Detonautas traz novo show a Belém e exalta o tecnobrega como pilar de faixa do novo álbum
Com referências à sonoridade de Gaby Amarantos e participação de Milton Cunha, o nono álbum de estúdio marca a nova fase da banda, que se apresenta no Luau NaBêra hoje
O grupo Detonautas se apresenta em Belém nesta sexta-feira (29), como atração principal do Luau NaBêra. O evento, que dialoga com o ritmo do tecnobrega, terá a programação completada por shows de Marina & Leones, Aline Alves, Banda Reggaetown e o DJ MeGusta.
Para o show, o grupo, que soma quase 30 anos de carreira, traz como novidade o lançamento de “Rádio Love Nacional”, seu nono álbum de estúdio. Já disponível nas plataformas digitais, o projeto marca uma fase de experimentações da banda, que aposta em uma sonoridade fusão entre rock, pop, batidas eletrônicas e o tecnobrega, ritmo paraense que mistura sintetizadores e batidas aceleradas com o brega tradicional.
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“O tecnobrega é uma identidade do Pará, então a gente pegou claramente referências que são as referências mais populares, que tão acessíveis pra todo mundo. Entendendo que é uma dinâmica que vem, que nasce um ritmo, que tem as suas raízes na periferia e que tem ícones né como a Gaby Amarantos por exemplo que é um ícone internacional, ela não se trata só do Brasil, a gente puxou por ali. A Gaby foi meio que o lugar para onde a gente pegou, abriu algoritmo, vamos dizer, depois obviamente surgiram outros artistas que a gente foi ouvindo e foi introduzindo de alguma maneira. Mas a gente também não fez nenhum nenhuma mágica, simplesmente respeitou a batida, entendeu como é que ela funcionava dentro do nosso som e traduziu isso pra nossa leitura. O cuidado de sempre que vai falar do ‘Potinho de Veneno’, que é o que é a primeira música e que deu origem, na verdade a toda saga do Rádio Love Nacional é mencionar a fonte, a gente dizer que foi uma parte importante a batida ter vindo do Pará, do Norte do país com as referências que a gente buscou pra poder conseguir chegar nessa sonoridade”, explica o vocalista Tico Santta Cruz.
Esse projeto “Rádio Love Nacional” inaugura uma nova fase na trajetória do Detonautas, reafirmando sua capacidade de reinvenção sem abrir mão do gene que consolidou a banda como um dos nomes mais relevantes do rock nacional. São 11 faixas inéditas disponíveis, que valorizam essa mistura de elementos nacionais, como disse o artista.
Na música citada por Tico, “Potinho de Veneno”, que faz parte do projeto, mas foi lançada em 2025, ele se uniu aos produtores Pablo Bispo e Ruxell para dar vida a ela. Além de marcar o retorno do vocalista às composições após dois anos, a canção chega como uma criação motivada pela imersão dele nas biografias e discografia da cantora paulistana Rita Lee.
“A batida (do tecnobrega) principalmente conduziu bastante o caminho que a gente tomou (na musica) e aí óbvio misturando com as nossas diferenças de rock e outras referências que a gente já tinha soou muito bem. Ficou bacana e estourou no rádio, tocou muito bem, foi é uma música que tem tido um resultado excelente. Então em todas as entrevistas eu sempre menciono a influência do Tecnobrega nesse disco do Detonautas, principalmente no ‘Potinho de veneno’ e acho que incluir essa sonoridade você está atento ao que está Acontecendo não só no seu reduto mas no entorno também. O Brasil é um país muito grande com uma cultura muito muito rica, acaba valorizando também o trabalho que o Detonautas vem fazendo em comunhão com os gêneros que são importantes pro país. Então a gente um diálogo mais abrangente, digamos assim”, diz o cantor.
Outro destaque do álbum é a participação do paraense Milton Cunha na faixa “Vampira”. O Detonautas garante que a faixa é uma das mais ousadas do repertório.
“Ela é uma música que ela já tem essa conotação lúdica e psicodélica ao mesmo tempo, que traz uma personagem feminina que amedronta e cria esse pavor nos homens, é uma ironia com a insecurity masculina. De certa forma a gente está lidando com assuntos que são assuntos muito pertinentes para a atualidade e nada melhor do que o Milton Cunha, no sentido carnavalesco mesmo, porque a gente tinha uma narração no começo que eu fazia e a gente queria uma voz característica que pudesse soar e as pessoas identificarem. A gente pensou em algumas pessoas, em alguns artistas que tem vozes marcantes como Zé Ramalho, por exemplo, mas eu acompanho muito de perto o Milton e mandei uma mensagem pra ele no Instagram, ele respondeu rapidamente no mesmo dia topando. Mandamos a música, he gostou, adorou e depois a gente entrou no estúdio e só colocou essa frequência em conexão com a gente. Foi muito bacana ter o Milton Cunha e obviamente traduzir, remeter a sonoridade do Detonautas porque a gente é uma banda aberta a novos elementos, pra essa experimentação e é uma banda que se propõe a dialogar com o Brasil profundo”, disse Tico.
Animados com esse projeto que carrega forte carga espiritual e cultural, o Detonautas chega para o show em Belém com uma grande bagagem cultural acumulada ao circular pelas mais diversas regiões do país ao longo de sua trajetória. Para os integrantes, essa atmosfera não se vincula a dogmas religiosos, mas sim a uma profunda conexão com a natureza e com o público de locais muitas vezes isolados geograficamente; por isso, eles fazem questão de estar sempre em diferentes lugares.
“O Detonautas não viaja apenas para capitais ou para lugares acessíveis, a gente viaja para lugares, às vezes, que pegam horas e horas de barco, ou muitas horas de ônibus, ou estradas que não têm nem condições, muitas vezes, de receber trânsito e a gente atravessa para poder chegar em populações, em povos, em municípios e lugares que, muitas vezes, nunca nenhuma banda de rock e esteve. Então, o Detonautas é uma banda que se aprofunda, que se permite conhecer o Brasil”, finaliza Tico.
Agende-se
Data: hoje, 29
Hora: 20h
Local: NaBêra Cultura & Gastronomia - Rua São Boaventura, 268
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