Obra de Luiz Braga é reconhecida pela Alepa como patrimônio cultural imaterial do Pará
Projeto de lei com esse conteúdo foi aprovado por unanimidade pelos deputados estaduais e segue para apreciação da governadora do Estado
A obra do fotógrafo paraense Luiz Braga acaba de ser declarada Patrimônio Cultural e Artístico de Natureza Material e Imaterial do Estado do Pará, por iniciativa da Assembleia Legislativa do Pará (Alepa). Em turno único, o projeto de lei nº 467/2025, de autoria do deputado Iran Lima, foi aprovado por unanimidade, no dia 2 deste mês de junho, e segue para apreciação por parte da governadora do Estado, Hana Ghassan. Em 2025, Luiz Braga completou 50 anos de fotografia.
Luiz Braga é conhecido como o "Fotógrafo da Amazônia", por desenvolver sua obra como um diário fotográfico da paisagem e vida nessa região, ou seja, revelando aspectos expressivos do dia a dia de comunidades que moram em pleno cenário da floresta amazônica. Desse modo, Luiz abarca com sua lente conteúdos simbólicos e as interseções entre os seres humanos e o meio ambiente, construindo narrativas com uma linguagem visual que flutua entre o documental e o abstrato. Esse artista acaba desconstruindo estereótipos comuns sobre a região da maior floresta tropical e bacia hidrográfica da Terra.
Com essa produção, Luiz ganhou projeção internacional na fotografia. Esse fotógrafo mostra para o mundo como se dá a vida na Amazônia, o que envolve personagens humanos, ou seja, integrantes de comunidades ribeirinhas, indígenas e quilombolas, principalmente. Das fotos de Braga, saltam imagens fortes que marcam o cotidiano amazônico. Essas cenas captadas muitas vezes têm a sua riqueza de detalhes despercebida pelos próprios personagens, mas revelam perspectivas ricas da relação dos seres humanos com a flora, a fauna e as águas desse bioma. Esse processo não exclui a abrangência das fotos de Luiz Braga em núcleos urbanos mais densos. Isso tudo surge como fruto de uma relação amorosa dele com a arte da fotografia desde cedo e que somente se fortaleceu cada vez mais ao longo de cinco décadas de atividades.
Em sua arte, Luiz Braga faz uso expressivo da luz equatorial e das cores vibrantes dos portos e periferias urbanas da Amazônia, diferenciando-se da visão tropical romantizada que costuma ser reproduzida. Ele também se notabiliza na fotografia em preto e branco, como na série "Nightvisions", com uso criativo do infravermelho digital.
O fotógrafo representou o Brasil na 53.ª Bienal de Veneza (2009). Luiz venceu prêmios como Leopold Godowsky Jr. Color Photography, Nikon Photo Contest International e o Prêmio Marcantonio Vilaça.
Luiz Braga realizou exposições em instituições como a Galeria Leme, Instituto Tomie Ohtake, MAM-SP, SESC Pinheiros e Museu da UFPA. Ele participou de coletivas marcantes como Histórias AfroAtlânticas (MASP), Brasil Futuro (Museu Nacional), e O Elogio da Vertigem (Maison Européenne de la Photographie, Paris).
Obras de Luiz Braga integram acervos do Pérez Art Museum (Miami), MASP, Pinacoteca de São Paulo e outros. Esse fotógrafo produziu grande acervo técnico e artístico sobre os povos ribeirinhos, sobre a arte e cultura amazônica, em especial do povo marajoara. Promove encontros chamados "Vivência Marajó", imersões na cultura, história, arte e natureza do território marajoara.
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