Em ‘A Nobreza do Amor’, Lázaro Ramos enfrenta o desafio de viver seu primeiro vilão
O artista explica por que teme a maldade de Jendal e como a caracterização imponente o ajudou a entender a sede de poder do novo antagonista
Em 2026, Lázaro Ramos viverá um novo sentimento: não ser amado pelo público. Prestes a estrear como vilão em ‘A Nobreza do Amor’, fábula afro-brasileira dos anos de 1920 que chega ao horário das seis da TV Globo no dia 16 de março, o ator viverá o ambicioso Jendal. O vilão será o responsável por trair e derrubar o rei Cayman II (Welket Bungué), usurpando o seu trono ao ver desmoronar seus planos de ascensão ao poder, que incluíam o casamento arranjado com a princesa Alika (Duda Santos) e o acordo com os ingleses para a exploração do tungstênio no país.
A trama coloca Lázaro em uma nova posição nos seus mais de 30 anos de carreira. No lançamento da obra, que ocorreu na Ilha Fiscal, espaço histórico da Marinha na Zona Portuária do Rio de Janeiro, com a presença do Grupo Liberal, o ator falou sobre esse novo momento com muito bom humor.
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“No fim das contas, é a experiência que conta de se encantar com esse universo e ter aquele prazerzinho de odiar um vilão, amando um pouquinho, porque eu ainda sou o Lazinho”, disse.
Para dar vida a Jendal, Lázaro mudou um pouco seu visual, além de enfrentar uma rotina intensa na caracterização, que envolve roupas e acessórios pensados para transmitir imponência ao vilão, mas que também exigem resistência física. Os trajes escuros, trabalhados em preto, cobre e marrom, evidenciam seu distanciamento da realeza. O ator está agora com longos cabelos com estrutura inspirada em serpentes e escorpiões, além de pelos faciais.
“Eu me senti poderoso (com a caracterização), a palavra é essa. Acho que tem uma estética e pesquisa do continente africano que é muito viva. Eu estava estudando meu personagem sem ver a estética; quando coloquei a roupa, o entendi, o lugar que ele queria ocupar no mundo. Ele é um personagem grande, com ideias grandes e pesadas, isso diz muito sobre ele. Parece simples, mas eu estou torcendo para que as pessoas se identifiquem e mergulhem mais. Cada personagem tem um símbolo de ‘adinkras’, que é um ensinamento africano, então eu estou doido que as pessoas identifiquem o de cada um”, explica o artista.
A insegurança de dar vida ao vilão foi destaque em diversos momentos por Lázaro; em uma ocasião, ele chegou a citar o personagem Foguinho, da novela Cobras e Lagartos, de 2006, da TV Globo. O personagem era mentiroso e tinha um caráter contraditório, mas caiu nas graças do público pelo seu carisma e ingenuidade.
Lázaro não quer justificar as maldades de Jendal, mas ele acredita que as inseguranças dele escondem algumas camadas que serão destaques ao longo da trama. Os atos do vilão vão permitir que o público reflita sobre como estruturas históricas e pessoais moldam escolhas cruéis.
“Ele é um personagem patético, mas é bem malvado e muito ambicioso e manipulador; ele é muito vaidoso. Com o poder nas mãos, Jendal vai causar muitos problemas. É um lugar que eu não estou acostumado a fazer; no geral, o sorriso de Lazinho está sempre presente (risos), mas esse é um personagem diferente”, finaliza.
A Nobreza do Amor apresenta para o público Batanga e Barro Preto, a conexão entre África e Brasil, a partir desta segunda-feira (16).
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