Longa Rio de Sangue aposta no realismo da Amazônia com 100% das gravações no Pará
Em entrevista exclusiva, o diretor Gustavo Bonafé detalha a logística de filmar no Tapajós e a importância da consultoria de Val Munduruku para a obra
No próximo dia 16, estreia o filme Rio de Sangue, 100% gravado no Pará. Com Giovanna Antonelli, Alice Wegmann, Felipe Simas, Antônio Calloni, Sérgio Menezes, Fidélis Baniwa e Ravel Andrade no elenco, a obra foi toda gravada em Santarém, oeste paraense. Dirigido por Gustavo Bonafé, o filme destaca a relação de mãe e filha diante de crimes vivenciados por elas na região.
“O filme, desde o começo, falava sobre o garimpo ilegal na Amazônia, então a gente não tinha dúvida de que a gente tinha que ir para algum lugar para contar essa história. E aí a gente ficou entre Rio Negro e Tapajós e onde que a gente podia fazer. O roteiro acabou caminhando para se passar em Jacareacanga, que é próximo ao Tapajós; a gente começou a procurar, então, onde a gente consegue filmar nas águas do Tapajós sem estar muito longe de uma civilização onde a gente consiga estar com equipe. Como é que a gente vai procurar esse lugar onde a gente consiga estar próximo da natureza que o filme pede, sem deslocamentos enormes, sem precisar levar 60, 70, 80 pessoas para o meio da mata? Porque aí você requer uma estrutura que a gente, muitas vezes, não tem, etc. e tal. E quando a gente começou essa pesquisa, a gente tinha dois desafios maiores, que eram achar o lugar do garimpo e esse rio”, relembra.
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Durante esse trajeto, Daniel Caldeira, produtor do filme, esteve em Alter do Chão e observou a distância entre o local e Santarém. Ao pesquisar a região no Google Maps, o diretor Gustavo Bonafé ficou ainda mais decidido a gravar no Pará. Um dos fatores determinantes para a escolha foi a existência de uma olaria no local, que serviria de cenário para a trama sobre o garimpo ilegal. A produção, que transforma as paisagens paraenses em diversos cenários da narrativa, buscou no diálogo com lideranças locais a base necessária para retratar, com fidelidade, a complexidade desse tema.
“Ficamos hospedados em um hotel que, a 15 minutos de lá, você já está saindo às margens do centro de Santarém e o encontro das águas, do Tapajós com o Amazonas. Se você for para um lado, você vai pegar uns afluentes do Amazonas, que são super lindos, que estão no filme também; e se você for para o outro, você já está indo em direção àquela imensidão que é o Tapajós. Então, a gente acabou optando por esse lugar, pela cidade de Santarém, e porque a gente conseguia estar próximo da ‘civilização’, onde dava para abrigar todo mundo, dava para todo mundo ficar hospedado e estava próximo de locações muito interessantes, que traziam o cenário que a gente precisava, enquanto exuberância da natureza e o rio, o tamanho do rio”, acrescenta.
Toda essa admiração pela região é retratada pelo diretor em Rio de Sangue. Ele contou, em entrevista exclusiva, que essa imensidão citada por ele também ganha ainda mais valor na recepção encontrada pela equipe em Santarém e Alter do Chão. Porém, Gustavo destaca que em nenhum momento pensou em sair desse cenário para obter uma cenografia do local em outra região do país.
“A opção pelo cenário vem mais porque, de fato, o garimpo ilegal acontece nesses cenários; ele não escolhe um lugar horroroso, até porque não tem lugar horroroso na Amazônia — ele pode se tornar um lugar horroroso porque o homem vai lá e detona com ele. A gente escolheu o que é, o que é essa imensidão e essa coisa linda que tem aí no Pará. Então, a gente falou: bom, é lá que a gente tem que ir, é lá que a história acontece. E claro que, putz, a gente podia ter optado por uma cinematografia mais dura, mais escura, mas não, porque a gente pensou que era o oposto; a gente pensou que é importante trazer essa realidade para o espectador”, explica.
O longa-metragem Rio de Sangue aposta no realismo e na consultoria especializada para abordar as tensões e os impactos sociais da exploração predatória na Amazônia. Com compromisso com a autenticidade geográfica e o estudo aprofundado do tema para a composição da obra, o diretor destaca: “A gente teve a consultoria da Val Munduruku, que é uma mulher indígena cuja aldeia já sofreu invasões de garimpo ilegal; a gente estudou muito o tema, não só para tratar a parte dos crimes e para tratar a parte da invasão. O filme é inteiro, 100% filmado no Pará. Inclusive o começo do filme, que fala que é São Paulo, não é São Paulo, é no Pará; mas aí eu achei um lugar lá parecido com o que fosse uma periferia de São Paulo.”
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