Filme ambientado no Pará, Soldados do Araguaia é indicado ao Prêmio do Cinema Brasileiro

Longa foi indicado em duas categorias: trilha sonora e montagem

Lucas Costa

O dia 19 de junho de 1898 foi um daqueles marcantes para a história do Brasil, isto porque teria sido o primeiro em que foram feitas imagens a partir da tecnologia do cinematógrafo em terras brasileiras. Foi o suficiente para que a data fosse reconhecida posteriormente como o Dia do Cinema Brasileiro.

Mais de um século depois, o cinema é uma das atividades culturais presente em boa parte das metrópoles e grandes cidades do Brasil. No entanto, apesar de contar com um grande catálogo de produções realizadas por aqui, muitas vezes de histórias que são nossas; as salas de cinemas do país são um espaço cada vez mais escasso de audiovisual brasileiro.

Na segunda-feira (17), a Academia Brasileira de Cinema divulgou a lista dos finalistas do 18º Grande Prêmio do Cinema Brasileiro, que reconhece produções lançadas ao longo do ano de 2018 em território nacional.

O grande campeão em indicações é "Chacrinha: O Velho Guerreiro", de Andrucha Waddington; seguido por "O Grande Circo Místico", de Cacá Diegues e "Benzinho", de Gustavo Pizzi. A cerimônia de entrega será realizada no dia 14 de agosto e transmitida ao vivo pelo Canal Brasil

Este ano o Pará também está representado no prêmio que reconhece as produções muitas vezes ignoradas pelo circuito comercial de cinema. Trata-se do documentário "Soldados do Araguaia", dirigido por Belisário Franca. O filme foi indicado nas categorias Melhor Trilha Sonora e Melhor Montagem de Documentário.

"A história mostra um ponto de vista de soldados rasos, recrutas amazônidas que foram levados para combater numa guerrilha que eles mal sabiam do que se tratava. E nessa 'missão' passaram por treinamentos onde eram torturados e passaram a presenciar também cenas de torturas. Depois foram descartados pelo exército brasileiro, com seus traumas, sua violência interna, suas sequelas físicas e mentais", explica Ismael.

"Esse ponto de vista mostra o quanto a violência institucionalizada da ditadura se enraizou. O principal valor histórico na minha opinião, é que não são guerrilheiros nem camponeses que fazem esse relato, e sim os próprios agentes do braço militar".

Ismael conta que foi o responsável pela escrita do projeto e a equipe chegou a ganhar um edital do Cinebrasiltv com ele. Junto a Michelle Maia, produtora do filme, e Paulinho Fonteles, Ismael começou a produção do filme; e posteriormente, realizaram pré-entrevistas para selecionar os personagens, junto ao diretor Belisário Franca.

Sobre a sensação de ver uma produção textual sua adaptada para o cinema, Ismael relembra: "Estávamos eu e Michelle, na produção de uma série chamada Mad Scientists: cientistas que ninguém quis ouvir, uma série documental para TV Pública (...) No início da noite fui num cinema que ficava na esquina de onde estávamos, o Belas Artes. Aí deparo com o cartaz do filme. Deu um arrepio na hora".

Mas nem tudo é motivo para se comemorar sobre o audiovisual brasileiro. O desmonte do Ministério da Cultura e outros movimentos realizados por setores governistas na cultura, têm afetado drasticamente o setor audiovisual. Ismael Machado, que deixou a atividade de repórter para dedicar-se ao audiovisual como roteirista reconhece tais dificuldades.

"Temos um governo - se é que se pode chamar assim - que olha para tudo isso com um viés tão atrasado, tão arcaico, tão destruidor... que todo o otimismo criado nos 12, 14 anos anteriores começa a se tornar um grande ponto de interrogação", desabafa.

Cinema
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