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Compositora de carimbó e viúva do Mestre Verequete, Mestra Cenira, falece devido a covid-19

Cultura popular perde a mestra Josenilda Pinheiro da Silva artesã de instrumentos e compositora de carimbós

Vito Gemaque

A Covid-19 levou mais uma artista e defensora da cultura paraense na madrugada desta segunda-feira (05), a compositora e viúva do Mestre Verequete, Josenilda Pinheiro da Silva, mais conhecida como Mestra Cenira, que faleceu aos 66 anos. Envolvida com o carimbó e com a cultura popular, Cenira foi selecionada por um projeto para artistas inéditos e gravou em fevereiro deste ano a primeira música autoral intitulada “Verequete – O Rei do Mar”.

A gravação contou com a participação do amigo da família Mestre Curica. A música em fase de finalização infelizmente não pode ser ouvida pela compositora, que estava internada há 12 dias, no Hospital de Campanha do Hangar, em Belém. O velório ocorreu por volta do meio-dia desta segunda-feira (05) com poucas pessoas por causa do protocolo sanitário de prevenção à covid-19. Cenira foi enterrada no Parque das Palmeiras, em Marituba, mesmo lugar onde está sepultado o Mestre Verequete. 

Artesã há vários anos de instrumentos como tambores e maracás tinha uma pequena oficina em casa onde passava os ensinamentos adiante. Devido a pandemia do novo coronavírus, a oficina teve que interromper as atividades no bairro do Jurunas.

Mestra Cenira na oficina de instrumentos que montou em casa. (Arquivo familiar)

“Minha memória dela é sempre com o meu pai lutando pela cultura, e mesmo após a morte dele”, relembra a única filha da relação entre Cenira e Verequete, Lucimar Rodrigues. “Ela era uma mãe espetacular, que nunca abandonou a filha, sempre foi forte, mesmo depois de tudo o que passou. A gente sempre ficou focada, sempre encarou de maneira positiva a vida. Muito forte e muito guerreira”, complementou.

Um último sonho de Cenira foi poder gravar o primeiro carimbó composto por ela. Com 66 anos, a mestra foi selecionada pelo Projeto MOA - Centro de Produção Musical com Tecnologias Digitais para a 2º Coletânea de artistas que nunca tiveram a oportunidade de gravar profissionalmente. Segundo a filha, Cenira deixa mais de sete músicas inéditas.

Mestre Cenira (ao meio de preto), Mestre Cancan (camisa vinho), e Mestre Curica (camisa listrada) no dia da primeira gravação do Projeto MOA. (Divulgação Projeto MOA)

A composição de carimbós foi uma das últimas ações culturais que a mestra estava se dedicando. “O Mestre Curica fazia parte do grupo do papai, e ficou a amizade com a família. Quando ela foi selecionada chamou e ele disse ‘eu vou sim’”, lembra Lucimar.

A coordenadora do Projeto MOA, Rebecca Braga, lembra do dia que Mestra Cenira esteve no estúdio. “Foi uma felicidade muito grande, a dona Cenira, nunca tinha gravado, e estava gravando uma composição dela junto com alguns companheiros do carimbó. O Mestre Curica gravou o banjo para ela, e foi muito emocionante. Estamos muito consternados com a notícia e muito tristes. A gente queria muito que ela tivesse visto o material lançado. Ela falava com muito carinho dessa oportunidade que teve de gravar”, destaca. A 2ª coletânea do MOA com a música “Verequete – O Mestre do Mar”, da mestra Cenira, tem previsão de ser lançada no final da próxima semana. 

Música
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