CONTINUE EM OLIBERAL.COM
X

Banda AR-15 gera debate após Nice Tupinambá criticar representação de povos originários

Ativista questiona uso de elementos indígenas em novo vídeo de Harrisson e Carol Lemos e propõe construção colaborativa com povos originários

O Liberal
fonte

A Banda AR-15 gerou forte repercussão nas redes sociais ao divulgar um novo conteúdo em alusão à aparelhagem Tupinambá. No vídeo, que faz parte do lançamento de uma música, os vocalistas Harrisson Lemos e Carol Lemos, acompanhados de seu balé, surgem com pinturas corporais e adornos como penas e cocares, executando coreografias que remetem a rituais indígenas. A sonoridade da produção reforça essa estética ao utilizar cantos de pássaros e uma letra composta por termos como "flecha", "tribo" e "guerreira", consolidando uma narrativa inspirada nos povos originários.

No entanto, a divulgação do material atraiu o olhar crítico da ativista indígena Nice Tupinambá. Em vídeo publicado em suas plataformas digitais, Nice questionou a abordagem da banda, classificando o uso das referências como estereotipado e sem fundamentação cultural. A ativista enfatizou a necessidade de respeito à simbologia dos povos indígenas, pontuando que a representação feita pela AR-15 reforça visões superficiais e descontextualizadas sobre as comunidades tradicionais.

VEJA MAIS

[[(standard.Article) Carol Lemos, da Banda AR-15, homenageia Ruthetty durante gravação do novo audiovisual de Nirah ]]

image 'As Coelhetes': relembre grupo feminino que marcou o tecnobrega e voltou a bombar nas redes
Hit da banda AR-15 está colocando tecnobrega novamente nos holofotes

image Banda AR-15 prepara DVD nacional e novos lançamentos
Harrisson e Carol Lemos revelam planos para a gravação do primeiro DVD da banda, aproveitando a COP30, e destacam a importância da união dos artistas paraenses

“Gente, vocês que me conhecem há mais tempo aqui nessa rede, sabem que eu não sou de trazer pautas vaziadas ou superficial. Eu tenho muito compromisso naquilo que eu falo e faço. Construí uma carreira no jornalismo que eu tenho muito orgulho de ter chegado até aqui. E eu sou ativista em defesa do meio ambiente e dos povos originários, que são lutas que me custam muito. E eu não sou o tipo que entra em qualquer assunto só pra ganhar likes e eu viralizar. Eu gostaria muito de viralizar, sim, mas com o meu trabalho, com aquilo que eu faço”, começou dizendo a ativista.

Nice explicou que sua intenção é sempre pautar temas que destaquem a importância e a resistência dos povos originários. Além disso, deixou claro que seu posicionamento não configura um ataque direto à banda, aos artistas ou ao movimento do brega e das aparelhagens, mas sim um convite ao diálogo.

“Não é um ataque, mas é chamado à reflexão. Colocar a mão na consciência e procurar se atualizar, se informar. Não custa nada, gente, dar ouvido à voz dos povos indígenas. Tribo é um termo pejorativo, não se usa mais. Também não dá pra se fantasiar de indígena e ir dançar. Por que não chamar os povos indígenas pra construir junto? Por que não colocar indígena no clipe, dançando? Porque os povos indígenas estão aqui pra falar por si. Cada grupo, cada agrupamento, tá aqui pra falar por si. E não adianta comparar com o Parintins, porque em Parintins, os bois, eles têm indígena nos seus componentes. Os indígenas estão lá construindo junto e tem propósito, tem pauta”, refletiu.

A ativista ainda detalhou as batalhas reais travadas pelas comunidades para que suas vozes sejam ouvidas: “São as lutas reais que a gente trava aqui fora em defesa da floresta, em defesa da vida dos povos indígenas, é contra a mineração, é contra o desmatamento. É totalmente diferente do que um vídeo fora de contexto, fantasiado de indígena e chamando de tribo. A gente pode mudar ainda isso”.

Ao finalizar seu posicionamento, Nice sugeriu uma construção musical mais inclusiva: “Eu acho que dá pra regravar a música, que tá muito bonita, eu acho que ela tá muito dançante, mas dá pra gente dançar muito nas festas e chamar o povo indígena pra construir junto. Que tal botar um balé de indígena dançando?”.

Fundada em 2006 por Harrisson Lemos, a Banda AR-15 consolidou-se no cenário paraense. A nomenclatura surgiu de uma conversa entre o vocalista e seu pai, que buscavam um nome curto e de impacto, originando o slogan "Banda AR-15: disparando o sucesso". Em bate papo ao O Liberal, ele contou que o nome faz referência a uma metralhadora, mas no caso da banda, ela só dispara sucesso, por no meio do tecnobrega a musica é conhecida como “bala”.

A aparelhagem Tupinambá utiliza em sua trajetória termos como "guerreiro" e "tribo", reafirmando sua identidade ao incorporar fortes referências aos povos originários em sua estética e sonoridade. Inclusive, os DJs usam cocas nas suas apresentações.

 

Assine O Liberal e confira mais conteúdos e colunistas. 🗞
Entre no nosso grupo de notícias no WhatsApp e Telegram 📱
Música
.
Ícone cancelar

Desculpe pela interrupção. Detectamos que você possui um bloqueador de anúncios ativo!

Oferecemos notícia e informação de graça, mas produzir conteúdo de qualidade não é.

Os anúncios são uma forma de garantir a receita do portal e o pagamento dos profissionais envolvidos.

Por favor, desative ou remova o bloqueador de anúncios do seu navegador para continuar sua navegação sem interrupções. Obrigado!

RELACIONADAS EM MÚSICA

MAIS LIDAS EM CULTURA