Taxa das blusinhas: 87% vão manter ou aumentar consumo de produtos brasileiros, diz pesquisa
Estudo da Amobitec revela que consumidores manterão ou aumentarão compras no Brasil, apesar do fim da cobrança em importados de até US$ 50.
Mesmo com o fim da chamada taxa das blusinhas, que zerou o imposto sobre mercadorias importadas de até US$ 50, 87% dos consumidores dizem que vão manter ou aumentar a compra de produtos brasileiros.
É o que mostra pesquisa Plano CDE, encomendada pela Associação Brasileira de Mobilidade e Tecnologia (Amobitec). A entidade, que reúne plataformas internacionais de e-commerce, tem usado os dados para pressionar o Congresso a aprovar a Medida Provisória que derrubou a taxação.
Embora tenha criado a cobrança no início da atual gestão, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva determinou o recuo e derrubada este ano, às pressas, como medida eleitoreira.
A Amobitec reúne empresas de tecnologia prestadoras de serviços, como Alibaba, Amazon e Shein, algumas cujo negócio é, em grande parte, a venda de produtos do exterior e são fortemente afetadas pela imposição da taxa de importação agora revogada pelo governo.
O fim do tributo tem amplo apoio popular e foi assinado por Lula dois anos depois da criação do imposto. A MP precisa ser confirmada pelos parlamentares até o dia 8 de setembro para manter a validade, mas, como mostrou a Coluna do Estadão, está parada há dois meses no Congresso Nacional.
Dados detalhados da pesquisa
De acordo com a pesquisa da entidade, 66% disseram que vão continuar comprando no mesmo volume em lojas brasileiras, enquanto 21% afirmaram que pretendem comprar em maior quantidade.
Já em relação ao consumo de produtos em plataformas internacionais de e-commerce, 50% dos entrevistados afirmaram que vão aumentar o consumo de produtos importados, enquanto 39% dos ouvidos disseram que pretendem manter o volume atual de compras online em lojas internacionais, um total de 89% dos consumidores. A pesquisa foi feita em junho e ouviu 1.500 pessoas por meio de painel online.
Taxa das blusinhas tem 71% de rejeição em classes C, D e E
A pesquisa feita a pedido da Amobitec mostrou ainda que, para 58% da população, a taxa das blusinhas prejudicou os mais pobres e beneficiou grandes empresários. E 56% dos ouvidos disseram acreditar que a tributação não impulsionou o comércio brasileiro.
O levantamento também confirmou a alta rejeição da população brasileira à taxa das blusinhas: 70% dos entrevistados. Um recorte de classe feito pela pesquisa Plano CDE revela ainda que a rejeição à taxa é ligeiramente maior entre os consumidores das classes C, D e E, chegando a 71%. Entre os consumidores das classes A e B, a rejeição é de 65%.
A tributação sobre as compras internacionais de até US$ 50 foi um erro econômico que prejudicou principalmente as classes de menor poder aquisitivo. As pesquisas de opinião mostram que a população está ciente de que foi prejudicada pela taxa e que está de olho na atuação do Congresso Nacional sobre o tema, alertou à Coluna André Porto, diretor-executivo da Amobitec.
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