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Longa com Chico Diaz, 'Homem Onça' estreia no Líbero Luxardo

Inspirado no pai do diretor, filme reflete sobre os efeitos da venda de grandes estatais nos trabalhadores e suas famílias

Agência Estado e O Liberal

Havia dois ou três bons filmes participando da competição brasileira no recente Festival de Gramado. Carro Rei, Homem Onça e O Novelo. O primeiro venceu o prêmio de melhor filme do júri oficial, o terceiro ganhou o do público. Homem Onça levou o prêmio de melhor atriz coadjuvante para Bianca Byington.

O longa de Vinicius Reis estreia hoje, 23, na programação do Cine Líbero Luxardo, do Centur. O filme será exibido até dia 29, exceto na segunda, 27, às 18h. A programação do espaço alternativo recebe, ainda, o longa chinês “Suk Suk”, que será exibido no mesmo período, às 20h, e que conta a história de amor entre dois homens em sua velhice em Hong Kong, onde o casamento entre pessoas do mesmo sexo não é reconhecido.

Sobre Homem Onça, o diretor explica de onde veio a ideia."Esse filme começou a nascer há mais de dez anos, de um processo que acompanhei muito de perto. Meu pai era funcionário da Vale do Rio Doce, e foi atingido no processo de privatização da empresa nos anos 1990. Embora tenha uma pegada política e esteja saindo no momento em que outro governo adota o discurso da modernidade para justificar novas privatizações, para mim esse filme é muito íntimo, muito pessoal. É um filme sobre meu pai, porque eu acompanhei muito de perto os efeitos da situação da Vale na vida dele - e na nossa vida, enquanto família", diz.



Em Gramado, boa parte da discussão no debate sobre Homem Onça foi ocupada pela questão estética - afinal, é um filme. Chico Diaz provocou - "Acho que precisamos falar sobre o Brasil". É o que Vinicius vem fazendo desde A Cobra Fumou, seu documentário sobre a Força Expedicionária Brasileira (FEB) na Itália, de 2002.

Lá atrás, quando Vinicius começou a escrever o roteiro, o projeto chamava-se O Primeiro Mulambo. Depois, virou Montanha Russa, antes de ganhar o título definitivo de Homem Onça. Cada um desses títulos tinha sua justificativa. "Meu pai era um funcionário graduado. Na empresa de ficção, a Gás do Brasil, o personagem é um dinossauro. Sabe tudo sobre questões energéticas, mas nesse novo mundo de inglesismos ele vai sendo marginalizado, como se fosse um mulambo qualquer”.

Sua vida sofre mudanças radicais, como uma montanha-russa. "A narrativa dele se desenvolve em dois tempos, dois casamentos. O homem urbano, casado com Silvia Buarque - e Chico foi casado com ela na vida. Depois, o isolamento, o mato, e o novo casamento - com a personagem de Bianca." No tempo presente, ele vai sofrendo a mutação. "Você tem de olhar essa mancha, cuidar dessa mão."

Surge o homem onça, um sobrevivente no mundo que não respeita o meio ambiente, nem as pessoas. "As questões econômicas e ambientais se inter-relacionam, e no âmbito da família." Na infância de Pedro, o protagonista, havia essa onça. O repórter lembra os incêndios no Pantanal, no ano passado, a história das onças que viraram emblemas. Uma delas precisou ser recuperada em cativeiro por causa das patas queimadas e o Brasil inteiro acompanhou o tratamento.

Por mais que abordem temas ligados à sociedade, ao macro, ao Brasil, os filmes de Vinicius Reis terminam sempre por se ligar ao micro - a família está no centro de seu cinema. A perda da estabilidade, a insegurança econômica e emocional, tudo isso atinge o personagem de Chico em Homem Onça. "Sempre encarei o Homem Onça como uma fábula da era das privatizações, mas o filme virou essa coisa mais familiar. No filme, a empresa estatal é competitiva, saudável, mas passa por um enxugamento brutal para se tornar atraente no mercado. É uma violência, e só quem não se liga na realidade não se dá conta de que isso está ocorrendo de novo com a Petrobras, os Correios”.

Palavras-chave

Cinema
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