Irituia recebe gira que destaca protagonismo feminino no carimbó
Evento reúne formação artística, mostra audiovisual e roda de carimbó para destacar o protagonismo feminino e de pessoas LGBTI na cultura paraense
Na semana em que se celebra o Dia Internacional de Luta das Mulheres, o município de Irituia, no nordeste paraense, receberá neste sábado (7), a Gira Mulheres e LGBTPQA+ na Roda de Carimbó, uma intervenção cultural que reunirá formação artística, audiovisual e debates sobre a presença feminina e pessoas da diversidade na tradição do carimbó. A iniciativa é realizada pelos grupos Carimbó Volta ao Mundo e Flor de Irituia, com apoio da Política Nacional Aldir Blanc.
A programação acontecerá na Associação Mãos Amigas de Irituia (AMAI), a partir das 9h, e contará com vivência de ritmos com instrumentos como banjo, tambor e maracá, oficina de adereços, mostra audiovisual do Cineclube Mulheres no Carimbó, roda de conversa sobre os 11 anos do reconhecimento do carimbó como patrimônio cultural e uma grande roda de encerramento com grupos e participantes das oficinas.
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Segundo a fundadora do Carimbó Volta ao Mundo, Elis Tarcila, a proposta é criar um espaço de encontro, aprendizado e troca de experiências. A roda será voltada principalmente para mulheres, crianças e pessoas da diversidade, incentivando a participação em atividades ligadas ao carimbó, desde a música até a produção cultural. Para ela, ações desse tipo ajudam a fortalecer a salvaguarda do patrimônio cultural ao aproximar novas gerações dos saberes tradicionais. “Realizar eventos onde podemos compartilhar o que sabemos principalmente com jovens e crianças é garantir a continuidade do Carimbó”, enfatiza Elis Tarcila.
A escolha de Irituia como sede desta edição da atividade também tem relação com a força da tradição local. De acordo com a cofundadora do projeto, Andrezza Mota, o município possui uma forte relação comunitária com o carimbó e vem registrando avanços na presença feminina dentro dos grupos. “É um território onde o carimbó já pulsa de forma coletiva e onde mulheres vêm rompendo barreiras históricas, ocupando espaços como o tambor e o canto”, destaca.
Embora as mulheres sempre tenham feito parte da cultura do carimbó, na dança, na produção das festas e na confecção de figurinos, muitos espaços de destaque permaneceram por muito tempo restritos aos homens. Hoje, segundo as organizadoras, cresce o número de mulheres que atuam como compositoras, instrumentistas, cantoras e articuladoras culturais.
A programação também pretende estimular reflexões sobre o papel das mulheres na preservação da tradição. Desde que o carimbó foi reconhecido como patrimônio cultural do Brasil pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, em 2014, aumentou o número de grupos formados exclusivamente por mulheres no Pará, fortalecendo redes de colaboração e ampliando a presença feminina em atividades antes dominadas por homens.
Além da roda de carimbó, o público poderá participar de oficinas, assistir a produções audiovisuais realizadas por mulheres ligadas ao ritmo e acompanhar uma roda de conversa sobre memória, tradição e futuro do carimbó. A expectativa é que o encontro fortaleça o intercâmbio entre grupos e reafirme o carimbó como espaço de cultura, pertencimento e resistência.
Programação completa:
- 9h – Vivência de ritmos (banjo, tambor e maracá)
- 15h – Oficina de adereços
- 16h – Mostra de filmes e videoclipes (Cineclube Carimbó das Mulheres)
- 17h – Roda de conversa: Carimbó patrimônio cultural – 11 anos de registro e as mulheres no Carimbó
- 18h – Roda de Carimbó com participantes da oficina e grupos convidados
Serviço
Gira Mulheres e LGBTPQA+ na Roda de Carimbó
Data: 7 de março
Horário: a partir das 9h
Local: AMAI – Associação Mãos Amigas de Irituia
(Riulen Ropan, estagiário de Jornalismo, sob supervisão de Abílio Dantas, coordenador do núcleo de Cultura)
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