TAP aposta na Amazônia como destino estratégico para o turismo europeu, diz diretor da companhia
Atualmente, empresa opera seis voos semanais para Belém e três para Manaus, transportando cerca de 75 mil passageiros por ano
A TAP Air Portugal consolida sua presença na Amazônia brasileira com operações robustas a partir de Lisboa: seis frequências semanais para Belém, capital do Pará, e três para Manaus, capital do Amazonas. Com 11 anos de rota para Belém e dois para Manaus, a companhia transportou no último ano quase 60 mil passageiros para a capital paraense e cerca de 17 mil para a cidade amazonense. Diretor da TAP para as Américas, Carlos Antunes destaca que Belém atende a uma demanda local expressiva, moradores que precisam de acesso direto à Europa, enquanto Manaus possui perfil mais turístico. Ambas as cidades integram o programa Portugal Stopover, permitindo que passageiros façam paradas de até dez dias em Lisboa sem custo adicional no bilhete.
O potencial do ecoturismo na região é apontado pela TAP como um dos maiores atrativos para o público europeu. A companhia observa que qualquer ação de divulgação da Amazônia, do Pará e de seus destinos nos mercados europeus resulta diretamente em aumento de vendas, de forma matemática, segundo o próprio executivo. A COP 30, realizada em Belém, exemplificou esse potencial: a empresa substituiu aeronaves menores, com 170 lugares, por jatos de 300 passageiros para absorver a demanda de delegações internacionais. A visão da companhia é que Belém e Manaus se complementam e podem ser combinadas em itinerários que percorram toda a bacia amazônica.
O cenário global, no entanto, impõe desafios. O preço do combustível de aviação praticamente dobrou entre março e abril de 2025, pressionando tarifas e ameaçando a manutenção de frequências. Ainda assim, a TAP aposta em crescimento: lança novas rotas no Brasil, como Curitiba e São Luís, e acaba de apresentar a classe Economy Prime, serviço intermediário entre econômico e executivo, com preço entre 30% e 40% acima da econômica convencional. Para a Amazônia, a expectativa é aumentar o fluxo de turistas europeus que buscam experiências de ecoturismo únicas, aproveitando também o movimento de viajantes que redirecionam roteiros antes voltados à Ásia em razão das instabilidades da guerra no Oriente Médio.
Qual o atual cenário da companhia aérea aqui na Amazônia brasileira?
Em relação ao que você me perguntou sobre a Amazônia brasileira, temos estas duas rotas. Belém, que já temos há 11 anos e Manaus, que foi inaugurado há 2 anos. Nós transportamos passageiros de toda a Europa que conectam em Lisboa e depois viajam para Belém, com operações em Belém três vezes por semana, e depois o voo é de volta para Lisboa. Outras três vezes por semana o voo continua e vai até Manaus. Então, nós conseguimos conectar Belém, a capital do Pará, seis vezes por semana e Manaus, capital da do Amazonas, três vezes por semana.
Qual que tem sido o resultado da companhia nesses últimos anos?
O resultado é sempre muito positivo, porque na medida do que é a nossa estratégia, nós trabalhamos no Brasil com essas cidades todas que eu te falei, muitas delas, dessas 13 cidades que vão virar 15, muitas são exclusivas da TAP. Não há nenhuma companhia aérea internacional que tenha investido como nós em voos diretos para a Europa em determinadas cidades do país, por isso o resultado é sempre muito positivo.
Nós atendemos a comunidade local nas suas necessidades de viagem, é uma porta de saída para a Europa. E, nós temos famílias viajando para se reconectarem, nós temos a nós temos pessoas que viajam por negócios, nós temos o lazer e temos da outra ponta também, do lado da Europa, aquilo que é o atrativo de poder chegar muito rapidamente à Amazônia brasileira. Aqui há um potencial gigantesco do ponto de vista turístico e do ecoturismo, com experiências que são completamente únicas, exclusivas daqui e que não se encontra em mais lugar nenhum do mundo.
