CONTINUE EM OLIBERAL.COM
X

Filme animado sobre Afuá estreia na Mostra de Cinema de Tiradentes, em Minas Gerais

'Bici, A História de Uma Bicicleta no Afuá' será exibido no dia 31 de janeiro e retrata a cidade paraense onde só circulam bicicletas

Gustavo Vilhena*
fonte

O curta-metragem de animação “Bici, A História de Uma Bicicleta no Afuá” estreia na 29ª Mostra de Cinema de Tiradentes, no dia 31 de janeiro, às 19h30, no Cine Petrobras na Praça, na cidade de Tiradentes, em Minas Gerais. O filme é dirigido por Otoniel Oliveira e tem roteiro assinado por Marina Quadrelli, com produção do Iluminuras Estúdio de Animação.

Nascido a partir de uma pesquisa de campo realizada em Afuá, no arquipélago do Marajó, o projeto foi desenvolvido a partir dos cenários de uma nova série de animação, que está em fase de produção e também tem estreia prevista para este ano.

VEJA MAIS

image Grammy 2026: Sabrina Carpenter cantará na premiação
Em 2026, Carpenter performa na premiação pelo segundo ano consecutivo

image Filme 'Nosso Segredo', estreia de Grace Passô na direção, é selecionado para o Festival de Berlim
Produção brasileira participa da mostra Perspectives, dedicada a novos realizadores, na 76ª Berlinale

Nos primeiros contatos com a cidade, a equipe buscava referências visuais para um universo ficcional inspirado em sociedades ribeirinhas. No entanto, a experiência em Afuá acabou direcionando o olhar para uma característica singular do município: a circulação exclusiva de bicicletas, determinada por legislação municipal que proíbe veículos motorizados.

“BICI, A História de Uma Bicicleta no Afuá”

Afuá e a cidade que se move sobre bicicletas

Em Afuá, as casas de madeira são construídas sobre palafitas para não serem atingidas pelas águas durante o período de cheias. As ruas, em sua maioria, são passarelas de madeira, embora algumas já sejam de alvenaria. Nesse cenário, a bicicleta se tornou o principal meio de transporte da população.

“A ideia era fotografar e desenhar Afuá como referência para um mundo fantástico baseado nas sociedades ribeirinhas, como sempre conversei com a equipe de cenaristas do Iluminuras. Mas, quando chegamos lá, pensamos que, além de uma inspiração para a ficção, poderíamos falar daquela cidade que só anda de bicicleta”, explica o diretor Otoniel Oliveira.

Inicialmente, a pesquisa teve como foco a arquitetura local e as moradias. Com o avanço do projeto, a equipe decidiu centrar a narrativa justamente na relação da cidade com as bicicletas, transformando essa vivência em um filme de animação.

Animação sem uso de inteligência artificial

A história acompanha Bici, uma bicicleta que ganha sentimentos e pensamentos próprios e assume o papel de protagonista da animação. Segundo a roteirista Marina Quadrelli, a escolha reforça reflexões sobre existência, envelhecimento, pertencimento e utilidade dentro de uma sociedade.

“Por que não colocar uma bicicleta no centro de tudo? Trazer Bici como uma protagonista feminina passa pela discussão sobre o que é viver, envelhecer e pela ideia de utilidade e pertencimento em uma sociedade”, afirma Marina.

Outro aspecto central do projeto é a opção por não utilizar inteligência artificial em nenhuma etapa da produção. A animação foi desenvolvida de forma tradicional, quadro a quadro, com todo o processo feito manualmente.

“Nós já estávamos bem mergulhados nas comunidades ribeirinhas por causa da série, mas acho que vivenciar uma cidade completamente à base da bicicleta foi muito inspirador”, acrescenta a roteirista.

Produção artesanal e trilha sonora acústica

O diretor Otoniel Oliveira destaca que a decisão de não usar IA foi também filosófica. Segundo ele, a proposta era valorizar o caráter humano da produção, em diálogo com a simplicidade da bicicleta.

“Não usamos IA em nenhuma parte do filme, em nenhuma etapa. Foi uma escolha filosófica, já que queremos celebrar essa tecnologia simples e pura que é a bicicleta. Tudo foi escrito e animado à mão, pintado à mão, e a trilha sonora foi feita usando somente violão acústico. Um trabalho humano, um filme humano sobre uma das invenções tecnológicas mais humanas: a bicicleta”, afirma.

Além da direção de Otoniel Oliveira e do roteiro de Marina Quadrelli, “Bici, A História de Uma Bicicleta no Afuá” tem produção de Victoria Rodrigues, produção executiva de Andrei Miralha, trilha sonora original no violão assinada por Aron Miranda e supervisão de animação de Caio Graco.

(*Gustavo Vilhena, estagiário de Jornalismo, sob supervisão de Abílio Dantas, coordenador do núcleo de Cultura)

Assine O Liberal e confira mais conteúdos e colunistas. 🗞
Entre no nosso grupo de notícias no WhatsApp e Telegram 📱
Cultura
.
Ícone cancelar

Desculpe pela interrupção. Detectamos que você possui um bloqueador de anúncios ativo!

Oferecemos notícia e informação de graça, mas produzir conteúdo de qualidade não é.

Os anúncios são uma forma de garantir a receita do portal e o pagamento dos profissionais envolvidos.

Por favor, desative ou remova o bloqueador de anúncios do seu navegador para continuar sua navegação sem interrupções. Obrigado!

ÚLTIMAS EM CULTURA

MAIS LIDAS EM CULTURA