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Álbum reúne artistas independentes da periferia de Belém

Entre as faixas do 'Projeto Moa: Pelas Fitas - Vol. II' está o único registro fonográfico da Mestra Cenira Verequete, recém falecida.

Redação Integrada

A música autoral e independente de dez artistas da periferia de Belém chega às plataformas digitais nesta sexta-feira, 23, por meio do álbum “Projeto Moa: Pelas Fitas - Vol. II”. O lançamento traz Mestra Cenira do Verequete, viúva do Mestre Verequete recém falecida aos 75 anos, que nunca havia entrado em um estúdio de gravação, assim como os demais contemplados dentre variados gêneros musicais.

O Moa é um projeto de extensão da Faculdade de Economia da Universidade Federal do Pará (UFPA), que busca fomentar as cadeias de produção musical entre jovens das periferias de Belém. A primeira coletânea foi lançada em 2019 e, neste novo volume, os artistas foram selecionados entre 50 inscritos. O projeto é apoiado pela Lei Aldir Blanc, por meio da Secretaria de Cultura do Pará (Secult).

O álbum traz o único registro em estúdio de Mestra Cerina, que interpreta o carimbó autoral “Verequete Filho de Yemanjá”. A gravação teve as participações do Mestre Curica (banjo) e do Mestre Cancan (percussão e coro). Ela faleceu de complicações decorrentes da Covid-19, no último dia 5 de abril.

Outra atrações do álbum é o Da Janela, formado por Jonatas Pereira (vocal e violão) e Raíssa Martins (vocal). Eles são alunos da Faculdade de Música da UFPA e decidiram formar o duo em 2018. “A gente traz estilo indie mesclado com nova MPB com letras que falam da vida cotidiana e do amor”, conta Jonatas. Eles tocam a faixa “No mundo o mesmo som” no projeto.

“Foi uma experiência muito legal. A gente pôde ver que a primeira coletânea (lançada em 2019) foi um trabalho muito legal que ajudou a difundir novos artistas. E, através dessa vitrine, as pessoas também vão poder conhecer o nosso trabalho também”, comemora Jonatas.

Lucas Castanha (Albery Rodrigues/ Divulgação)

Já Lucas Castanha canta a faixa “Periférico”. “É um soul music que descreve a vivência de um morador da periferia, que está marginalizado e abandonado pelo planejamento das cidades. A letra fala: ‘Para quem nasce aqui, a sorte não existe’”. Começou a cantar, tocar guitarra e compor há 11 anos em bandas de rock. Essa foi a primeira gravação solo do artista.

“Esse lançamento representa que posso sonhar mais alto. A iniciativa vem de um projeto não governamental, mas de pessoas de origem periférica como nós, que vêm abrir as portas pra gente. Há muitos anos eu tinha o sonho de gravar o meu trabalho e não conseguia concretizar”, ressalta Lucas.

Outros artistas da coletânea são: a banda de hardcore THC, o duo de rap Canalha Cabano; o duo de pop eletrônico Belbit; o grupo de carimbó Pitiú de Cobra; a cantora LGBTQI+ Helena Ressoa, que gravou um samba; e os cantores Fresh Boy Seven, de rap, e Rei Williams, de pop romântico.

Uma das coordenadoras do projeto, professora Rebecca Braga, destaca que, além da diversidade musical produzida nas periferias de Belém, o álbum dá voz a jovens negros, mulheres, LGBTQI+, trabalhadores e moradores das periferias em letras que versam sobre resistência, injustiça e desigualdades sociais, mas também sobre amor, desejo e espiritualidade. 

A curadoria foi feita por jovens formados nas oficinas de produção de áudio e de produção cultural do Projeto Moa. A produção musical foi de Dan Bordallo e Leo Chermont, do estúdio Casarão Floresta Sonora, e do professor e produtor musical Giancarlo Frabetti, do selo Braçal Discos.

Música
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