Venda de livros no espaço público já virou tradição e agrada visitantes

Público encontra todo tipo de obra nos sebos espalhados pela Praça da República, em Belém

Vito Gemaque

Um grupo de seis livreiros se reveza semanalmente em estantes enfileiradas para comercializar várias publicações. O doutorando em Filosofia Rafael Bastos, de 35 anos, é um frequentador assíduo do "sebo da praça" nome como conhece o lugar. "É um espaço de literatura, filosofia, ciências e artes. Ele é importante até para a cultura da cidade e para conhecer pessoas que também se interessam por espaços literários. São livros bons e baratos", reflete.

Além dos livros serem mais baratos que publicações novas nas livrarias, o estudante compara que os preços na praça da República também chegam a até mais baratos do que em sebos virtuais. "Se não levar um livro parece que não passei na praça", brinca.

Um dos livreiros mais antigos da praça da República, Sérgio Augusto, de 44 anos, tem orgulho da atividade que exerce há 15 anos. "É um prazer e um trabalho prazeroso, propicia conhecer pessoas interessantes, discutir com pessoas de diferentes lugares, com todos os posicionamentos políticos e religiosos. Toda a leitura é fundamental na construção do pensamento crítico", enfatiza.

Um dos livreiros mais antigos na praça da República Sérgio Augusto, de 44 anos, tem orgulho da atividade que exerce há 15 anos (Bruno Cruz)

Atualmente, os livreiros contam estar inseguros com a fragilidade legal que trabalham. Os seis livreiros que tinham cadastro na Secretaria Municipal de Economia (Secon) - órgão responsável pela administração das praças públicas - perderam a regularização porque não foram chamados para o recadastramento pelo órgão municipal. Depois de uma reunião realizada há um mês, os livreiros tiveram assegurados por gestores da Secon que poderiam continuar no local em sistema de revezamento até a situação ser regularizada. "Hoje a autorização é de boca. Disseram que seria provisória até se resolver dentro da coisa legal", explica Sérgio.

Cada livreiro contabiliza por dia aproximadamente de 20 a 30 livros vendidos por domingo. As vendas sustentam muitas famílias, como a do bacharel em Filosofia Anderson Melo, de 31 anos, que há sete meses está na praça. "O que me trouxe a esta ação foi o desemprego. Sou professor de Filosofia e para sustentar minha família estou aqui", conta.

As vendas sustentam muitas famílias como a do bacharel em Filosofia Anderson Melo, de 31 anos, que há sete meses está na praça (Bruno Cruz)

Entre os interessados que se aproximam para ver os livros estendidos no chão sob um pano, Anderson tenta convencê-los a levar alguma obra falando do autor, da história e dando descontos atrativos. "Este livro é R$ 15. Um clássico. Vai levar? Faço a R$ 10 para levar agora? Não? Faço a R$ 8", fala o vendedor tentando convencer um freguês.

A Secretaria Municipal de Economia (Secon) informou por meio de nota que manterá na praça da República os seis livreiros que já possuem registros no órgão desde 2016. Os vendedores permanecem intercalados entre os domingos, para não ultrapassar o limite máximo de permissionários que podem exercer atividades no logradouro, conforme o Decreto Municipal nº 89.906/2017. Quanto ao prazo para os cadastramentos dos livreiros, a Secon declarou ainda, que serão realizados à medida que houver cancelamentos de outros permissionários atuantes na área.

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