Então, nós temos um potencial gigantesco de aumentar o fluxo de turistas numa vertente de ecoturismo tanto para Belém, como para Manaus, que tem características muito diferentes, mas que se complementam, que também permitem fazer itinerários combinados. Para que o nosso turista possa entrar por Belém e sair por Manaus, e faça todo o trajeto por barco ou outros meios de transporte, ou até com um voo doméstico e depois interno, mas que possa experimentar tudo.
Existe um interesse crescente do turista europeu em fazer esse tipo de ecoturismo? Isso tem crescido?
Eu vou falar de alguns dados. Nós transportamos no ano passado, para Belém, na rota Belém e Lisboa, 55 mil passageiros, com crescimento em relação a 2024. E nós transportamos para Manaus alguma coisa como 17 a 18 mil, porque para Manaus são três voos e para Belém são seis, também com crescimento.
O que verificamos é que cada vez que há algum tipo de ação, de divulgação, seja pela TAP, seja pelas autoridades de turismo dessas regiões que eu desde já estímulo a que façam mais atividades, porque cada vez que nós fazemos uma atividade dessas na Europa e não só em Portugal, mas nos países onde nós temos representações comerciais, onde temos equipe comercial que nos representa. E, da vez que aparece a Amazônia, que aparece o Pará, nós vemos um aumentar de vendas para essas regiões, é matemático.
O investimento em promoção turística nas agências de viagens e nos passageiros, no público, faz com que aumente a atratividade do destino, a proximidade desse destino e o número de passageiros transportados. A gente sabe que cada turista que chega ao Brasil, ele não somente está fazendo gasto aqui, ele está estimulando a economia local, providenciando a ajudar a suportar o desenvolvimento econômico e social do destino, que neste caso é o Brasil.
Então, considerando esse perfil e esses fatores, o período da COP 30 em Belém foi positivo para a companhia?
O período da COP foi um período em que aproveitamos e aumentamos a aeronave, mudamos a aeronave que nós estávamos usando para fazer Manaus e Belém. Nós normalmente operamos com uma aeronave que se chama Airbus 321 LR que leva 170 passageiros, e nós usamos uma aeronave que é o 330 900, que é o maior da nossa frota, para 300 passageiros. Porque nós vimos que havia mais do que os turistas que estavam vindo e mais do que as necessidades da região, de acesso à Europa, eram as delegações que vinham para a COP 30.
Pode explicar um pouco melhor sobre o que é o Economy Prime que a companhia implementou agora?
Além de lançarmos rotas novas, que é a forma como nós crescemos, a forma como qualquer companhia cresce, que é lançando novas rotas, novas frequências. A gente coloca a rota de Curitiba e São Luís no ano passado. Dois anos atrás lançamos a de Florianópolis e Manaus. Essa é a forma como nós criamos economia de escala e como nós atendemos mais passageiros.
Mas, também somos sempre obrigados a lançar produtos novos, porque o cliente está cada vez mais exigente e ele requer cada vez mais para se surpreender. E, assim mesmo, nós temos um desenvolvimento daquilo que é a aviação como qualquer outro setor de qualquer outra indústria.
Nós lançamos um produto, que estará a bordo a partir do dia primeiro de junho, que se chama Economy Prime, que é uma classe de serviço intermediária entre a classe econômica e a classe executiva. Ele vai atender tanto aqueles viajantes a negócios, que por política de viagem ou por preço não podem chegar a uma classe executiva, ao conforto de uma classe executiva. E, a nossa classe executiva tem cama, tem um catering especial, então ela toda cheia de mimos e vantagens, tanto em terra como a bordo, mas ela tem o preço de uma executiva.
