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Livro conta a história de Clara Pandolfo, cientista da Amazônia

Professora, pesquisadora e primeira química formada na região Norte, a paraense teve papel relevante na defesa da floresta

O Liberal
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A história de uma paraense que viveu à frente do seu tempo, lutando pelo desenvolvimento sustentável da Amazônia e ocupando espaços dominados pelos homens desde o início do século XX. A vida e o trabalho de Clara Pandolfo estão no livro “Clara Pandolfo, uma cientista da Amazônia”, de autoria do jornalista, historiador e escritor Murilo Fiuza de Melo, que será lançado no dia 1º de setembro, no Palacete Faciola, em Belém.

image Clara Pandolfo recebe o Prêmio Paulo Maranhão (Divulgação/ Divulgação Clara Pandolfo)

O livro faz parte de um grande projeto, que inclui ainda um minidocumentário sobre a vida de Clara e um site, além de ciclo de palestras com estudantes de ensino médio e de universidades do Pará. O objetivo é resgatar a história da grande cientista paraense, hoje pouco conhecida pelas novas gerações da Amazônia e do país. O livro e o minidoc podem ser baixados gratuitamente em www.clarapandolfo.online. O site entra no ar em 1º de setembro. O projeto tem a Vale como patrocinadora master e o Instituto YDUQS como patrocinador na cota de apoio.

Pioneira na emancipação feminina, Clara Pandolfo foi a primeira mulher a se formar em química na região Norte, aos 17 anos, em 1929, e uma das cinco primeiras do país. “Clara Pandolfo lutou muito para conseguir realizar seus objetivos pessoais e profissionais. Enfrentou, desde os anos 1930, diversas barreiras impostas às mulheres e que perduram até hoje, mas conseguiu deixar um relevante legado de vida pública”, afirmou o escritor Murilo Fiuza de Melo, autor do livro e neto da cientista.

Clara Pandolfo utilizou conceitos de economia e ecologia para idealizar o manejo florestal sustentável décadas antes dessa técnica ser implementada no país. “A única ocupação econômica que não destrói a cobertura florestal é a exploração florestal organizada, que permite a utilização desses recursos indefinidamente”, afirmou, em maio de 1972.

A cientista foi visionária ao ter a ideia de usar satélites para detecção de desmatamento ilegal na Amazônia. Em 1973, como diretora de recursos Naturais da Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia (Sudam), ela fechou um convênio com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) para testar a ferramenta em uma área de floresta no nordeste do Mato Grosso. “Clara Pandolfo viabilizou o sensoriamento por satélite no Brasil e deu justificativa mais que plausível para que o país entrasse nesse programa espacial. Teve uma visão extraordinária”, afirmou Antonio Tardin, pesquisador aposentado do INPE, em entrevista ao jornalista.

Coordenador da pesquisa no Mato Grosso, concluída em 1975, Tardin foi um dos criadores do Prodes, programa do INPE, hoje referência no monitoramento deste tipo de controle ambiental. Ao saber dos resultados do estudo contratado por Clara na Sudam, o Instituto Brasileiro de Desenvolvimento Florestal (IBDF), órgão que antecedeu o Ibama, “ficou com ciúmes”, como diz Tardin, e assinou um convênio com o INPE para realizar o primeiro levantamento do desmatamento da Amazônia Legal, usando as imagens de satélite. O projeto foi lançado em 1979 e o relatório final, publicado no ano.

Voto feminino

Filha do comerciante português Albano Augusto Martins e da paraense Judith Barreau do Amaral Martins, Clara Barreau do Amaral Martins nasceu em Belém, no dia 12 de junho de 1912. Nos anos de 1930, conheceu Rocco Raphael Pandolfo, gaúcho de Porto Alegre que se mudara para a capital paraense no fim da década de 1920 em busca de emprego. Os dois se casaram em 1936, quando Clara adotou o sobrenome que passou usar na vida profissional. O casal viveu junto por 50 anos e teve três filhos: Vera, Sérgio (o médico ginecologista e escritor Sérgio Pandolfo) e Maria Lúcia.

Na década de 1930, já casada, Clara e a irmã mais velha, Olímpia, tiveram participação ativa na luta pelo voto feminino. Foram eleitas diretoras do Núcleo Paraense pelo Progresso Feminino, que representava no Pará a Federação Brasileira pelo Progresso Feminino, criada pela bióloga e feminista paulista Bertha Lutz. Em 1932, muito por causa da pressão das sufragistas, o Congresso Nacional aprovou o Código Eleitoral que reconheceu o direito das mulheres de eleger e de se candidatar a cargos políticos.

Em 1930, Clara graduou-se pela então Escola de Chimica Industrial do Pará. Como trabalho de graduação, apresentou a monografia “Contribuição ao estudo químico das plantas amazônicas”, ponto de partida para uma trajetória pessoal e profissional voltada à discussão das questões regionais e à utilização dos recursos naturais amazônicos. Na capital paraense, a Escola de Chimica Industrial foi abrigada nas instalações do Museu Comercial, criado pela Associação Comercial do Pará em maio de 1918, como forma de divulgar as matérias-primas da Amazônia.

Diretora da Escola de Química Superior do Pará antes da sua incorporação pela Universidade Federal do Pará (UFPA), de janeiro de 1961 a janeiro de 1964, a cientista conseguiu implantar o Laboratório de Análise Espectral, inaugurado em 1963, por meio de convênio com a Superintendência do Plano de Valorização Econômica da Amazônia (SPVEA), instituição que antecedeu a Sudam. O laboratório contava com equipamentos de ponta comprados no exterior.

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