Zé Renato lança disco intimista

Em 'O Amor É Um Segredo', ele canta o lado B de Paulinho da Viola

Agência Estado
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Por meio das plataformas digitais de música, Zé Renato monta playlists que funcionam como trilha sonora para atividades corriqueiras do dia a dia, como lavar louça. Uma delas foi dedicada apenas a canções de Paulinho da Viola. Algumas conhecidas, outras nem tanto. Mas todas com características melódicas e líricas que evidenciam a qualidade de um dos grandes compositores da música brasileira. Ao escutá-las com atenção, o cantor descobriu que poderia contar uma história por meio de algumas delas e foi tirar as harmonias no violão. “Fui me tocando da grandiosidade da obra dele”, conta Zé.

Daí surgiu a semente de "O Amor É Um Segredo - Zé Renato Canta Paulinho da Viola", álbum com nove canções de Paulinho. Há algum tempo, Zé, que tem 63 anos, vem se aproximando das canções de Paulinho em seus álbuns. Zé Renato Ao Vivo (2007) e O Vento na Madrugada Soprou (2014), este gravado por ele com os instrumentistas Rômulo Gomes (baixo) e Tutty Moreno (bateria), são abertos por músicas do compositor.

Das canções do álbum, poucas podem ser consideradas sucessos. Zé diz que a aposta em lados B de Paulinho surgiu naturalmente. “Foi acontecendo à medida que fui ouvindo as músicas e achando os caminhos no violão. Isso me ajudou a dar o caminho da interpretação. Por coincidência, alguns sambas eram menos conhecidos. Mas é um estímulo chamar atenção para um repertório menos ouvido”, conta. Ele conversou com Paulinho sobre a ideia do disco antes da gravação. O homenageado gostou das músicas escolhidas, justamente pela maioria delas serem pouco conhecidas. 

“Sempre que o encontro temos uma conversa ótima, ele é muito tranquilo e atencioso. Fiz questão de avisar que ia gravar. Mas falei com ele muito rapidamente, com o cuidado de não deixá-lo em saia justa. Não é porque eu gravei que ele é obrigado a gostar”, diz Zé.

A proposta de O Amor É Um Segredo, segundo Zé Renato, foi fazer uma “leitura pessoal” das músicas de Paulinho. Com canções falando de amor e das múltiplas sensações que podem vir dele, ele escolheu como título um verso de Só o Tempo. “Os sambas têm uma dose de tristeza. Os mais lindos são os mais tristes”, afirma.

Ele também resgatou canções de Paulinho feitas com parceiros marcantes na trajetória artística do compositor. Elton Medeiros, que morreu na véspera da gravação do álbum, tem conexão com o próprio Zé Renato. Os dois eram amigos e fizeram um disco juntos em 1997, ao lado de Mariana de Moraes. "Elton foi muito importante na minha ligação com o samba”, reforça Zé, que da parceria entre Paulinho e Elton optou por Vida. De Paulinho e Mauro Duarte, ele incluiu Foi Demais, de 1979. O cantor não conhecia a música e gostou da letra que fala sobre uma pessoa que quer se reerguer depois do fim de um amor. Candeia também é lembrado com Minhas Madrugadas, que Zé já cantava informalmente. 

“Pela primeira vez na minha vida eu gravei assoviando”, diz Zé. “Foi uma gravação absolutamente solta”, afirma. Apenas três músicos tocam no disco. O saxofone do Maestro Spok, nome forte do frevo pernambucano, reforça a elegância de quatro faixas. Uma delas é o clássico Para Um Amor no Recife. Zé diz que a presença da música no disco pode soar óbvia pelo registro ter sido feito no Recife, mas que ela serve como referência do clima inspirador da cidade.

 

 

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