A classe Economy Prime é um valor intermediário diário entre econômica e a executiva, ela tem como benefício sempre um lugar livre do lado do passageiro, mais privacidade, um pouco mais de conforto, pode levantar o encosto de braço e utilizar todo o espaço. Tem um catering melhorado, aliás, é o catering da classe executiva, mas com duas opções de prato, que na executiva tem três opções de prato, além de um kit de viagem que é o necessaire, que toda a gente gosta, com escovinha de dentes, um fone de ouvido melhorado. Coisas que as pessoas sempre fazem coleção.
E depois, em terra, tem embarque preferencial na aeronave e todo mundo quer entrar mais cedo na aeronave, até para colocar a mala de mão. Ele tem check-in diferenciado, tem o fast track nos aeroportos portugueses para passar no raio-x mais rapidamente. E tem mais: tem mais uma mala, mais um volume de bagagem, e também tem reserva de assento, que são algumas das características que às vezes na classe econômica não existem e você tem que comprar adicionalmente. A área Econômica Prime está precificada de 30% a 40% a mais do que uma econômica normal.
Qual é o estudo feito para escolher uma nova rota que vai ser inaugurada? Quanto tempo leva isso e há previsão de novas rotas aqui na Amazônia brasileira?
Nós temos um pipeline de oportunidades de destinos que sempre estudamos e sempre verificamos se temos tripulação, aeronave e slots para operar. São as três coisas mais importantes: temos aviões, temos os nossos tripulantes, e verificamos se temos a possibilidade de voar de Lisboa ou do Porto para determinado destino.
Nós usamos muitos números e muitos modelos matemáticos. Há informações matemáticas que nos dizem qual é a demanda existente de um ponto A para um ponto B. Quando colocamos uma rota, sabemos que ainda existe um estímulo, essa demanda é normalmente multiplicada por dois ou três vezes. Vou dar o exemplo de São Luís, que é uma rota que vamos lançar: São Luís–Lisboa. Vamos dizer que eu tenha uma demanda de 20 a 30 passageiros por dia. Hoje, estimamos que, ao colocar o voo direto, essa demanda se multiplique por dois ou por três. Cresce, porque você coloca um avião à porta do passageiro, e o passageiro diz: "Em vez de ir por outro caminho, vou pegar esse avião, vou para Lisboa, está aqui na minha porta, sem precisar criar acessibilidade."
Então, a gente olha os modelos matemáticos, olha a disponibilidade de recursos do nosso lado, e verificamos se os aeroportos têm infraestrutura para nos atender. O aeroporto tem que ter terminal internacional, tem que ter Anvisa, Receita Federal e Polícia Federal. Às vezes não tem, então a gente trabalha com o governo para viabilizar isso.
E também quando a TAP coloca um voo em algum destino novo, isso é uma mensagem para o mercado. A mensagem é: a TAP fez as contas, vai colocar um voo, existe uma oportunidade de negócios para os hoteleiros, para os receptivos, para os agentes de viagem, para os serviços no aeroporto, para a comissaria que faz o catering.
Quando lançamos o voo de Florianópolis, não havia uma empresa em Santa Catarina que pudesse fornecer as refeições com o nível de qualidade que precisávamos. Tivemos que operar os primeiros meses trazendo a comida toda de Curitiba via caminhão, todo dia vinha comida para todos os passageiros. Mas, através da nossa parceria com o governo do Estado de Santa Catarina, o governo investiu numa comissaria existente para que ela se desenvolvesse: comprou equipamentos, trabalhou com formação e investiu no seu próprio pessoal. Hoje, tudo é feito em Florianópolis, tudo é feito em Santa Catarina. Então, a gente atua como um vetor de desenvolvimento extremamente importante.
Você tem noção de qual é essa demanda diária daqui da rota de Belém, por exemplo?
Eu não tenho esses números agora, mas vou te dizer que nós, no ano passado, transportamos 17 mil passageiros de Manaus e quase 60 mil de Belém. Então, estamos falando daquilo que a gente transporta, o que viajou conosco, mas há uma demanda que viaja por outros hubs. Estamos falando de cerca de 70 mil passageiros por ano, para um lado e para o outro.
