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Dia da Amazônia: quem são os artistas regionais envolvidos na data

A data é celebrada nesta segunda-feira, 5. Indígenas, negros, ribeirinhos se destacam nos festivais comemorativos.

Enize Vidigal

Hoje, segunda-feira, 5 de setembro, é Dia da Amazônia. A data é lembrada com ativismo cultural por meio de festivais que estão sendo realizados em vários cantos do Brasil e do Pará. Nesse cenário, jovens talentos amazônidas, inclusive advindos de populações tradicionais, se levantam para somar talento a esse canto de conscientização e de cobrança pela preservação da floresta. Entre eles, estão o rapper Sumano, de Igarapé-Miri, e Victória Gatto, cantora de carimbó, de Terra Santa; a cineasta, atriz e ativista negra Joyce Cursino; e a multiartista indígena Márcia Kambeba.

Sumano, de 27 anos, se apresentou em Belém no Psica Dia da Amazônia, no domingo, 4. Natural do interior Igarapé-Miri, Nordeste do Pará, ele conheceu o rap com a chegada da internet na ilha em que vive, chamada Anapu, em 2019. O acesso à energia elétrica ocorreu apenas seis anos antes. “A minha realidade era a da roça, do açaizal e da pesca. Aqui só escutam tecnobrega e carimbó. Eu comecei a ouvir os raps de fora do Brasil. Já gostava de poesia desde criança e cantava na escola”, recorda. 

O nome artístico Sumano, escolhido por Euler de Oliveira Santos, é uma reafirmação de suas origens: “É um termo de tratamento entre os parauaras, como nos municípios de Igarapé-Miri, Cametá, Moju… que significa ‘ser humano’, que vem dos ancestrais negros”, observa.

A expansão para fora da ilha ocorreu com a ajuda da rapper Nick Dias, de Belém, com quem gravou junto em 2016. Ele lançou os primeiros singles autorais em 2020, “Novo Sol'' e''Tudo Ladrão”, e o EP “Filho do Vento”, em 2020, seguido do single “26”. Atualmente, ele está trabalhando no álbum com 10 faixas, que terá o selo Natura Musical. 

Já Victória Gatto, de 20 anos, traz o carimbó desde o berço. Desde criança ela dançava em um grupo de carimbó fundado pelo tio, na cidade Terra Santa, Nordeste Paraense. Mas foi aos 13 anos, no projeto “Carimbó Parauara”, do professor de música Genilton Delgado, que ela começou a cantar, fazendo shows em cidades da região por sete anos, lembra. Ela vai se apresentar no Festival Maní(Festar), em Santarém, no Baixo Amazonas, no próximo dia 10.

“Aos 15 anos comecei a competir em festivais de música e em todos levei pelo menos um troféu. Fui primeiro lugar no Festival da Canção de Porto Trombetas e segundo lugar no Festival de música Obidense, ambos em 2017. Inclusive, as músicas do meu álbum ‘Vem dançar carimbó’ são músicas já premiadas em festivais”, lembra a artista.

Victória já se apresentou até no exterior. “Adoram a nossa música e cultura, assim como pessoas do Brasil e de fora da Amazônia, sempre estão empenhadas a aprender a dançar, cantar e entender um pouco sobre nossas músicas”.

Literatura e cinema

Já a multiartista Márcia Kambeba (escritora, poeta, compositora, cantora, atriz e roteirista) está habituada a usar a arte como meio de conscientização e de reivindicação em pautas ambiental, indígena, da mulher e outras. Amazonense do Alto Solimões, ela reside em Belém. “A cidade e os artistas daqui me acolheram”, relata. Ela fez uma apresentação lítero-musical no V Festival de Cinema das Periferias e Comunidades Tradicionais da Amazônia, em Belém, no sábado, 3.

Ela já teve cinco livros publicados – sobre contos, poesias, literatura acadêmica (ela é mestre em Geografia), educação indígena, política, religião e autismo - e mais de 30 músicas autorais gravadas em tupi e em português, que estão prestes a chegar às plataformas digitais. Ela também foi consultora de roteiro da segunda temporada da série “Cidade Invisível” e está roteirizando o espetáculo musical “Amazônias”, que vai estrear em novembro, em São Paulo. 

O voz de Márcia Kambeba circula fora do Brasil. Ela já foi capa de revista Adriana Chiari, em Londres, e publicou nos Estados Unidos o livro “Kumiça Jenó” (‘Falar e ouvir’) com contos autorais sobre os seres encantados da floresta. “O meu trabalho abraça o público indígena e não indígena. É uma forma de fazer as pessoas se sentirem intrínsecas à natureza. Essa mensagem eu tenho levado em festivais dentro e fora do Brasil”, afirma.

Joyce Cursino estudava Jornalismo quando despertou para o cinema ao protagonizar a série “Squat na Amazônia”. “Passei a me perceber como mulher negra mais fortemente porque eu não tinha um papel estereotipado. Historicamente, as mulheres negras no cinema brasileiro, são as personagens hiper sexualizadas ou estão na cozinha fazendo serviços subalternos. A Valentina era uma jovem estudante ousada e criativa, que falava da resistência e da arte na Amazônia. Esse papel reverberou na minha vida porque foi um lugar de exceção”, descreve. Atualmente, Joyce lidera o projeto Websérie Pretas  como diretora e produtora executiva.

“Continuei trabalhando como atriz, mas também por trás das câmeras, criando narrativas do cinema negro na Amazônia. Vi que outras negras tinham o sonho de ser cineastas, produtoras e colocar as suas histórias nas telas. Criei a produtora Negritar, inicialmente só de mulheres negras e depois a gente incluiu homens negros e indígenas”, conta. A Negritar realiza o Festival de Cinema das Periferias e Comunidades Tradicionais da Amazônia, que é a culminância do projeto itinerante Telas em Movimento, de democratização de acesso ao cinema.

Palavras-chave

Cultura
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