Atriz paraense Luiza Braga é protagonista do longa 'Uma noite não é nada’

Filme tem o ator Paulo Betti no elenco e estreia este mês na capital paraense

Vito Gemaque

Uma jovem de 19 anos dependente química que descobre ser soropositiva com uma vida de autodestruição, no ano de 1986, e se envolve amorosamente com o professor de física do supletivo. Esta é a história de Márcia no filme “Uma Noite não é Nada”, do diretor Alain Fresnot, que tem previsão de estreia no início deste mês nos cinemas comerciais de Belém.

A protagonista foi uma das experiências mais marcantes na carreira profissional da atriz paraense Luiza Braga, de 31 anos, que está em São Paulo desde 2013. O longa conta com o ator Paulo Betti interpretando o professor Agostinho, homem infeliz e em crise no casamento.

“Entrei neste filme com um grande desafio na mão de viver uma protagonista com muitos conflitos, que se descobre soropositivo ao longo da história. Ela tem todo um comportamento autodestrutivo. Considero a Márcia um copo meio cheio d’água, que a cada gota transborda. Ela realmente vive um dia de cada vez”, conta Luiza sobre a personagem. O filme mostra como a solidão e a falta de esperança levam os indivíduos a buscarem refúgio nas drogas.

Para conseguir interpretar a personagem, Luiza conviveu durante 40 dias com mulheres dependentes químicas, e algumas soropositivos, em dois abrigos da Zona Sul de São Paulo. Um professor e psiquiatra da Universidade de Campinas (Unicamp), especialistas no vício em cocaína injetável, ainda a ajuda a entender o que a droga causa ao corpo dos usuários.

“As grandes vivências serviram para descobrir as motivações de usar drogas, que lugar de vazio é esse que leva uma pessoa a se autodestruir nesse nível. Percebi que as pessoas têm um fundo de olho vazio, elas vivem com falta de perspectiva e de sonho, não tem nada para o futuro. É tudo para o agora”, complementa.

O momento em que o filme se passa também foi estudado pela atriz. Diferentemente de hoje, na década de 1980, ser diagnosticado com HIV era muito diferente. “Naquele momento receber uma notícia de HIV era uma sentença de morte. A personagem vem de uma classe social pobre e tem que lidar com essa notícia de que vai morrer, porque era isso que significava em 1980. Para mim como atriz foi um desafio gigantesco, é uma ausência de futuro gigantesca”, enfatiza.

A possibilidade de trabalhar com o premiado ator Paulo Betti deu à paraense a oportunidade de aprender muitas coisas na atuação no cinema. “Foi um presente! Foi fundamental ter um ator generoso de trabalhar como o Paulo, já que tinham muitas cenas tecnicamente difíceis, tem cenas de abusos, de nu, de consumo de drogas. Cenas difíceis de fazer emocionalmente, é um lugar que eu não tinha vivenciado. O Paulo foi muito acolhedor, ter uma pessoa com muita experiência e generosidade foi muito importante”, relata.

Atriz Luiza Braga está radicada em São Paulo desde o ano de 2013 (Aline Arruda/Divulgação)

Aos 31 anos, atriz tem experiência em produções para TV, cinema e teatro

A paraense começou a ganhar gosto pela atuação aos 10 anos, quando cursou teatro na escola. A paixão pelas artes cênicas a levou a investir em cursos na Escola de Teatro e Dança da Universidade Federal do Pará, onde também concluiu o ensino superior de Teatro. Aos 31 anos, Luiza Braga está se preparando para a peça “Ninho”, em São Paulo, o primeiro espetáculo do coletivo de teatro homônimo. A peça tem direção de Chris Ubach e Fernanda Viacava e tem lançamento previsto para o início de outubro.

Luiza soma mais de uma dezena de peças no currículo, entre elas ‘Like Bruce Lee’ e ‘História dos Porões’. A última lhe rendeu o título de atriz revelação pelo jornal O Estado de São Paulo. O primeiro trabalho na tela grande foi o longa ‘Serra Pelada’, dirigido por Heitor Dhalia e gravado em Belém, cidade onde cresceu. Ir para a telona foi um desafio e ao mesmo tempo uma descoberta prazerosa para Luiza. “É muito interessante para um ator, principalmente quando temos uma formação de Teatro, já vir com o desafio de uma protagonista. Eu sou formada na Escola de Teatro e Dança em Belém e fiz teatro durante muitos anos”, revela.

A atriz ainda participa de um projeto voltado para as crianças em São Paulo. No primeiro trimestre deste ano, a atriz fundou a Casa Laço na Vila Mariana, um espaço cultural de teatro, dança e música para crianças. Aos finais de semana, a casa oferece saraus e eventos para crianças e adultos. Na televisão, participou da série ‘Natureza Morta’, do Canal Brasil, protagonizada pela atriz Nanda Costa em 2017 e também da série ‘PSI’ do canal HBO no mesmo ano. Em 2018, participou da série ‘O Negócio’ também da HBO.

Também em 2018, ela atuou no longa-metragem ‘Helen’, em que interpreta uma jovem mãe cabeleireira com dificuldades para se aproximar da filha de nove anos. Um papel completamente diferente do que viveu em “Uma noite não é nada”. O elenco tem a atriz Marcela Cartacho, que interpreta a avó de Helen no filme, ganhadora do prêmio de melhor atriz no Festival de Gramado, e Tony Tornado.

A história se passa no bairro do Bexiga em São Paulo. “O filme é em outro tom. Eu interpreto uma mãe super jovem que é cabeleireira que tem a filha criada pela avó. Ela tem uma relação conturbada com a filha e a história se desenrola na relação entre as três mulheres”, explica. O filme tem previsão de estreia no início de 2020.

Cinema
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