Vamos dizer que 50% seja produzido aqui e 50%, seja turístico. Manaus tem mais turistas do que Belém, é mais turístico. Belém tem uma população maior que nos usa mais. E depois há os passageiros que, para viajar para a Europa ou para qualquer outro destino, descem para Brasília ou para São Paulo e pegam outra companhia, às vezes nossa concorrente. Fazem toda uma viagem para São Paulo, às vezes mudam de terminal, voltam a voar passando por cima do seu ponto de origem, e o mesmo na volta. Às vezes são dois dias que o passageiro perde.
Belém já está incluída no projeto Stopover?
Belém já está incluída no Portugal Stopover, que, aliás, acabou de ganhar mais um prêmio nesta semana, nos Estados Unidos, como o melhor Stopover do mundo. E, o que é o programa Stopover? É o seguinte: o passageiro que compra uma passagem no Brasil para qualquer ponto da Europa passando por Portugal pode, no mesmo preço, ficar em Portugal até 10 dias. Dois, três, cinco, dez dias, pagando o mesmo voo. Imagine que você vai viajar para Marselha, na França: você faz Manaus–Lisboa–Marselha. Mas ao chegar a Lisboa, você pensa: "Posso ficar três dias aqui." E você vai ter descontos em hotéis, em museus, em restaurantes. No nosso site há uma seção chamada Portugal Stopover com todos os parceiros do programa. Então, quem opta por essa parada, que, na verdade, é quase como se fosse outra viagem, tem imensos benefícios.
No site flytap.com, na seção Portugal Stopover, você consegue planejar essa sua parada. No fundo, você está degustando dois destinos. Imagine: temos falado muito do bleisure, do inglês, que é a mistura do lazer com os negócios. Imagine que você vai para Roma ou para Milão a trabalho, para um congresso, uma convenção ou reuniões, mas decide parar em Lisboa por três dias para desconectar depois. Então, você está juntando duas viagens numa só, com o mesmo preço, não paga nada a mais por isso.
Qual foi o resultado da TAP no Brasil e quais as suas expectativas para esse ano de 2026? Podemos esperar algum projeto novo ou há alguma estimativa de superar uma meta?
Olha, é difícil, porque a gente não tem bola de cristal e não sabe o que vai acontecer. Todo mundo diz que temos que ser sempre otimistas, mas o otimismo tem que ser temperado por estarmos sempre de olhos abertos, vendo o que está acontecendo. A TAP completa 60 anos no Brasil sendo a principal companhia aérea internacional. A gente tem crescido muito, há lugares onde só existe a TAP há 50, 45 anos, onde há pessoas que, quando nasceram, a TAP já voava e já era o único canal de comunicação aérea entre essas cidades e a Europa.
Então, queremos continuar crescendo. Temos uma meta bastante agressiva de crescimento no Brasil. Estamos lançando Curitiba e São Luís este ano; todos os anos temos lançado novas rotas, e temos mais algumas no pipeline de estudo. Lançamos agora a nossa Economy Prime, um produto que está tendo uma aceitação muito significativa pelo cliente brasileiro.
Queremos chegar ao final do ano com crescimento de rotas, de passageiros e muito atentos ao que está acontecendo no mundo, especialmente no que diz respeito aos custos. Estamos vendo que a questão do custo do petróleo pode afetar, e já está afetando, o custo das passagens.
Também estamos vendo europeus que iriam viajar para a Ásia ou para o Oriente Médio dizendo: "O Brasil está mais longe de tudo isso, vou para o Brasil”, afirma. Então, vimos um aumento na procura pelo Brasil. Da mesma forma, vimos brasileiros que iriam viajar para destinos na Ásia passando pelo Oriente Médio passarem a procurar a Europa. Então, a gente sempre tem um copo meio cheio e um copo meio vazio, e queremos olhar o copo meio cheio sempre.
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