'Flor do Grão-Pará': canção de Chico Sena que imortaliza Belém

Música, gravada por ele nos anos 1980, tornou-se referência para a saudade e amor de quem conhece e ama a capital paraense

Eduardo Rocha
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A canção “Flor do Grão-Pará”, do cantor e compositor paraense Chico Sena (1961–1986), tornou-se uma das mais emocionantes homenagens musicais à cidade de Belém, que completa 410 anos nesta segunda-feira (12). Conhecida desde os anos 1980 (no disco VI Festival da FCAP 1985/86),  a canção traduz um amor singular pela “Cidade das Mangueiras” e consolidou definitivamente o nome de Chico Sena na memória afetiva dos paraenses. Nascido em Abaetetuba, em 7 de abril de 1961, Chico teve vida breve, falecendo aos 25 anos (27 de abril de 1986), mas deixou obra marcante. Desde adolescente, já compunha, cantava e tocava, tendo parcerias com nomes como Paulo André Barata, Príncipe, Alfredo Reis e Ademir do Cavaco. Segundo a irmã, a cantora Alba Mariah, ele vivia intensamente para a música e carregava o violão para todos os lugares, compondo quase o tempo todo.

Para se ter uma ideia da força da composição de Chico Sena, quando Belém completou 400 anos, isto é, há dez anos, a TV Liberal fez uma enquete para saber qual música era a cara de Belém. E a vencedora foi "Ao Pôr do Sol", de Firmo Cardoso e Dino Souza, seguido por "Flor do Grão-Pará". 

Chico era ao mesmo tempo introspectivo e expansivo, com forte presença artística e “vozeirão” marcante. Canhoto, aprendeu a tocar observando o irmão e usando o espelho para adaptar as posições no violão. Sua morte foi profundamente sentida por familiares e admiradores, e Alba faz questão de esclarecer que não ocorreu por suicídio, mas em decorrência de uma queda, conforme laudo médico.

 Como Alba diz: “O laudo, a necrópsia do Chico prova que ele caiu, pelo fato do impacto do corpo com o solo, a proximidade da parede. Uma pessoa que se suicida se projeta no ar para cumprir, uma pessoa que cai, ela cai rente à parede. Todo mundo acha que o Chico se matou, mas ele não se matou, ele caiu”.

Memória

A memória do compositor segue viva em shows e gravações. Alba apresentou recentemente o espetáculo “Belém, a Flor do Grão-Pará” e concretiza o lançamento do álbum “Rastro de Saudade, Chico Sena por Alba Mariah”, inspirado em lembranças sobre o compositor e seu legado para a música paraense. O projeto será lançado em três partes, começando no aniversário de Belém, e reúne canções de Chico e parcerias, como “Cometa”, dele com a irmã. Vai se dar nas plataformas digitais e com um show de Alba Mariah. 

image Cantora Alba Mariah: saudade do irmão Chico Sena expressa em interpretações das canções dele (Foto: Giz Filmes)

Nesta segunda-feira (12), Aniversário de Belém, Alba vai lançar a primeira parte de “Rastro de Saudade, Chico Sena por Alba Maria”, projeto com sete músicas e quatro vinhetas. 

“Rastro de Saudade” vai sair em três partes: Dia 12 - “Flor do Grão-Pará” e mais duas músicas; em 18 de fevereiro, aniversário de Alba, sairão mais duas canções, e o restante do álbum em 7 de abril, aniversário de Chico, no Teatro Margarida Schivasappa, no Centur. O álbum foi gravado ao vivo no ponto de cultura Flor da Lua, na área da Feira do Açaí.

O trabalho retoma também lembranças de gravações anteriores dedicadas ao compositor, como o CD “Chico Sena – Série Música e Memória Vol. 3”, da UFPA, de 1996, em que Alba registrou “Rua Solidão”, parceria de Chico com o poeta João de Jesus Paes Loureiro.

Apaixonante

Para Paes Loureiro, Chico Sena deixou à música do Pará um legado de originalidade e sentimento profundamente paraense. “Flor do Grão-Pará” é vista por ele como "uma crônica amorosa de Belém, retrato sensível de uma época". O poeta lembra ainda a alegria simples do compositor e um episódio em que Chico insistiu em comprar um violão desejado; contratado para aulas-show em escolas, conseguiu finalmente adquiri-lo e o apresentou com entusiasmo no gabinete do poeta, então titular da Secretaria Municipal de Educação de Belém (Semec).

“Ele queria porque queria um violão vendido por um violonista em São Paulo. Não saía de meu gabinete na Semec (Paes Loureiro era o titular da Secretaria). Contratei-o para fazer 20 aulas-show em escolas e, com o pagamento, ele pôde comprar o violão loucamente desejado. No dia em que recebeu, foi ao meu gabinete, tirou o violão da caixa e começou a cantar e tocar, atraindo para a sala as assessorias e quem aguardava para ser atendido!”.

Entre canções, lembranças e homenagens, a obra de Chico Sena permanece viva. Seu corpo pode ter partido cedo, mas seu canto segue ecoando na história de Belém e na emoção de quem escuta “Flor do Grão-Pará”, reafirmando que um verdadeiro artista não morre: permanece em sua criação.

 

Flor do Grão-Pará

Chico Sena

Rosa flor, vê quanta mangueira
e o cheira-cheira do tacacá.
Meu amor, ata a baladeira,
embalança a beira do rio mar.

Belém, Belém, acordou a feira
que é bem na beira do Guajará.
Belém, Belém, menina morena,
vem ver o peso do meu cantar.
Belém, Belém, és minha bandeira,
és a flor que cheira no Grão-Pará.

Belém, Belém do Paranatinga,
do Bar do Parque, do bafafá.
Bem-te-vi, sabiá, palmeira,
não, não baladeira, deixa voar.

 

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