Festival do Açaí abre espaço para a cultura do Marajó

Programação terá apresentação dos bois Estrela Dalva e Malhadinho em São Sebastião da Boa Vista

Vito Gemaque

Dois bois-bumbás tradicionais participam do 30º Festival do Açaí de São Sebastião de Boa Vista, no Marajó, neste final de semana, de 13 a 15 de setembro. As apresentações dos dois bois-bumbás, o Estrela Dalva e o Malhadinho, pretendem colocar para dançar centenas de brincantes nos cordões, pelas ruas da cidade, como um verdadeiro teatro ao ar livre, reunindo moradores e turistas.

O município de São Sebastião da Boa Vista está localizado no meio do caminho entre Belém e Breves, no Marajó. O local recebe tanto turistas de cidades vizinhas, quanto da capital. A cidade é uma forte produtora de açaí.

O grupo Malhadinho, coordenado por Weder Amaral, faz segredo sobre o tema e antecipa apenas que irá abordar a lenda do açaí, que remonta às tribos indígenas que ali viviam há séculos. Segundo a lenda, as tribos conviviam com a escassez de alimentos e o cacique Itaki decidiu sacrificar as crianças para evitar o aumento populacional.

A filha do cacique, chamada Iaçã, ficou grávida e deu a luz a uma menina que também foi sacrificada. Após a tragédia, a moça chorou muito e suas lágrimas caíram sobre uma palmeira que cresceu e passou a dar frutos que foram batizados de açaí, o nome dela ao contrário. O fruto foi colhido e feito um suco que serviu para alimentar a aldeia.

Já o grupo Estrela Dalva, dirigido por Natalye Teixeira, vem abordando a "tradição, amor e cultura, a história de um povo". O grupo foi fundado há 65 anos por Sebastião dos Santos, um marajoara que viveu tempos no nordeste brasileiro e depois nas cidades de Parintins e Cametá. Ao decidir criar um cordão de boi, convidou alguns amigos para compartilhar do sonho. Durante a reunião, que se estendeu pela madrugada, ficou traçado o plano do boi, mas faltava criar um nome. A Estrela Dalva despontou no céu brilhando e não houve dúvidas sobre o nome do grupo.

As apresentações não envolveram disputas entre os bois ou premiação. Os grupos ainda hoje se organizam para os folguedos graças aos seus associados e beneméritos, com apoio financeiro da Prefeitura Municipal. As músicas entoadas durante os cordões geralmente são compostas pelos grupos brincantes, que fazem das letras uma forma de crítica ou de reconhecimento ao momento político e social do país e da região.

O Estrela Dalva deverá desfilar com a cor tradicional, o amarelo, e o Malhadinho de vermelho e branco, cores adotadas nos últimos anos. Além dos bois, o festival trará artistas nacionais e regionais, além de disputas de remo, de quem consume mais açaí em menor tempo e outras brincadeiras.

Cultura
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