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Atriz Dira Paes estreia filme "Pureza" no cinema hoje,19; veja onde assistir

Longa debate o trabalho análogo à escravidão no Brasil

Fernanda Martins

Na semana passada, o Brasil completou 134 anos de abolição do trabalho escravo. Entretanto, mais de cem anos não foram suficientes para erradicar a pratica no país. E é nesse momento acalorado do debate que o Brasil recebe a estreia do longa “Pureza”, dirigido por Renato Barbieri. Dira Paes dá vida à dona Pureza, uma mãe maranhense que, na busca pela filho desaparecido, ajudou a jogar luz sobre um sistema que enriquece nas costas de trabalhadores escravos no interior do Pará, na década de 1990. O caso moldou a legislação que combate o trabalho escravo contemporâneo. O filme estreia no circuito nacional nesta quinta-feira, 19.

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O filme é protagonizado por Dira Paes

Nascida no interior do Maranhão, Pureza Lopes Loyola se alfabetizou aos 40 anos para poder ler a Bíblia. Em 1993, quando o filho mais novo, Antônio Abel, veio ao Pará tentando a sorte no garimpo e parou de mandar notícias, ela saiu, com a roupa do corpo, a bolsa, a foto de Abel em busca do seu paradeiro. No caminho até o filho, Pureza visita fazendas e descobre um perverso sistema de aliciamento e escravidão de trabalhadores “contratados” para derrubar grandes extensões de mata nativa a fim de converter a área em pastagem para o gado. Foram três anos de buscas.

A batalha de Pureza para encontrar Abel deu impulso decisivo à criação, em 1995, do Grupo Especial Móvel de Fiscalização, que uniu auditores-fiscais do trabalho, policiais federais e procuradores do trabalho para viabilizar o cumprimento da lei e a observância de direitos trabalhistas em todo o território nacional. Hoje, Abel vive em Bacabal com Pureza e a família.

Em 1997, Pureza recebeu em Londres o Prêmio Anti-Escravidão da Anti-Slavery International, a mais antiga organização de combate ao trabalho escravo em atividade no mundo. "Pureza tem carga de realidade suficiente para despertar a sociedade brasileira para a tragédia do trabalho escravo contemporâneo e ainda atuar de forma preventiva para essa situação. Quando um trabalhador comum vê este filme, ele entende a mecânica do trabalho escravo, como acontece o aliciamento, por que seus documentos são confiscados. Estamos fazendo sessões em regiões vulneráveis para aumentar a consciência do país sobre esse gravíssimo problema de cerceamento da liberdade. É necessário abrir os olhos e o coração da sociedade brasileira para o trabalho escravo. Precisamos virar essa página dramática de nossa História", diz Renato Barbieri, diretor do filme.

A atriz paraense Dira Paes emprestou seus 32 anos de carreiras em mais de 40 filmes, entre curtas e longas, para viver dona Pureza. “Todas as pessoas que correm o risco de serem escravizadas lutam sem nada. Eu vi com os meus olhos, conheço o Brasil, pude testemunhar mais uma vez essa condição do nada, os escravos que perdem seus registros e documentos. Pureza foi corajosa, organizou um plano de ação. A melhor definição para ela é coragem. Ela subiu naquele pau de arara sabendo pra onde estava indo, diferente dos outros que achavam que iam só cair na “juquira”, derrubar árvore pra plantar soja, criar gado. É um ciclo de destruição vigente na nossa sociedade, que usa de mão de obra forçada pra construir grandes riquezas.”, avalia Dira.

Ativista da área, Dira teve contato com o trabalho escravo contemporâneo há algum tempo. “Desde minha adolescência, quando adquiri consciência política sobre o meu estado, a grandeza da territorialidade paraense, desde sempre os conflitos de terra foram uma das questões mais bárbaras. O Pará é um estado degradado, mas o mais degradado mesmo é o próprio homem. Todas essas questões sempre fizeram parte da minha vida naturalmente, um olhar para a terra como o início de todos os problemas. Antes, nós éramos considerados “ecochatos”, mas hoje essas questões são fundamentais, e conseguimos elaborar melhor as questões sociais e ambientais.”, resume.

O engajamento social, aliás, tem sido o mote do filme desde sua viabilização. Até agora, o longa conta com a participação de mais de 85 organizações atuantes na causa. “Pureza” uma produção de Gaya Filmes e Ligocki Entretenimento, com direção de Renato Barbieri, produção de Marcus Ligocki Jr., distribuição da DownTown e Paris Filmes.

Cinema
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