse momento de guerra no Oriente Médio. O preço dos combustíveis subiu, então o preço das passagens automaticamente fica mais caro”, afirmou.
Segundo ele, o reflexo já aparece principalmente nos roteiros internacionais.
“A gente sentiu fortemente o impacto na procura dos pacotes internacionais. Europa e Estados Unidos são os principais destinos trabalhados pela agência”, disse.
Alex Silva afirma que, diante da instabilidade, os clientes passaram a procurar alternativas consideradas mais seguras financeiramente.
“Pacotes de grupo que já tinham bloqueios anteriores e preços congelados estão sendo a melhor opção procurada pelos clientes”, explicou.
Comunicação com companhias aéreas
As agências também passaram a atuar de forma mais intensa no acompanhamento das alterações feitas pelas companhias aéreas.
Gregori Ferreira afirma que as empresas do setor recebem comunicados frequentes sobre mudanças na malha aérea, incluindo alterações de horários, remarcações e possíveis suspensões.
“Para clientes que compram passagens por meio das agências, o acompanhamento tende a ser mais seguro, porque o agente monitora as reservas e orienta sobre remarcações, reacomodações ou reembolsos”, afirmou.
Ele alerta que passageiros que compram diretamente em aplicativos e sites precisam acompanhar constantemente o status das reservas para evitar imprevistos.
Alex Silva também destaca a troca constante de informações entre as agências e o setor aéreo.
“A gente tem uma comunicação bem legal com as companhias aéreas. Temos informação em tempo real do que está acontecendo”, disse.
Azul nega suspensão de rotas no Pará
Em nota enviada ao Grupo Liberal, a companhia aérea Azul informou que não suspendeu rotas operadas no Pará e que eventuais mudanças fazem parte de ajustes normais de oferta e demanda.
A empresa afirma manter operações regulares conectando o estado a 16 destinos, com cerca de 1,3 mil voos mensais entre pousos e decolagens.
A Azul confirmou, porém, que a rota internacional Belém–Fort Lauderdale, nos Estados Unidos, passará a operar de forma sazonal a partir de junho, concentrando voos em períodos de maior demanda, como férias e feriados de fim de ano.
Segundo a companhia, passageiros afetados receberão assistência conforme prevê a resolução nº 400 da Anac.
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